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fevereiro 03, 2006

Lembrar o Porto do 3 de Fevereiro de 1927

Revolucionári@s em trincheira - esquina da 31 Janeiro com a Santa Catarina
Revolucionári@s em trincheira - esquina da 31 Janeiro com a Santa Catarina

Sabiam que...

- a 3 de Fevereiro de 1927, no Porto, se verificou o primeiro levantamento armado popular e militar contra a ditadura do «Estado Novo» e que @s revolucionári@s tiveram o Porto na mão?

- o Porto foi bombardeado de Gaia, a tiro de canhão, pelas tropas da ditadura vindas de Lisboa?

- ao contrário dos oficiais republicanos revoltosos, @s civís - entre el@s @s anarco-sindicalistas da antiga CGT (Confederação Geral do Trabalho) - queriam tomar as baterias da Serra do Pilar e do Monte da Virgem à baioneta?

- os oficiais republicanos, assustados, acabaram por se render às tropas da ditadura e que quem se lixou foram @s trabalhador@s revolucionári@s - fuzilad@s ou deportad@s para as prisões de Angola e Moçambique?

- se tivessem atacado as baterias em Gaia poderiam ter sido evitados quase 50 anos de ditadura salazarista?

8 presentes no 3 de Fevereiro
Presentes!

Para que as brumas não encubram a memória do Porto Libertário

Por tudo isto convidamo-vos a:

* Uma visita guiada pela "Trilha Histórica do 3 de Fevereiro de 1927"
(próximo Sábado de manhã, encontro às 10:30h na nossa sede)

* Sessão de informação e debate aberto: "O 3 de Fevereiro no Porto: os seus heróis e os seus traidores"
(às 21:30h na nossa sede)

Rua dos Caldeireiros, n.º 213

Organização:
Oficina de História Viva do nosso projecto "Fazer Caminhos / REGRALL" (no âmbito do Programa Escolhas 2ª Geração).
Grupo de Trabalho de História Social do Terra Viva! / Terra Vivente - Associação de Ecologia Social

Publicado por terraviva às fevereiro 3, 2006 04:42 PM

Comentários

Era a altura em que o Povo sentia o poder nas suas mãos e não nas dos seus Governantes....
Era a altura em que os governantes tinham medo de se "governar" porque senão o Povo caía-lhes em cima....
Era a altura em que o povo estava unido e saía à rua para lutar pela sua Liberdade....
Era a altura em que que a liberdade era mais do que o simples bem estar e comodidade caseira...

Lutas destas não podem ser esquecidas...
Viva a Liberdade a Revolução e a Autonomia Popular!

Publicado por: P às fevereiro 4, 2006 11:52 AM

Ânimo ai com a recoperaçao da memória histórica. Rouvarom-nos a terra, rouvaram-nos a liberdade. Que nao nos rouvar a memória!

Publicado por: gzi às fevereiro 6, 2006 06:14 PM

É sempre positivo recordar os portugueses do passado que demonstraram ter os tomates que, nos dias que correm, escasseiam...
Hoje, cultiva-se o laxismo e a responsabilidade de consciência (vulgo, "politicamente correcto") e a cobardia ("brandos costumes").
Que os portugueses de hoje despertem e honrem os que os antecederam!...

Publicado por: Zé Povinho às fevereiro 11, 2006 01:36 AM

"Os portugueses"...QUAIS PORTUGUESES?... Independentemente dos devaneios mais nacionalistas de alguns, os "portugueses"(e já agora, as portuguesas também...) continuam, como aliás todos os povos da Terra -e mesmo alguma gente que para cá imigra - a ser de duas "categorias" sociológicas fundamentais: NO ALTO -@s dominantes, @s privilegiadas, @s "incluíd@s", @s decisore/a/s, @s gestore/a/s, @s dirigentes, @s manipuladores/as polític@s, @S grandes e "invisíveis" poluidores/as...
EM BAIXO - @s dominad@s, @s des-privilegiad@s, @s "excluíd@s", os alvos das decisões dos outros, @s gerid@s, @s dirigid@s, @s manipulad@s políticamente, @s "invisivelmente" poluíd@s...

Em ambas as categorias, há muito em comum independentemente do país ou da etnia de origem...As MULTINACIONAIS que o digam!...

Só que entre "os de baixo" isto ainda não é reconhecido ao ponto de unidos "saltarem ao pescoço do seu ladrão que nunca teve fome"...

Ou duvida-se que há mais em comum entre o Jaquim, o Zécão, o Camará, o Ahmed, o Boris e o Samir, ambos dormindo na rua ou arriscando-se a caír dos andaimes nas obras, para poder sobreviver, do que deles todos com os Clintons, os Espíritos-santos, os estadistas em geral e a "corja rica, cheia de galas" de todos os países e nações...?

