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fevereiro 25, 2006

Assassinato da Gisberta

Para perceber melhor o caso do assassinato da transexual Gisberta, com a tentativa de branqueamento da comunicação social e da igreja, ler o comunicado de imprensa do Movimento Panteras Rosas e da associação at.

Ler também no Indymedia português o editorial Vê-te ao espelho, Portugal

LF

Publicado por terraviva às 05:39 PM | Comentários (487)

fevereiro 24, 2006

Vigília esta noite no local do crime

"Hoje, Portugal vê-se ao espelho" - VIGÍLIA DE REPÚDIO PELA MORTE DE TRANSEXUAL

Um grupo de pessoas do Porto decidiu organizar, a partir das 19h30 de hoje - dia 24 de Fevereiro 2006 - uma Vigília no jardim do Campo 24 de Agosto, frente ao local onde foi encontrado o corpo de Gisberta, conhecida como "Giz", a transexual - e não "travesti", como referido pela comunicação social - que era frequentemente perseguida com motivação homofóbica por jovens das Oficinas de São José que agora são suspeitos do seu assassinato, conforme noticiado ontem pelos meios de comunicação social.

Apela-se à presença de todas as organizações e pessoas individuais que desejem solidarizar-se com a vítima e com
esta iniciativa.

PARA REPUDIAR ESTE CRIME

PARA DIZER QUE BASTA DE VIOLÊNCIA HOMOFÓBICA

PARA EXIGIR MEDIDAS DE COMBATE À DICRIMINAÇÃO E AO PRECONCEITO!

Publicado por terraviva às 12:22 PM | Comentários (157)

fevereiro 23, 2006

Ambiente: Bush amordaça cientistas

Caricatura do Bush a apanhar chuva enquanto discursa sobre o sol

Stephen Leahy
IPS/Envolverde 21/02/2006

Cresce a evidência de que o governo dos Estados Unidos proibiu vários cientistas de divulgar informação sobre a mudança climática e outros assuntos ambientais. Em Janeiro, um dos mais conhecidos cientistas norte­-americanos, James Hansen, acusou o governo de George W. Bush de impedir que informação sobre o aquecimento global chegasse ao público.

Hansen, director do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da NASA (a agência espacial norte-americana), assegurou que especialistas sob sua orientação e do Escritório Nacional de Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) eram amordaçados pelas autoridades.

«Isto parece­-se mais com a Alemanha nazi ou a União Soviética do que com os Estados Unidos», teria dito Hansen num painel público sobre ciência e meio ambiente realizado no último dia 10 em Nova York. Durante o outono boreal, autoridades ordenaram a Hansen que retirasse informação publicada na Internet informando que 2005 poderia ser o ano mais quente já registrado. Poucos meses depois esse prognóstico foi confirmado por várias instituições científicas. O governo também teria proibido jornalistas de entrevistarem cientistas sobre estas pesquisas. O governo Bush é reticente a reconhecer a ligação entre o grande consumo de combustível fóssil e a mudança climática, e repudia o Protocolo de Kyoto, único instrumento internacional que obriga as nações industrializadas a reduzir as emissões de gases que aquecem a atmosfera.

«As coisas estão ainda pior na NOAA e na Agência de Protecção Ambiental», disse Hansen a um canal de televisão. A NOAA descartou qualquer ligação entre o aquecimento do planeta e a temporada de furacões do ano passado, apesar da crescente evidência apresentada por outros especialistas em mudança climática. Na quarta­-feira, esse organismo reconheceu que muitos dos seus cientistas discordam dessa posição oficial. «O governo Bush rejeita o método científico», afirmou Lewis Lapham, editor da Haper’s Magazine e autor do livro Gag Rule (A lei da mordaça), que denuncia a censura exercida pelo governo contra os que discordam das suas posições. «O aquecimento do planeta não entra na sua actual estrutura de pensamento», afirmou Lapham à IPS.

O jornalista disse que os Estados Unidos parecem entrar numa era onde a fé é mais importante do que os factos e a discordância é considerada uma traição. Quando se trata de pesquisar, o governo tem, inclusive, ido mais além da tradicional prática dos políticos de alterar os números para mostrar os resultados que querem que sejam vistos, disse Lapham. «Se a ciência não demonstra o que se diz que deve demonstrar, então eles acreditam que a alteração se deve a Satanás ou ao Partido Democrata» (oposição), acrescentou. Há dois anos, 60 destacados cientistas assinaram um documento afirmando que, a menos que os seus pontos de vista ou a evidência apresentada coincidisse com a ideologia do governo Bush, o seu testemunho será sempre ignorado ou rejeitado. Desde então, mais de 8.500 cientistas ratificaram essa denúncia.

A Union of Concerned Scientists (UCS, União de Cientistas Comprometidos) acusou o governo de tergiversar os resultados das pesquisas da Academia Nacional de Ciências, dos próprios especialistas governamentais e de toda a comunidade académica que estuda a mudança climática. A UCS elaborou uma convincente lista de instâncias de interferência política em pesquisas, incluindo a remoção de cientistas altamente qualificados de comités de assessoramento que tratam sobre saúde infantil, ambiental e reprodutiva, bem como sobre abuso de drogas. Estes especialistas foram substituídos por pessoas ligadas ou contratadas por indústrias sujeitas à regulamentação do Estado. O financiamento também foi negado a cientistas que se expressaram livremente ou realizaram pesquisas que podiam contradizer a política da Casa Branca.

Cientistas que pesquisam o impacto ambiental dos motores a hidrogénio ficaram sem financiamento da NASA depois de num estudo preliminar terem descoberto que esta tecnologia poderia causar sérios danos ambientais. O governo Bush promoveu e financiou a pesquisa sobre esse assunto por considerá-lo um futuro substituto para os motores a gasolina. No começo deste mês, o Escritório de Administração de Terras negou­-se a continuar a financiar um estudo da Universidade Estatal do Oregon sugerindo que o corte de árvores não era a melhor maneira de recuperar florestas destruídas por incêndios. O governo Bush apoia o corte feito pelas empresas florestais como uma boa prática para a ecologia e para prevenir futuros incêndios.

