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Entre o teu povo e o meu povo
há um ponto e há um traço.
O traço diz não se passa
o ponto via fechada.
E assim entre os povos todos
traço e ponto, ponto e traço.
Com tantos traços e pontos
o mapa é um telegrama.
Caminhando pela vida
vemos rios e montanhas
vemos selvas e desertos
mas nunca pontos nem traços.
Porque estas cosas não existem
apenas foram traçadas
Pra que a minha fome e a tua
fiquem sempre separadas.
(texto de uma canção latino-americana)
(do texto de convite para a Festa Sem Fronteiras)
LF
Publicado por terraviva às dezembro 17, 2005 01:34 PM
Belo! Assim, apetece seguir os traços do caminho-de-ferro até à festa!:)
Publicado por: E-clair às dezembro 17, 2005 02:58 PM
Seria óptimo se aparecesses! Estou com a expectativa que vai ser uma boa festa.
Publicado por: LF às dezembro 17, 2005 08:46 PM
bem metido, esse poema. aliás responde-me finalmente a uma pergunta que há muito trazia no espírito:
porque é que há pessoas que, sem motivo aparente, contam as histórias ao contrário e em vez de fomentar a união estimulam a desconfiança e o conflito entre companheiras? pois é - está na base mais primária da manutenção do poder pessoal.
dá sempre muito jeito traçar uma fronteira entre homens que partilham a mesma fome...
Publicado por: Anonymous às dezembro 22, 2005 02:20 PM
Talvez por falhas na comunicação entre elas, talvez porque a confiança por vezes é embotada por essas falhas, talvez porque não há estórias "ao contrário", há mas é diferentes formas de as interpretar...
Talvez porque a confiança é algo que se vai construindo e não nasce do nada, e que se tende constantemente a confirmar, talvez porque muitas vezes as tarefas são tantas e absorvem-nos de tal modo e somos tão poucos a partilhá-las que não sobra tempo para comunicar plenamente, talvez porque, ao contrário do que dizes, não dando jeito nenhum traçar fronteiras entre "gente que partilha a mesma fome"...não é um dado adquirido QUEM partilha a mesma fome... QUE FOME é essa (de "estrelato", de poder, de infinito, de libertação, de mundo livre?). Por isso não é assim tão fácil criar "grupos de afinidade"- porque essas afinidades não são algo apenas em volta de um mais ou menos vago ideário mas também em volta das formas de o aplicar, e de carácter, feitio, formas de reagir pessoais... Talvez também porque simplesmente nos enganamos e desconfiamos, talvez também porque não temos todos as mesmas experiências - cada um/a é um Mundo e não é fácil às vezes estabelecermos pontes entre nós.
Talvez também porque algumas pessoas levam a defesa do seu ego ao ponto de pensar que sabem o que não sabem e de falar sobre o que julgam saber - um exemplo bom disso é a tirada sobre o que seria o conhecimento livresco da minha pessoa sobre as "favelas"e outras misérias de cá, tanto de hoje como de ontem. E se a presunção e a àgua-benta não são formas de marcar fronteiras, o que são então? Não espero que nos entendamos todos sobre tudo. Que algumas pontes sejam feitas entre uns, e outras pontes, mais, entre outros - e que outras sejam mesmo impossíveis de fazer, é normal . Mas é difícil unirmo-nos, nem que seja puntualmente, com quem dá caneladas por debaixo da mesa enquanto nos sorri...E a "união" dos peixes na rede ou das galinhas no galinheiro não é propriamente estimulante!
É muito giro falar do "poder pessoal" dos que têem de fazer aquilo que os puntualistas não querem fazer: assegurar estruturas e a continuidade das actividades e dos projectos que se criam porque ...os puntualistas não se querem comprometer com esse tipo de responsabilidades.Bom, claro que estão no seu direito! Mas é muito giro falar de autogestão e depois querer-se aproveitar, sem grande comprometimento pessoal, daquilo que os outros fazem ...
E é na base deste tipo de experiências somadas ao longo dos tempos que se vão avaliando as novas pessoas que vão surgindo nos projectos e grupos.
Depois, temos afinidades com quem temos e não com quem quer à força (ou finja querer) que as tenhamos. Para além disso podemos puntualmente ter pontos de contacto...ou não podemos! Assim é a vida. Não há nada a fazer.
J.P.
Publicado por: J.P. às dezembro 23, 2005 08:19 PM
Jornal de Angola, Dezembro de 2005:
»O Ministério do Interior vai redobrar em 2006 as acções de contenção à imigração ilegal no país [...] de maneira a preservar o país da pilhagem dos seus recursos.
A revelação é do ministro do Interior, Osvaldo Serra Van-Dúnem, quando se dirigia ontem, em Luanda, aos responsáveis do seu pelouro na tradicional cerimónia de cumprimentos de fim-de-ano.