Era bom que todos os "Zés Povinhos" vissem que "imigração descontrolada" verdadeiramente é a dos CAPITAIS e das MULTI(-)NACIONAIS que nos exploram a tod@s e à Terra-Mãe...

J.P.

Publicado por: Anonymous às fevereiro 14, 2006 12:42 AM

Concordo com quase tudo o que dizes. E se não concordo com tudo é porque carregas em demasia na bipolaridade dominantes/dominados. É claro que este confronto é real e tem um enorme peso, mas não queiras limitar este mundo complexo a uma tão simples dicotomia (a não ser que te fiques pelos puro materialismo...). O fenómeno das grandes migrações, tão comum neste período "global" em que vivemos, é mais uma das consequ~encias da acção consciente dos dominantes que, para além de transferirem capitais e postos de trabalho a seu belo prazer, transferem mão-de-obra, procurando com isto manipular todos nós (ou quase todos...). As migrações maciças actuais são mais uma ferramenta dos dominantes para submeter os "dominados". Proteger o imigrante deve pois ser algo bem distinto de favorecer a imigração. Caso contrário, acabaremos por fazer o jogo do capitalismo radical. E este pretende destruir o "Eu", subjugando-o a leis laborais selváticas, e pretende destruir a família, base primária do "Eu" (empolando valores materialistas falsos), e, por fim, pretende destruir o "nós", base secundária, mas mesmo assim muito importante, do "Eu" (correspondente ao "Eu" nacional, grupal, tribal).
Vejo diariamente como o capitalismo dominante controla a minha vontade individual básica, vejo como corrompe a realidade familiar e como pretende diluir o "Nós" a que eu pertenço (o meu povo, a minha nação!). Em troco oferece-me condições materialistas de sobreviv~encia... Face a esta chantagem inaceitável, só me resta resistir até às últimas consequências, defendo o "Eu", a família e a Nação. Consequentemente, não posso fazer outra coisa que opôr-me à imigração maciça.

Publicado por: Zé povinho às fevereiro 26, 2006 02:19 AM

O indivíduo está, obviamente, antes da família quando se fala em "bases". Existem indivíduos sem família mas não existem famílias sem indivíduos.

A família é uma organização de indivíduos, do mesmo sangue ou não, que se estrutura como bem entende e como melhor lhe aproveita. Depois existe a família legislada e avalizada pelo estado, que é um subconjunto da primeira, e que procura impor uma estrutura de coesão segundo um conceito subjectivo de normalidade (na minha opinião segundo o vício intelectual da normose).

Se a noção de família não pode ser estanque por leis desajustadas e ficcionais muito menos o pode ser a noção de grupo, muito mais heterogénea e permeável, e ainda mais a de nação pela intensificação das mesmas razões. A cultura, o património, a genética, as tradições, os laços étnicos ou o que lhe quiseres chamar são contínuos no espaço e no tempo, no natural e no cultural.


O que disse o JP é radicalmente diferente do que pretendes concluir. Tu queres pôr a tónica na defesa do grupo nacional, onde se incluem políticos, capitalistas, padres e bispos, executivos, CEOS, administradores, financeiros, burgueses e restante catrefa de biltres mal-cheirosos. Pelo que disseste não é propriamente o capitalismo que te incomóda, mas a parte internacionalista do capitalismo, a globalização e as multinacionais. Isso está bem patente quando tens o cuidado de apôr ao termo capitalismo o adjectivo "radical", que é o mau capitalismo, concerteza para o distinguir do bom, que é o nacional e "moderado".

Como consegues manter a incoerência de pretenderes colocar-te ao mesmo tempo ao lado das dominadas e das dominadoras, não sei, isso é contigo. Mas quem olha do lado de cá não tem dúvidas sobre o teu posicionamento.