«A ciência sempre foi influenciada pelos políticos», disse Stephen Bocking, professor associado de estudos ambientais na canadense Universidade de Trent. Nos anos 50 e 60, as empresas químicas persuadiram os governos a financiar pesquisas sobre o uso de produtos químicos na agricultura. Nas décadas de 80 e 90, muitas dessas empresas utilizaram a sua influência para conseguir grandes somas de dinheiro público para pesquisarem sobre cultivos geneticamente modificados, disse Bocking numa entrevista. A influência das corporações sobre o governo sempre esteve presente, mas Bocking reconhece que agora é mais forte do que nunca. Por exemplo, boa parte da investigação estatal em áreas como a agricultura somente satisfaz as necessidades das grandes empresas.

Embora servisse ao bem público, nem o governo canadense nem o norte-americano gastaram uma adequada quantidade de dólares em pesquisas sobre os impactos ambientais dos transgénicos, afirmam os críticos. As tentativas explícitas dos governos em amordaçar os cientistas que fazem pesquisas estatais não são tão comuns, disse Bocking. «Há maneiras muito mais subtis de dirigir a pesquisa», afirmou. As decisões sobre como são financiados os projectos, por quanto tempo e a metodologia empregada, entre outros factores, influem muito mais nas conclusões finais, explicou. «Os resultados das pesquisas tendem a reflectir quem paga por elas», ressaltou.

Isto nada tem a ver com a integridade pessoal dos cientistas, insistiu. A melhor prova disso é que cientistas destacados financiados por empresas farmacêuticas produziram resultados que depois foram invalidados por pesquisadores pagos pelo Estado. A pesquisa estatal é crucial para se contrapor à financiada por corporações, afirmou. E necessita­-se muito mais da primeira. «As decisões sobre qual investigação o Estado financia também deveriam ser tomadas em colaboração com os cientistas e o público», concluiu Bocking.

via:
Info Alternativa


LF

Publicado por terraviva às 03:21 PM | Comentários (134)

fevereiro 22, 2006

Curso de Animadores

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CURSO ANIMADORES/as voluntári@s AR LIVRE

REGRALL( Rede de Grupos de Ar livre Locais/Eco-escutismo Livre) / TERRA VIVA!/Terra Vivente –Associação de Ecologia Social


Inscrições (até 26 de Fevereiro) só maiores de 18 anos
Parte teórica: quintas das 21.00 às 23.00 h.  SEDE da TERRA VIVA/ REGRALL: INFORMAÇÕES: 96 7694816
Rua dos Caldeireiros, 213 – Porto (à Cordoaria) 963001507 / 223324001
Parte prática: 3 fins de semana (sáb. alternados em espaço florestado do Porto ou arredores -Quinta do Covelo,Valongo, Alfena )

Quando:
–PARTE TEÓRICA - 2-9-16-23/3 ( QUINTAS) - dia de campo PARTE PRÁTICA) -4-5/3 1º fim de semana de campo 18-19/3 2ºfim de semana de campo -1-2/4 3º Fim de semana de campo –ESTÁGIO DE ACOMPANHAMENTO DE ACTIVIDADES - AVALIAÇÃO -ENTREGA DIPLOMAS PARTICIPAÇÃO

CONTEÚDO:
-INTRODUÇÃO À ECOLOGIA SOCIAL – HISTÓRIA CRÍTICA DOS MOVIMENTOS JUVENIS DE AR LIVRE E DO ESCUTISMO – DINÂMICA DE PEQUENOS GRUPOS: A EQUIPA –METODOLOGIAS PARA DIFERENTES FAIXAS ETÁRIAS – PEDAGOGIA DE PROJECTO – PEDAGOGIA ECO-LIBERTÁRIA - TRILHAS PEDESTRES DE DESCOBERTA – JOGOS DE DESENV0LVIMENTO SENSORIAL – TÉCNICAS DE AR LIVRE E AVENTURA ( tipos de acampamentos e de tendas, legislação, sobrevivência, orientação, nós e amarrações, vencer obstáculos, ,primeiros socorros, prevenção e segurança )– JOGOS DE AVENTURA (nocturnos ,de pistas , florestais ) -JOGOS ARTE, NATUREZA E FANTASIA – ORGANIZAÇÃO E ANIMAÇÃO DE GRUPOS LOCAIS E DE PROGRAMAS – OS NOSSOS PROGRAMAS E PROJECTOS, ÃMBITOS E FINANCIAMENTOS (Programa Escolhas, IPJ-PAAJ-Férias em Movimento) , IA, etc…) -

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TAXA DE INSCRIÇÃO :
LIVRE P/ DESEMPREGAD@S, ACTIVISTAS DE ASSOCIAÇÕES POPULARES, PROFESSORES / EDUCADORES DE INSTITU I-
ÇÕES DAS FREGUESIAS DE CAMPANHÃ, SÉ, VITÓRIA E MIRAGAIA
10 e. P/ PARTICIPANTES DE OUTRAS FREGUESIAS, ESCOLAS, INSTITUIÇÕES (TEXTOS E FICHAS DE APOIO E DIPLOMA FINAL / ATESTADO DE PARTICIPAÇÃO)

Organização:
TERRA VIVA!/TERRA VIVENTE –Associação de Ecologia Social -Proj.FAZER CAMINHOS/ REGRALL ( do âmbito do Programa ESCOLHAS 2º GERAÇÃO )

Apoio de:Programa PAAJ do IPJ e Junta de Freguesia de Paranhos

Publicado por terraviva às 04:29 PM | Comentários (4)

Concurso inter-equipas

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“EQUIPA GUIA 2006”
Fevereiro a Outubro de 2006

Forma na tua escola, no teu bairro ou na tua associação uma EQUIPA de Eco-batedores *(4-6 jovens dos 9 aos 13 anos – juniores ou dos 14 aos 17 anos -seniores) e inscrevam-se neste concurso.

