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dezembro 04, 2005

Migrações e racismo

Cara branca do lado direito e negra do lado esquerdo com uma sequência de genes igualmente bicolor a atravessá-la ao meio

[…] nos últimos anos, pela primeira vez na história da humanidade mais de cem milhões de pessoas imigraram de uma parte do globo para outra. Este aumento exponencial na imigração deu origem a um aumento dramático do racismo e da xenofobia. Em França, o partido da Frente Nacional de extrema-direita liderado por LePen, encetou um ataque cerrado aos imigrantes, particularmente aos Muçulmanos oriundos das antigas colónias francesas. Na Alemanha, tem havido um aumento significativo de grupos neo-nazis que têm sido responsáveis por um número de ataques bombistas a casas de Gregos e Turcos. Os Turcos, por sua vez, foram não menos violentos contra os Curdos uma vez que arbitrariamente dizimaram centenas de vilas curdas matando mais de 30 mil pessoas e sentenciaram as restantes a uma vida de ‘meia cidadania’, à margem da sobrevivência, nos guetos. Na Áustria, Rússia e alguns países escandinavos verifica-se um aumento de anti-semitismo. Israel por seu lado, inflamado de um racismo incontrolável, tem vindo a aumentar a violência racista contra os Palestinianos para níveis inaceitáveis. Em Portugal, a discriminação e a segregação de Africanos oriundos das antigas colónias testemunham a desumana realidade dos bairros de lata que caracterizam os arredores da cidade de Lisboa. Níveis semelhantes de xenofobia podem também ser encontrados em Espanha onde Ciganos e imigrantes do Norte de África são um alvo constante. A violenta explosão contra os Norte Africanos na cidade de El Ejido onde 22 pessoas foram feridas, aponta para o aparecimento do racismo num país que sempre se considerou não-racista. [...]

Este é um excerto de "O Multiculturalismo para além do jugo do positivismo", um artigo de Donaldo Macedo da Universidade de Massachusetts, no início do ano passado. Já quase dois anos se passaram e a situação que ele descreve só se tem vindo a agravar. Infelizmente o estado espanhol não tem essa tradição não-racista que ele refere e portanto não nos podemos admirar com o que acontece nas suas fronteiras. Podemos sim, e devemos, é indignar-nos e agirmos contra isso.

(imagem tirada do Centro do Genoma Humano da Howard University)

LF

Publicado por terraviva às dezembro 4, 2005 08:58 PM

Comentários

Lembrei-me do prólogo de um dos meus livros favoritos, um dos mais marcantes que li:

I am an invisible man. (...) I am invisible, understand, simply because people refuse to see me. Like the bodiless heads you see sometimes in circus sideshows, it is as though I have been surrounded by mirrors of hard, distorting glass.

When they approach me they see only my surroundings, themselves, or figments of their imagination - indeed, everything and anything except me.

"Invisible Man", Ralph Ellison

Publicado por: E-clair às dezembro 8, 2005 12:04 PM

«Em França, o partido da Frente Nacional de extrema-direita liderado por LePen, encetou um ataque cerrado aos imigrantes»

Falso. A Frente Nacional não "ataca" imigrantes, apenas defende o melhor para a França. Naturalmente, a FN opõem-se à INVASÃO que tem sido a imigração maciça. Nenhum país sobrevive a uma alteração da população destas dimensões. É uma ilusão tremendamente irresponsável pensar que é natural que um país ver 5-10% da sua população alterada no espaço de uma ou duas gerações. Basta observar os níveis de barbárie que caracterizam a sociedade francesa actual. E a França não é um caso isolado...
Quem não entende as razões da Frente Nacional e de todos os outros partidos políticos anti-imigração ou é um inconsciente militante ou é intelectualmente desonesto.

Fartam-se de falar de "racismo" em Portugal e na Europa. Porque não falam de África. Se forem lá vão ver que não faltará quem vos cuspa na cara por serem brancos e quem vos mande para a vossa terra. Aliás, foi isso o que os africanos fizeram aos portugueses há apenas 30 anos atrás, matando milhares de civis.

Publicado por: Zé Povinho às dezembro 10, 2005 01:31 AM

Civis esses que submeteram à escravidão e ao terror milhões de famílias durante séculos, que mataram outros milhares durante as guerras da independência (já agora, não te oiço falar mal da nossa independência em relação a Espanha).
Esqueceste-te de acrescentar esses pormenores à tua magnífica demonstração de ignorância.