Publicado por: LF às fevereiro 27, 2006 06:56 PM

MATERIALISMO, DOMINADOS E DOMINANTES ...
Materialismo? QUAL materialismo? Porque desde o atomismo grego ao materialismo de Feuerbach passando pelo dito "dialético" até ao da "Escola Materialista de Frankfurt"(Habermas,Adorno,Horkheimer...) há muitas nuances, não? E se "o ser é produto da consciência ou se esta é produto do ser", ou as duas coisas, ou só uma delas, deixemos isso aos "filósofos" mais "existencialistas" porque no ponto em que as coisas estão a explicação do mundo actual vai-nos aparecendo na medida em que participamos na sua transformação...A não ser que nos metamos numa torre de marfim de uma qualquer biblioteca a tentar descobrir o "sexo dos anjos" ! Eu por mim prefiro participar na transformação do mundo actual que pauto como sendo injusto e a atentar gravemente contra a DIGNIDADE HUMANA -tal como contra a integtridade do planeta Terra. E se sou "idealista" ou "materialista" a coisa é para mim redundante - até porque em certo sentido penso que é necessário sermos as duas coisas: IDEALISTAS porque temos ideais (falta saber QUAIS -e digo desde já que qualquer nacionalismo -não confundir com sentimento de autoctonia- se me afigura, em princípio ANTI-HUMANO tão anti-humano como os estados e as fronteiras - porque"ninguém é uma ilha"...etc.) e MATERIALISTAS -porque (SE...) queremos proceder à transformação do mundo real e para isso temos que..."fazer a análise concrecta da situação concrecta"...
Porque quando se fala de DOMINAD@S e DOMINANTES e se constacta que é este o mundo em que vivemos - para além de todas as elocubrações mais "nacionalistas", não se fala de uma invenção!
Ainda bem que concordamos que estar numa posição ou noutra independe da nacionalidade, do país, da etnia de origem, etc... Agora propôr o quê? A cruzada contra os imigrantes "descontrolados" que "tiram os postos de trabalho" aos nacionais? ...É interessante que nesta relação dicotómica DOMINADOS-DOMINANTES haja tanto em comum entre os imigrantes que caem dos andaimes e os "nacionais" acidentados no mundo do "tripalium"...- como o que há em comum entre os que gritam (ou escrevem) cá "estrangeiros (imigrantes)fora!" e os que hoje -e desde há já muito na Alemanha gritam também "Auslaender raus!". E o que há em comum não é nenhuma fantasia! É uma realidade tão dura como o chão em que se esborracham anualmente imigrantes e não imigrantes, portugueses na Alemanha ou alhures, imigrantes ou "estrangeiros" . É a dureza das diferentes realidades vivenciadas no dia-a-dia por dominados e por dominantes -só conciliáveis na cabeça daqueles que ainda sonham com "Estados Corporativos" que "unam" os interesses dos proletarizados aos dos capitães da indústria e da finança ("a raposa disse à galinha: vem comigo, podemos ser tão amigas . A galinha foi.E foi por isso que as suas penas ficaram espalhadas pelo ar..."-B.Brecht).
Mas nada de confusões...O marxismo, se bem que tenha uma bem elaborada ("Das Kapital")teoria da exploração económica -que de resto em parte foi buscar ao socialista "utópico" Victor Considérant -NÃO tem uma teoria da DOMINAÇÃO. Ora esta dominação abrange muitas mais "dicotomias" do que a extorsão económica da mais-valia ao proletariado. Ora esta DOMINAÇÃO realiza-se através de uma série de HIERARQUIAS SOCIAIS (realmente existentes)que são a chave de todas as misérias humanas. Quem aposta na hierarquização ainda maior da sociedade humana e não se propõe desmontar, desconstruir, essas hierarquias e lutar pela sua iliminação -a fim de que não sejam as actuais RELAÇÕES DE PODER-DOMINAÇÃO que prevaleçam na sociedade humana mas sim as da COOPERAÇÃO, INTER-AJUDA, APOIO-MÚTUO, AUTOGESTÃO GERAL, COMPLEMENTARIEDADE DAS DIFERENTES CAPACIDADES HUMANAS ENTRE SI - posiciona-se de facto do lado DOS DOMINANTES... E eu não acredito que haja parlamento, "concertação social",fórum ou tertúlia -informática ou não-que resolva isto! Ao contrário do que pretende o ideólogo do neo-liberalismo Fukuyama, a história não acaba aqui. E o problema desta dicotomia DOMINADOS-DOMINANTES é uma questão histórica. Só que "história" pode ser -é!- já hoje ou amanhã -até numa qualquer rua escura de qualquer cidade! Cada um de nós é já portador dos germes dessa história através das ideias que defende ou dos fins que persegue. E...as lutas continuam e a ANARQUIA -essa velha toupeira da história, essa "morta recalcitrante" também.Por muito que custe a quaisquer cruzados ou sarracenos!
Por isso são tão importantes as memórias do 3 de Fevereiro de 1927 no Porto, como as do 4 de Julho de 37 em Lisboa, como as da "Guerra dos Camponeses", na Alemanha e França ou as do "Quilombo de Palmares" no Brasil. Porque são a forma de não esquecermos que desde as nossas raízes, a luta por uma sociedade e uma Terra viva e livre de pessoas livres continua!
J.P.

Publicado por: J.P. às março 1, 2006 02:34 AM

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