* REGRALL-Rede de Grupos de Ar Livre Locais/ Eco-escutismo Livre

PRÉMIOS:

(Júniores)
1º-TAÇA “ELISEU RECLUS” e material de campismo p/ a Equipa;
2º-Material de campismo p/ a Equipa;
-p/ todas as Equipas e seus elementos – Insígnias e diplomas de particip. + Recordações

(Séniores)
1º-TAÇA “CHICO MENDES” e material de campismo p/ a Equipa;
2º-Material de campismo p/ a Equipa;
-p/ todas as Equipas e seus elementos – Insígnias e diplomas de particip. + Recordações


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INSCRIÇÕES: de 1 a 25 de Fevereiro nos seguintes locais:
.Campanhã: -Escola EB23 Ramalho -GRALL (Grupo de Eco-Escutismo Livre) da escola (4ªs-feiras 16.45-18.30 h.- na sala polivalente ao lado do bar da escola )
-GRALL Lagarteiro/Azevedo-BL.3, ent.89, casa 21-B.º Lagarteiro (4ªs-feiras- 19- 20.30 h.)
.SÉ- Junta de Freguesia da Sé – Dr.ª ANA MARIA (do ATL)
.VITÓRIA: GRALL Vitória / Miragaia, na Terra Viva /Terra vivente AES- Rua dos Caldeireiros, 213 (à Cordoaria)
3ªas, 5ªas e 6ºas, das 15.00 às 18.30 h.
-p/ jovens de outras escolas e outras zonas do Porto, as inscrições são no GRALL da Vitória / Miragaia ( sede da Terra Viva! do projecto “FAZER CAMINHOS / REGRALL” (do Programa ESCOLHAS 2ª GERAÇÃO)

1ª ETAPA: Fever..-Março:”Auto-organização da Equipa”;
2ª ETAPA: Abril-Jun.:”A Equipa em acção”;
3ª ETAPA:Jul.- Out..:”A Equipa e o Mundo”

-em cada etapa do Concurso há diversas actividades –expedições“no mato”, jogos, acampamentos, oficinas,( ambiente, artesa- nato, equipamento de ar livre e aventura, história-viva, informática, jornal, teatro ) e coisas novas apreendidas na escola (ou noutros lados) e atitudes em relação aos Outros ( solidariedade e entre-ajuda ) e à Terra que darão PONTUAÇÃO às Equipas.

+ INFORMAÇÕES (COORDENAÇÃO DO CONCURSO): 22 3324001 / 967 694 816 / 963001507

Publicado por terraviva às 03:37 PM | Comentários (177)

fevereiro 16, 2006

A ameaça da escalada

Do aquecimento ao sobreaquecimento pode não haver mais que um passo. Pois o ano que agora acabou talvez não fique muito tempo nos anais unicamente pelos seus picos de calor planetários. Começa a perfilar-se no horizonte um novo perigo: que o aquecimento se comece a alimentar de si mesmo, isto é, que ganhe embalo sozinho, a ponto de sair completamente das margens das previsões actualmente admitidas. Dito de outra forma, um círculo vicioso pode tomar conta da situação ou, em termos científicos, um conjunto de «retroacções positivas» mais ou menos numerosas. E essa eventualidade preocupa cada vez mais os climatólogos.

A ameaça da escalada
Por Yves Sciama


Ao modificar os equilíbrios naturais, o aquecimento global poderá alimentar-se de si mesmo. Até onde? É essa a questão…


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Do aquecimento ao sobreaquecimento pode não haver mais que um passo. Pois o ano que agora acabou talvez não fique muito tempo nos anais unicamente pelos seus picos de calor planetários. Começa a perfilar-se no horizonte um novo perigo: que o aquecimento se comece a alimentar de si mesmo, isto é, que ganhe embalo sozinho, a ponto de sair completamente das margens das previsões actualmente admitidas. Dito de outra forma, um círculo vicioso pode tomar conta da situação ou, em termos científicos, um conjunto de «retroacções positivas» mais ou menos numerosas. E essa eventualidade preocupa cada vez mais os climatólogos.
É que o dióxido de carbono e o metano da nossa atmosfera, para citar apenas os dois principais gases de efeito de estufa, não provêm somente das actividades humanas. São também produzidos, ou pelo contrário destruídos, por um grande número de processos naturais, cujo conjunto constitui o que chamamos o ciclo do carbono (ver imagem). Processos que o aquecimento climático vai modificar ao ganhar amplitude.

Duas fontes de emissões

Para compreender melhor este perigo, comparemos a atmosfera do nosso planeta com uma banheira que seria alimentada de gases com efeito de estufa (CO2, metano, protóxido de azoto, ozono…) por torneiras e que seria esvaziada por ralos. Com, no papel de torneira, por exemplo, os incêndios florestais e gases de escape dos carros, etc, e, no de ralo, o crescimento das florestas, a passagem do CO2 para o oceano, etc. Pois a nossa atmosfera tem uma particularidade: é que as suas torneiras e ralos (os climatólogos falam de fontes e poços) são muito numerosos e o seu débito está em constante variação, ou até mesmo a inverter-se. De momento, mesmo se as estimativas variam um pouco segundo os laboratórios, a nossa banheira (a atmosfera) está a encher-se rapidamente, porque rompemos o equilíbrio que a mantinha num nível relativamente estável desde há pelo menos 700 000 anos. Estamos a despejar nela anualmente 7 milhoes de toneladas (ou Gt, gigatoneladas) de carbono, via duas grandes torneiras. A principal delas, de onde cai um verdadeiro Niagara de carbono, é o nosso consumo desenfreado de hidrocarburantes (petróleo, gás natural e carvão), que liberta aproximadamente 6 Gt de carbono. A segunda é a desflorestação: de cada vez que cortamos uma floresta, uma parte do carbono contido nas árvores e solo é libertado na atmosfera. Daí 1 Gt suplementar.