Publicado por: ha às dezembro 10, 2005 01:12 PM

«Civis esses que submeteram à escravidão e ao terror milhões de famílias durante séculos»

Depois o ignorante sou eu!...
A escravatura feita por Portugal não dependia da iniciativa de "civis" (privados), foi sempre, isso sim, um negócio estatal altamente controlado pela coroa portuguesa.
Todos os processos desencadeados por Portugal na construção e manutenção do seu império ultramarino - incluindo a escrvatura - foram mais ou menos dolorosos para os povos dominados. Nada de surpreendente existe no caso português, pois todos os processos de conquista envolvem o domínio, pela força, de um povo sobre outro. Utilizar moralmente acontecimentos históricos desenquadrados das realidades do seu tempo é um erro muito comum e desonesto. A realidade dos séculos XV-XVI está a anos luz da do sec. XX... Espero que seja capaz de se aperceber disso!
Nas ex-colónias, milhares de portugueses foram aterrorizados e mortos selvaticamente por serem brancos. E isto nos finais do sec. XX. Hoje, por toda a África registam-se atitudes de ódio aos europeus... e não é pelo que aconteceu nos sec. XV-XIX... Porque não falam disso?

E pergunto-lhe: Não estariam bem melhor os africanos se as potência europeias tivessem permanecido em África?... É que olhamos para África e vemos por todo o lado povos miseráveis dominados por caciques corruptos, incompetentes e desumanos ( bem piores que os exploradores europeus!!...)

Publicado por: Zé Povinho às dezembro 10, 2005 02:49 PM

Não basta falar em invasão e em barbárie senão contraponho com o envelhecimento da população e a criação de guetos e não se sai do sítio.

E não se trata de proibição rígida versus liberalização total. Se há políticas que já mostraram não funcionar são as proibicionistas e as semi-proibicionistas envergonhadas que os estados dos países ocidentais seguem actualmente.

Publicado por: LF às dezembro 11, 2005 08:19 PM

Uma coisa que ainda não pude verificar foi o número que é apresentado de cem milhões de migrantes. Temos esse dado no Terra Viva! mas não me lembrei de o ver. Parece-me um número bastante alto e isso pode ter a ver com o desmembramento da união soviética que fez com que, de repente, milhões de pessoas passassem a fazer parte dessa contabilidade sem sairem do sítio.

Publicado por: LF às dezembro 11, 2005 08:23 PM

cara E-clair, acho que nos dias que correm @s imigrantes são mais visíveis na nossa sociedade do que nós própri@s :|

Publicado por: LF às dezembro 11, 2005 08:27 PM

«não se trata de proibição rígida versus liberalização total.»

Finalmente, alguma sensatez.

«Se há políticas que já mostraram não funcionar são as proibicionistas e as semi-proibicionistas envergonhadas que os estados dos países ocidentais seguem actualmente.»

Como classificam a política de imigração em Portugal?
Proibicionista? semi-proibicionista?
É que, neste nosso país de pouca riqueza, nos últimos 30 anos entrou mais de meio milhão de imigrantes. Com uma política equilibrada quantos devem entrar? Um milhão? Dois? Três?

Publicado por: Zé Povinho às dezembro 11, 2005 11:59 PM

LF,
Não sei se entendi...
O Ellison refere um tipo muito "conspícuo" de invisibilidade provocada pela cegueira de quem olha e pensa que vê...

Publicado por: E-clair às dezembro 12, 2005 01:24 AM

Disse aquilo por causa de toda a exposição mediática que os problemas relacionados com a imigração têm tido. No fundo isso também é (e molda) a forma como a sociedade vê @s imigrantes.

Publicado por: LF às dezembro 12, 2005 02:01 AM

zé povinho,

E com esse meio milhão que entrou o que se alterou demograficamente em portugal de significativo?
E não te iludas. Não sou a favor de barreiras fictícias impostas politicamente. Simplesmente acho que neste momento o problema não se põe nesses termos.

"Com uma política equilibrada quantos devem entrar? Um milhão? Dois? Três?"

O equilíbrio está em não tratar as pessoas como números. A mentalidade da quantificação faz-nos pensar nelas em termos meramente económicos. De um lado os números de quem fala na catástrofe da invasão estrangeira. Do outro, a hipocrisia dos políticos a falarem dos benefícios para a economia do trabalho imigrante e das suas contribuições para salvar a segurança social.

Publicado por: LF às dezembro 12, 2005 02:52 AM

Não se justifica ser racionalista se nós estamos num país onde todos somos decendentes de negros, onde nossa cultura vem do índio.Onde tudo no mundo onde quer que vá, sempre vai haver racismo no mundo!!!!

Publicado por: Paulo Robson às janeiro 4, 2006 05:32 PM

Paulo Robson,

pelo menos o racionalismo economicista não!

não acho que a solidariedade e a igualdade tenham alguma coisa de irracional :)

Publicado por: LF às janeiro 5, 2006 07:46 PM

estou faxendu um trabalho sobre issu q sacu!!!

Publicado por: marcella às julho 4, 2006 01:43 AM

país mais falso mais racista do mundo

Publicado por: manuel às fevereiro 28, 2008 08:46 AM

ai ai, ¬¬'

Publicado por: * Paamy. (: às maio 19, 2008 10:57 PM

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