Segundo o governante, torna-se necessário combater a imigração ilegal que, de certa forma, desestabiliza a economia nacional.
“É necessário aumentar a eficácia no trabalho de contenção à imigração ilegal, de maneira a preservarmos o país da pilhagem dos seus recursos e contribuirmos para que os angolanos possam viver cada vez melhor”, disse.[...]»
http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=42441&Seccao=politica
O ministro do Interior angolano também deve ser neo-nazi!...
Se vocês gostam de ser totós, não queiram que o povo português o seja.
Publicado por: Zé Povinho às dezembro 24, 2005 02:02 AM
Como se houvesse paralelo entre a situação de qualquer país do chamado "3ºMundo" e outro/s da Europa e Norte-americanos!...
Claro que o ministro angolano não é neo-nazi, mas é nacionalista! Mas a diferença entre o nacionalismo de um Hitler, de um Franco, de um Mussolini, de um Salazar ou de um Le Pen e o nacionalismo, por exemplo de um africano, de um sul-americano, de um palestiniano ou de um basco ´e que o nacionalismo dos primeiros é o nacionalismo agressivo das nações dos outros ao passo que o nacionalismo dos segundos é o nacionalismo dos que se opõem aos imperialismos e aos neo-colonialismos!
Quanto ao tal ministro africano, decerto que ele é tão privilegiado em relação ao seu povo como todos os ministros, presidentes, gestores, deputados, etc... Não exprime portanto senão a opinião da sua própria classe social, a opinião da elite governante. Também há uns anos uns quantos bem engravatados e bem privilegiados gestores e patrões BASCOS afirmavam a razão do seu nacionalismo e desejo de independência relativamente à Espanha com o argumento de que NÃO ESTAVAM PARA PAGAR COM OS SEUS IMPOSTOS O DESEMPREGO NA ANDALUZIA!
Publicado por: Anonymous às dezembro 24, 2005 07:21 PM
Como se houvesse paralelo entre a situação de qualquer país do chamado "3ºMundo" e outro/s da Europa e Norte-americanos!...
Claro que o ministro angolano não é neo-nazi, mas é nacionalista! Mas a diferença entre o nacionalismo de um Hitler, de um Franco, de um Mussolini, de um Salazar ou de um Le Pen e o nacionalismo, por exemplo de um africano, de um sul-americano, de um palestiniano ou de um basco ´e que o nacionalismo dos primeiros é o nacionalismo agressivo das nações dos outros ao passo que o nacionalismo dos segundos é o nacionalismo dos que se opõem aos imperialismos e aos neo-colonialismos!
Quanto ao tal ministro africano, decerto que ele é tão privilegiado em relação ao seu povo como todos os ministros, presidentes, gestores, deputados, etc... Não exprime portanto senão a opinião da sua própria classe social, a opinião da elite governante. Também há uns anos uns quantos bem engravatados e bem privilegiados gestores e patrões BASCOS afirmavam a razão do seu nacionalismo e desejo de independência relativamente à Espanha com o argumento de que NÃO ESTAVAM PARA PAGAR COM OS SEUS IMPOSTOS O DESEMPREGO NA ANDALUZIA! Entretanto, amiúde, os trabalhadores bascos e de outras regiões de Espanha se solidarizavam uns com os outros.
Quer dizer, de um lado temos o nacionalismo estreito, o "patriotismo" e a vontade de independência -para melhor explorar o "seu " próprio povo. Por outro temos a internacionalização e a solidariedade dos explorados e excluídos do Mundo inteiro que todos os poderosos do Mundo, com o apoio de todos os nacionalistas e afins tentam sabotar - mostrando bem de que lado estão!
Ai dos poderosos de hoje e dos seus aparelhos de Estado, ai de todos os agentes das multinacionais e grandes empórios económicos de qualquer país SE os explorados do mundo inteiro
-a grande maioria dos imigrantes e dos excluídos nacionais - se unem contra os seus verdadeiros inimigos: os "Powermen" dos Estados e os Patrões de todo o planeta ! Ai deles!
Daí o papel importante de apoio para o Estado e o Patronato que os "nacionais-renovadores", que os "nacionais-revolucionários" e outros racistas ou racialistas cumprem, atiçando ódios nacionalistas e xenófobos para que os explorados "não saltem ao pescoço dos seus ladrões que nunca tiveram fome" (Brecht)!...
-E quer vocês queiram ou não, a REVOLUÇÃO MUNDIAL ,POPULAR ,SOCIAL E LIBERTÁRIA também vos há-de varrer! E´ questão de algumas décadas! Pois se ela falhou na Espanha de 36-39 também foi porque as relações de exploração não estavam tão internacionalisadas como hoje!
Quem tem medo da união dos trabalhadores e excluídos imigrantes com os "nacionais"?...
J.P.
Publicado por: Anonymous às dezembro 24, 2005 07:41 PM