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Dois «ralos» de evacuação

Este fluxo de carbono, note-se, não pára de aumentar: se nenhuma medida particular for tomada, terá duplicado daqui a cinquenta anos. Felizmente para a nossa banheira, há duas condutas naturais de evacuação para atenuar os efeitos: o primeiro leva directamente ao oceano (poço oceânico), o segundo às plantas (poço continental). Cada uma destas condutas faz desaparecer entre 1 e 2 Gt por ano – em conjunto, aliviam então a atmosfera de 50 a 60% das nossas emissões! O problema, para além da relativa incerteza sobre os números, é que a mudança climatérica tem grandes probabilidades de diminuir estas preciosas condutas de evacuação.
Este problema foi pouco tomado em conta nas estimativas de referência da actualidade, publicadas pelo GIEC em 2001 (ver artigo anterior). Ao concentrar-se no efeito «aquecedor» da quantidade acrescida de gases de efeito de estufa que iremos libertar, negligenciaram com efeito o impacto do novo clima na quantidade de carbono na atmosfera. Não se trata de simples esquecimento: na prática, estes fenómenos são extremamente difíceis de modelar de tão numerosos que são os mecanismos contraditórios que modelam os poços de carbono ou, para nos mantermos na analogia, que fazem variar o diâmetro dos canos dos ralos da banheira. É verdade que, até hoje, o principal mecanismo de retroacção foi-nos bastante favorável: o facto de injectar mais carbono na atmosfera fazia aumentar os poços. Assim, o CO2, tornado mais abundante, reentra mais facilmente no oceano, enquanto as plantas começam a crescer mais depressa desde há umas décadas, dopadas tanto pelo calor como pela disponibilidade do carbono. Mas eis que todos os modelos indicam que a humanidade comeu as reservas de pão nesse terreno e que outros processos chegam para fechar os canos.
Um exemplo? Tomemos a seca, dobrada pela canícula, que afectou a Europa em 2003. Um fenómeno raro que se vão tornar cada vez mais frequente. «Daqui a 2050, um verão como esse vai corresponder a uma verão médio, segundo os modelos, indicava recentemente Michel Déqué, modelizador da Méteo-France. E até ao fim do século, vai mesmo ser considerado um verão fresco!» Ora, em Setembro ultimo era publicado um estuo levado a cabo em 14 sitios europeus, da Finlândia à Espanha, que revelou que, aquando desse episódio, o conjunto do nosso continente libertou tanto carbono que passou do estatuto de poço, que o é habitualmente, ao de fonte. A água transbordou! O crescimento das florestas e vegetais praticamente se interrompeu sob o efeito do calor e da falta de água e é esse crescimento que «bombeia» o carbono atmosférico.

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Também a Europa é afectada

E outros mecanismos, nomeadamente os incêndios provocados pela seca, largaram CO2. Balanço? «0,5 Gt de carbono suplementar na atmosfera, o valor de quatro anos de armazenamento de carbono pelo ecossistema europeu», num só verão, escreve Philippe Ciais, do LSCE de Gif-sur-Yvette (Essonne, França), que analisou os resultados. Um resultado inquietante, comenta Denis Baldocchi, da universidade de Berkeley, Califórnia, mesmo sendo provável que as plantas se vão habituar pouco a pouco à seca e sofrerão menos da próxima vez… O que, de passagem, ainda complica mais as modelizações.
Uma coisa é certa: antes de 2003, a Europa fazia parte das zonas em que os climatológicos se julgavam ao abrigo dum tal fenómeno. Este resultado inesperado vem portanto agravar as suas inquietações que, até agora, incidiam sobretudo sobre duas outras partes do planeta de onde vastas quantidades de carbono se ameaçam escapar. Primeiro, as florestas tropicais (e nomeadamente a floresta amazónica) que parecem, segundo alguns modelos, seriamente ameaçadas por uma seca local. Ora, essas florestas contêm várias centenas de gigatoneladas de carbono: que estas tomem progressivamente o caminho da atmosfera agravaria consideravelmente a aquecimento. Não menos inquietante é o problema das turfeiras, esses solos muito espessos e ricos em matéria orgânica, pois cheios de água. De facto, a água abranda a decomposição das plantas mortas, que se afundam lentamente no solo, enquantro novas gerações vegetais crescem por cima delas, continuando a bombear o CO2 atmosférico. Existem assim algumas com até uma centena de metros de espessura. Ora, quando estas secam, a matéria orgânica decompõe-se rapidamente sob acção das bactérias e liberta uma grande parte do seu carbono.

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Em 2050, os continentes serão poços de CO2 muito fracos…

Encontram-se estes terrenos em certas regiões tropicais (contendo até 100 Gt de carbono) e, sobretudo, em superficies gigantescas nas partes setentrionais do nosso hemisfério, em zonas geladas que se vão rapidamente aquecer, segundo os modelos. Haveria nestes solos frios cerca de 400 Gt, que não chegarão à atmosfera dum dia para o outro, mas que poderão provocar muitos estragos. No final, segundo as modelizações muito respeitadas do Hardley Centre britânico, é de temer que os continentes, em 2050, não constituam mais que um poço muito fraco, e que esse poço se torne uma fonte desde 2100. Isto, evidentemente, na hipótese em que nada seria feito contra o aquecimento. Mas isso seria a catástrofe.
As novidades são um pouco melhores do lado dos poços oceânicos. «Hoje, o oceano absorve cerca de 30% das nossas emissões de carbono, mas tudo indica que esse numero só pode diminuir nas próximas décadas, mesmo se de momento essa baixa não parece ter começado», previne Laurent Bopp, do laboratório de ciências do clima e do ambiente de Gif-sur-Yvette. Vários fenómenos, agindo em sinergia, acabarão necessariamente por reduzir esse número. O primeiro é a saturação química: o CO2 consome, para se dissolver, iões CO32-; a sua rarefacção progressiva vai portanto abrandar a dissolução. E depois, há a redução da solubilidade provocada pelo aumento da temperatura: a física diz que a água quente contém menos CO2 que a água fria. «Estes dois efeitos são bem compreendidos e modelizados, estima Laurent Bopp. Mas temos mais dificuldades com o impacto das modificações da circulação oceânica no ciclo de carbono dos oceanos, que poderia contribuir para reduzir os poços.» De que se trata? Quando o CO2 penetra no mar, começa por ocupar a camada da superfície. Ora, esta camada vai, com o passar das décadas, misturar-se cada vez menos com o oceano profundo – fala-se de estratificação do oceano de superfície. É que uma água mais quente, e menos salgada devido ao aumento das chuvas, torna-se menos densa. Tem então tendência para ficar à superfície, sem se renovar, o que reduz a sua capacidade de absorção de CO2.
Os investigadores não arrancam menos os cabelos com as retroacções ligadas à biologia marinha. É preciso saber que o plâncton gera uma verdadeira «chuva de carbono» no oceano, constituída de dejectos orgânicos (cadáveres de animais marinhos, excrementos…) que caem para as profundezas e isolam duravelmente o seu carbono atmosférico. As mudanças em curso no oceano (aquecimento, acidificação pelo CO2…) irão modificar o fenómeno? E se sim, em que sentido? «A hipótese tinha sido colocada que as diatomeias (diatomées, no francês), essas grossas e relativamente pesadas algas unicelulares, poderiam ser substituídas por plâncton mais pequeno», indica Laurent Bopp, o que poderia modificar a absorção de carbono. «Portanto incorporámos este factor num modelo; ora, não resultou nenhuma modificação verdadeiramente perceptível…» Seja como for, conclui o investigador, «no estado actual de conhecimentos, com todos os fenómenos à mistura, prevemos uma redução, ligada à retroacção climática, de 10 a 30% do poço oceânico até 2100».
Este problema de retroacção, no seu conjunto, é tão mais preocupante quanto as incertezas sobre a sua amplitude são muito fortes – reflectindo a dificuldade dos investigadores em modelizar bem os comportamentos do ser vivo. Desde há alguns anos desenvolve-se aliás uma verdadeira mobilização científica sobre o assunto. Segundo Olivier Boucher, que dirige o grupo «clima, química e ecossistemas» do Hadley Centre britânico, sobre a vintena de modelos climáticos globais, «uma dezena esforça-se presentemente em representar estes fenómenos. E todos encontraram uma retroacção positiva, um reforço do aquecimento. Mas há um desacordo total sobre a sua amplitude. Certos modelos dão um aumento do carbono atmosférico de 20 partes por milhão (em cerca de 500), o que é negligenciável, enquanto outros encontram 200 ppm… o que é colossal.» Neste último caso, o aumento médio da temperatura global, em vez de ser de em volta de 4ºC, atingiria então… 5,5ºC em 2100! O que teria consequências incalculáveis. É o mesmo que dizer que, enquanto esperamos para saber mais sobre o diâmetro dos canos dos ralos, seria prudente começar a fechar as torneiras.

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In Science et vie nº 1061, Fevereiro de 2006
Artigo 2 de 3
Traduzido por DM

Publicado por terraviva às 04:54 PM | Comentários (28)

fevereiro 13, 2006

Carnaval 2006

Desenho com mascaradas de carnaval
Social, intercultural e ambiental

De 13 a 27 de FEVEREIRO - OFICINAS - Máscaras, Figurinos e Figurões (Oficinas de AMBIENTE, ARTESANATO, GRAFISMO, HISTÓRIA, INFORMÁTICA, MÚSICA, TEATRO, na nossa sede – Rua dos caldeireiros, 213, PORTO, a funcionar durante a semana, de tarde, e onde os jovens, crianças e familiares, elementos de associações e grupos amigos, prepararão connosco as máscaras, figurinos e figurões para o CARNAVAL INTERCULTURAL, SOCIAL E AMBIENTAL

TERÇA, 26 de FEVEREIRO- às 15.OO horas DESFILE DO CARNAVAL SOCIAL (locais e em trajecto a decidir em assembleia de democracia directa pelos próprios participantes)

Q U E NO C A R N A V A L N I N G U É M L E V A A M A L . . . M A S SE L E V A R Q U E SE V Á T R A T A R !

Publicado por terraviva às 07:29 PM | Comentários (17)

fevereiro 11, 2006

CLIMA: rompeu-se o equilíbrio

Por Yves Sciama

Desenho infantil com árvore e flor

Calor, ciclones... No ano passado, o clima conheceu uma actividade sem precedentes! E esta constatação apoia o consenso científico sobre o aquecimento global devido ao homem.

Nunca visto pela memória humana. Ano após ano, os recordes meteorológicos continuam a cair. E 2005, desse ponto de vista, deve ficar nos anais. Até agora, o recorde do ano mais quente, do século e meio desde que começou a haver registos de temperaturas, pertencia a 1998. Segundo a NASA, 2005 destronou-o, com perto de 0,6ºC de aquecimento global em relação ao período 1950-1980, em que a temperatura média era de 14ºC (outras estimativas davam a 2005 alguns centésimos de grau acima do recorde). E, logo a seguir a 1998, encontram-se no pódio 2002, 2003, 2004… E não é tudo. Pois 2005 foi igualmente um ano sem precedentes conhecido pela actividade ciclónica no Atlântico Norte. A tal ponto que a Organização meteorológica mundial (OMM) teve de estender a sua nomenclatura, demasiado estreita de tão numerosas que foram as tempestades tropicais. De facto, os ciclones são baptizados por uma letra do alfabeto latino tirada em ordem à medida que se formam ao longo do ano: assim, Brett seguiu-se a Arlene, etc. Ora, pela primeira vez, a letra W foi ultrapassada e foi necessário recorrer ao alfabeto grego e mesmo percorre-lo até à letra épsilon! Um acontecimento único até agora.

Outros recordes, desta vez com consequências dolorosas: o furacão Wilma, formado em Outubro ao largo da Jamaica, foi o mais intenso de todos os dos anais meteorológicos, enquanto o Katrina, em Agosto, mostrou ser a catástrofe natural mais dispendiosa da história. Desde 1945, a energia dissipada pelos ciclones subiu em 80%, revelava a revista Nature no Outono passado! Além disso, as principais companhias seguradoras (Munich Re, Swiss Re…) fizeram já saber que o ano 2005 leva o título de ano mais custoso em termos de estragos causados por catástrofes naturais meteorológicas, com uma factura a ultrapassar os 200 biliões de dólares. Enfim, nos antípodas de Nova Orleães, o banco de gelo Ártico bateu em Setembro de 2005 o seu recorde de superfície mais fraca desde a existência de dados de satélite, 1978, com apenas 5,18 milhoes de km2.

Cidade inundada

Os cenários inquietantes dos climatólogos verificam-se

Pergunta: estes recordes são uma coincidência ou serão a assinatura do aquecimento global? Sendo o clima por definição constituído por médias, geralmente calculadas em trinta anos, nenhum recorde por si só permite responder a essa questão: para um estatístico, um ano isolado é sempre um caso isolado. De resto, os especialistas advertem que mesmo uma década de temperaturas inabitualmente frias não justificaria mudar o diagnóstico climático. E no entanto! Tudo se passa como se a atmosfera tivesse um estranho prazer em seguir quase à letra os cenários alarmantes dos climatólogos. Estes prevêem, lembremo-nos, que a temperatura média do planeta se deverá elevar até 2100, entre 1,4 e 5,8ºC.

Como elemento-chave, os modelizadores anunciam um aumento de acontecimentos extremos (inundações, secas, tempestades, etc.) e ciclones mais violentos. No que diz respeito às precipitações, mesmo se os modelos são menos homogéneos que para as temperaturas, parecem estar de acordo em que as tendências actuais serão amplificadas: as zonas áridas vão secar, nomeadamente a bacia mediterrânica, enquanto as regiões de muita pluviosidade vão receber ainda mais água, via chuvas mais intensas. E, como por acaso, a Índia bateu os recordes de pluviometria neste ano, enquanto uma seca devastadora se abateu sobre o corno de África. Enfim, o nível do mar irá elevar-se de 20 a 80 cm, devido à dilatação da água sob o efeito do calor, e numa menor medida sob o efeito do derretimento dos gelos do planeta. Certamente, trata-se somente de cenários, e só o futuro julgará da sua pertinência. Quer isto dizer que é preciso pô-los em questão? Que mesmo no seio da comunidade científica provocam debate? Que nada liga os recordes constatados em 2005 à tese dum aquecimento global provocado pelo homem?

Hélice

A dúvida já não é permitida

Para saber mais, uma historiadora das ciências, da universidade de San Diego, Carolina, divertiu-se no ano paassado num pequeno exercício que teve honras de revista Science. Na base de dados ISI, que integra o essencial das revistas científicas com comité de releitura, Naomi Oreskes pesquisou pelas palavras-chave «aquecimento climático global». Resultado: 928 artigos, que passou a pente fino. O veredicto apareceu sem ambiguidades: 75% dos artigos aceitam explícita ou implicitamente a tese dum aquecimento climático provocado pelo homem, e 25% não dizem nada, sendo o seu assunto demasiado específico, como por exemplo os artigos de paleoclimatologia.

Mesmo se a amostra não é representativa da totalidade da literatura sobre o assunto, o elemento importante é que nenhum contesta a tese. Dito de outra forma, para os cientistas, não há agora duvidas de que as actividades humanas estão implicadas no desregulamento climático que percorre este pequeno planeta azul. A dizer a verdade, é a amplitude que, em alguns anos, se tornou edificante, apesar do que digam alguns «climatocépticos» americanos (como Michael Crichton). Pois nos anos 90, os relatórios que alertavam sobre o aquecimento planetário eram muito menos afirmativos sobre as suas causas. Uma prudência cientifica legítima que no entanto não impedia o Grupo intergovernamental sobre a evolução do clima (GIEC) de escrever já em 2001: «Há novas e fortes provas de que o essencial do aquecimento observado no decurso dos últimos cinquenta anos é imputável às actividades humanas.»

Ora, o GIEC, criado em 1988 pela Organização meteorológica mundial e o Programa das Nações Unidas para o ambiente, é justamente a expressão dum consenso científico, pois os seus relatórios, elaborados colectivamente pelo conjunto da comunidade climatológica, devem ser adoptados por unanimidade – e sempre o foram. Ainda há dúvidas? Mais recentemente, em Junho de 2005, as Academias de ciências de onze países tornaram público um comunicado comum. Junto com as de França, Japão, Alemanha, Reino Unido, figuram entre os signatários Academias de vários países com governos cépticos sobre os perigos do aquecimento, como os EUA e a Rússia, ou em todo o caso hostis à limitação das suas emissões: é o caso da Índia, China e Brasil.

Paisagem completamente gelada com a indicação de que se trata do ano 1922Paisagem parcialmente gelada com a indicação de que estamos nos dias de hoje

Que probabilidade do pior?

Este comunicado, intitulado «Uma reacção global para a alteração climática», retoma por seu lado o conjunto das conclusões do GIEC, atestando que cinco anos de pesquisas suplementares nada mais fizeram que as confirmar. Resta que é necessário o entendimento sobre o termo de consenso climatológico. O último relatório do GIEC tem vários milhares de páginas. Contém considerações relevantes da demografia, da química atmosférica, da oceanografia, da fisiologia vegetal, da paleoclimatologia, etc. Todos os investigadores de todas as disciplinas pensam a mesma coisa? É claro que não. Na realidade, como indica Olivier Boucher, chefe do grupo Clima, química e ecosistemas do Hadley Centre britânico, que foi um dos autores do relatório de 2001 do GIEC, «há coisas de que estamos certos, coisas de que estamos menos certos, e coisas muito incertas. A maneira como comunicamos esses graus de certeza/incerteza não é fácil. Há por vezes parte da média e/ou dos cientistas a passar em silêncio as incertezas e a concentrar-se no pior cenário. É preciso não negar o pior, mas acrescentar que a sua probabilidae é fraca.» Concretamente, só algumas constatações são certas: o planeta aqueceu perceptivelmente de há um século. Esse aquecimento vai acentuar-se. É principalmente imputável às emissões de gases de efeito de estufa resultantes de actividades humanas. Para evitar os perigos resultados de uma instabilidade climatérica grave, e para limitar os custos de adaptação, é preciso agir agora.


Gráfico com a evolução da temperatura da terra. Nos últimos anos vê-se um crescendo muito acentuado

Gerir a complexidade

Em troca, quando se abordam estimativas numéricas e detalhes dos processos, o consenso existe, mas torna-se relativo. É que, para o exprimir, é preciso introduzir as probabilidades, que o relatório do GIEC define em grande detalhe. E é aqui que as coisas se tornam complexas. Pois entre grau de confiança duma previsão e nível de compreensão dum fenómeno, os investigadores têm antes de tudo uma preocupação de exactidão. Uma preocupação que, in fine, explica a diferença de mais de 4ºC na previsão dada pelo GIEC: entre 1,4 e 5,8ºC de subida até 2100. E porque tem em conta um enorme número de fenómenos, desde a influência de gases «globais» como o dióxido de carbono ou o metano até às mudanças de radiação solar, a cobertura das nuvens, a ocupação dos solos, os traços de condensação dos aviões, etc. A incerteza sobre os efeitos dos gases de efeito de estufa globais aparece fraca, na ordem dos 10%. O que permite uma boa qualidade de previsão, pois constituem o essencial do aquecimento anunciado. Os outros processos são mais incertos (até, por vezes, 300%), mas o seu efeito no aquecimento é menor, e podem mesmo ser contraditórios entre si. Por exemplo, o ozono troposférico «aquece» (incerteza 43%) mais ou menos o mesmo que os aerossóis de sulfatos «arrefecem» (incerteza 200%). Estes processos mal conhecidos deveriam equilibrar-se… aproximadamente.

Resta que entre 1,4 e 5,8ºC a distância não é pequena: conforme nos colocamos num ou outro dos limites do intervalo, as consequências para o homem serão gestionáveis ou catastróficas. Pode esta incerteza ser reduzida substancialmente? «Não tenho a certeza que todos os cientistas dariam a mesma resposta, estima Hervé Le Treut, do Laboratório de meteorologia dinâmica, um dos principais modelizadores franceses. Mas o que é certo é que estamos longe de ter chegado ao fim do que sabemos fazer, a há ainda muitos dados já existentes ou a chegar para serem analisados. No entanto, é preciso admitir que estamos face a um sistema muito complexo, parcialmente caótico, onde nunca poderemos prever tudo.»

A influência que terá o aquecimento no número de catástrofes meteorológicas, por exemplo, revela-se particularmente difícil de avaliar. Em teoria, um clima mais quente deveria ser acompanhado por uma instabilidade maior e portanto dum risco mais elevado de eventos como canículas, inundações, tempestades, etc. O problema é que a maior parte destes fenómenos desenvolve-se em escalas relativamente pequenas e só se produzem de tempos a tempos. De rajada, os modelos actuais têm dificuldades em representá-los, nomeadamente porque os investigadores estão limitados pela potência de cálculo dos computadores de que dispõem.

Um simulador gigante para ajudar

No entanto, as coisas avançam rapidamente neste domínio. Os japoneses, em particular, montaram um computador gigante, chamado «Earth Simulator». «No seu lançamento, representava na prática um progresso de factor 1 000 em relação aos computadores presentes na maioria dos laboratórios, nota Hervé Le Treut. Ora, uma tal máquina permite quebrar uma parte da barreira de escalas e começar a representar alguns fenómenos extremos tais como tempestades, ciclones, etc. É um facto cientifico de monta dos últimos anos. Os japoneses estão no presente a rodar um modelo global – imperfeito, é certo – com uma resolução de 3,5 km! O que dá um luxo de detalhes inimaginável.» Se os modelos nunca serão uma bola de cristal, colam-se no entanto cada vez mais à realidade. E são mesmo eles que nos podem dizer o que nos espera… e o que é possível fazer para evitar o pior.

Para saber mais:
http://www.ipcc.ch/
http://www.wmo.ch/
http://data.giss.nasa.gov/gistemp/2005/


In Science et vie nº 1061, Fevereiro de 2006
Artigo 1 de 3
Traduzido por DM

Publicado por terraviva às 01:55 PM | Comentários (4)

A OMC quer mandar no que comemos

Desenvolvimentos da guerra económica à volta da alimentação:

A OMC (Organização Mundial do Comércio) quer mandar no que comemos

LF

Publicado por terraviva às 01:30 PM | Comentários (0)

fevereiro 08, 2006

Furacões no Golfo do México: Oscilação ou tendência?

Fonte: O gráfico é do "Los Angeles Times" e mostra a época de furacões de origem no oceano Atlantico desde à décadas até aos dias de hoje. A pergunta que deixa é, serão o Katrina e o Rita parte de uma oscilação ciclíca climática ou parte de uma tendência de tempestades devastadoras fortalecida pelo aquecimento global?

Gráfico da evolução do número de furacões, da temperatura da água e do cíclo das tempestades nos últimos tempos
carregar na imagem para ver com pormenor


via O Pico do Petróleo

LF

Publicado por terraviva às 01:13 PM | Comentários (5)

fevereiro 03, 2006

Lembrar o Porto do 3 de Fevereiro de 1927

Revolucionári@s em trincheira - esquina da 31 Janeiro com a Santa Catarina
Revolucionári@s em trincheira - esquina da 31 Janeiro com a Santa Catarina

Sabiam que...

- a 3 de Fevereiro de 1927, no Porto, se verificou o primeiro levantamento armado popular e militar contra a ditadura do «Estado Novo» e que @s revolucionári@s tiveram o Porto na mão?

- o Porto foi bombardeado de Gaia, a tiro de canhão, pelas tropas da ditadura vindas de Lisboa?

- ao contrário dos oficiais republicanos revoltosos, @s civís - entre el@s @s anarco-sindicalistas da antiga CGT (Confederação Geral do Trabalho) - queriam tomar as baterias da Serra do Pilar e do Monte da Virgem à baioneta?

- os oficiais republicanos, assustados, acabaram por se render às tropas da ditadura e que quem se lixou foram @s trabalhador@s revolucionári@s - fuzilad@s ou deportad@s para as prisões de Angola e Moçambique?

- se tivessem atacado as baterias em Gaia poderiam ter sido evitados quase 50 anos de ditadura salazarista?

8 presentes no 3 de Fevereiro
Presentes!

Para que as brumas não encubram a memória do Porto Libertário

Por tudo isto convidamo-vos a:

* Uma visita guiada pela "Trilha Histórica do 3 de Fevereiro de 1927"
(próximo Sábado de manhã, encontro às 10:30h na nossa sede)

* Sessão de informação e debate aberto: "O 3 de Fevereiro no Porto: os seus heróis e os seus traidores"
(às 21:30h na nossa sede)

Rua dos Caldeireiros, n.º 213

Organização:
Oficina de História Viva do nosso projecto "Fazer Caminhos / REGRALL" (no âmbito do Programa Escolhas 2ª Geração).
Grupo de Trabalho de História Social do Terra Viva! / Terra Vivente - Associação de Ecologia Social

Publicado por terraviva às 04:42 PM | Comentários (7)

Travada central eléctrica no rio Ferreira

A mini-hídrica que agora passou à história era um projecto da empresa Sociedade Hidroeléctrica de Riba d'Ave, e tinha o singelo nome de "Aproveitamento Eléctrico das Azenhas das Oliveiras". Apresentado desta forma até parece qualquer coisa ecológica e desejável, mas na verdade o plano de construção não estava de acordo com o PDM de Valongo e afecta a Rede Natura.

O Rio Ferreira tem sido ao longo de muitos anos objecto de observação por activistas do Terra Viva!, que tem resultado em protestos e acções de sensibilização. Em 2001 lutava-se já contra a construção lesiva destas centrais energéticas em terreno do "Biótopo Corine" e da "Rede Natura 2000" (Alto do Castelo).

LF

Publicado por terraviva às 02:34 PM | Comentários (0)

Violência juvenil

Violência juvenil em Espanha em crescimento acelerado
Hugo Gonçalves, Correspondente em Madrid DN

Nos últimos dois meses, em Espanha, as agressões cometidas por adolescentes contra os sem-abrigo ou imigrantes repetiram-se nos motivos - simples diversão ou xenofobia - e aumentaram de número. Desde o início da década de 90 que os delitos realizados por menores têm vindo a crescer entre 1992 e 2002 as ocorrências registadas duplicaram, representando 11 por cento do total das queixas. Mas a agressão a um mendigo em Ayamonte, no início deste mês, e o caso de uma sem-abrigo queimada viva em Barcelona, em Dezembro, alertaram a opinião pública para a violência gratuita deste tipo de ataques.
(...) Os três rapazes - dois deles com 18 anos e um com 16 - foram capturados dias mais tarde. Um adolescente, que os tinha acompanhado em outras ocasiões, disse "Sabia que podia acabar assim", referindo-se aos meses em que agrediram e roubaram mendigos e imigrantes apenas para se divertirem, gravando tudo com as câmaras dos seus telemóveis. "O que eles mais gostavam era de mijar-lhes em cima." Depois iam para um cibercafé e, usando a tecnologia dos seus telemóveis, distribuíam as imagens pelos amigos através da Net.
Nas primeiras três semanas de 2006, em Valladolid, um grupo de rapazes encarapuçados marcou suásticas, com um objecto cortante, em três raparigas, desenhando-lhes o símbolo nazi nas nádegas ou nas costas.

Ócio e falta dos pais
Segundo os especialistas que têm estudado o assunto (ver entrevista), a violência gratuita, enquanto diversão e filmada em telemóveis, surge como resultado da ausência dos pais, do excesso do tempo de ócio, da cultura permissiva, dos habituais mecanismos de afirmação entre jovens, que costumam definir a sua personalidade por oposição aos adultos através de actos de rebeldia, embora agora com outros instrumentos - telemóveis, Internet. Os imigrantes e sem-abrigo são alvos fáceis e, para os jovens, inumanos, desnecessários, por isso susceptíveis de receberem castigos sem que isso origine culpa nos agressores. Numa reportagem recente da televisão Antena 3, vários adolescentes falavam da moda de, nos liceus espanhóis, se gravarem agressões a colegas, bem como a supresa do agredido. Depois distribuem o resultado entre amigos e riem-se. Mostraram ainda, com orgulho, a colecção de imagens que tiram da Internet, de acentuada violência, embora muitas vezes fabricadas (decapitações, explosões de cabeças) e que guardam nos telemóveis.
(...) Como quem aparece com um novo par de calças que só existe nos Estados Unidos ou é o melhor nas aulas de ginástica, os jovens entrevistados diziam que chegar à escola com novas imagens e dá-las aos amigos os fazia sentir poderosos e importantes.
(...) Numa entrevista ao jornal 20 Minutos, o pai de um dos jovens de Barcelona disse "Julgo que foi uma brincadeira que acabou em tragédia. Creio, no entanto, que estão conscientes do mal que fizeram. São miúdos modernos, de uma geração muito permissiva, que tiveram tudo. Talvez não tenhamos sido bons pais. O meu filho castigou-nos. Sinto-me um fracasso como pai."

via Vigilante Mordaz

LF

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fevereiro 02, 2006

Da Miséria nos Ambientes Subversivos

As Edições Antipáticas apresentam no próximo sábado no Espaço Musas, Porto, o livro «Da Miséria nos Ambientes Subversivos». Espera-se que o livro tenha capa preta e as prometidas 131 páginas revolucionárias.

«Mas a evasão não é mais que uma simples fuga: deixa intacta a prisão. O que ocorre fazer é uma deserção: uma fuga que destrua ao mesmo tempo a prisão inteira.»

Ficamos então à espera destas cinco simpáticas (e oxímoras) criaturas.

LF

Publicado por terraviva às 03:45 PM | Comentários (1)