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novembro 21, 2005

Publicidade

"Estamos de tal modo mergulhados neste funcionamento da economia que ele nos parece natural e racional. Não se pode, contudo, esquecer que a economia tem por vocação primeira responder a necessidades e não provocá-las. A luta contra a escassez continua a ser, nas próprias palavras dos economistas, a sua única finalidade. O desenvolvimento de actividades que, como a publicidade, têm por objectivo criar novas necessidades constitui assim, num certo sentido, uma desnaturação da racionalidade fundamental da economia. Passando de um certo estádio de desenvolvimento, a economia só pode crescer ao preço de uma autonomização do desejo de consumir em relação às necessidades objectiváveis."

Perret, B. e Roustang, G. (1996). A economia contra a sociedade.
Lisboa, Instituto Piaget.

(citado no final de uma mensagem do PJP)
LF

Publicado por terraviva às novembro 21, 2005 11:41 AM

Comentários

O que é uma necessidade objectivável? Comida e abrigo? E que comida e que abrigo? É saber ler e escrever? É poder apreciar Bach numa aparelhagem ou ter o piano ou é conseguir ouvir os pássaros? É fazer caminhadas de contacto com a Natureza equipad@ com coisas da Coronel Tapioca? É ter acesso ao mundo virtual e saber por lá (cá) andar?

Publicado por: E-clair às novembro 26, 2005 06:45 PM

Não li o livro, mas parece-me que para o autor, uma necessidade objectivável é um necessidade que não é artificialmente criada pela publicidade. Engraçado, entrei num tal processo de afastamento crítico que às vezes sinto nojo quando a publicidade se impõe como objecto da minha atenção (que é exactamente o efeito contrário ao pretendido). Infelizmente, depois de ver/ouvir o laborioso anúncio, já não se pode evitar guardar esse lixo sensorial, nem que seja por momentos e inconscientemente.

Publicado por: LF às novembro 27, 2005 12:39 PM

Não acho que a publicidade "crie" nada... apenas aproveita necessidades-base como segurança, afecto, comida, abrigo, etc, para as recriar de uma forma "original" que desperte e: re-direccione desejos e necessidades fundamentais. é certo e sabido que o verniz X ultra-rápido dará beleza às unhas e por arrastamento às mãos e que mãos belas embelezam a mulher e que uma mulher bela é bem sucedida e feliz... a modelo escolhida é a prova viva disso. A distância da felicidade é apenas um verniz (ou um after-shave, ou um telemóvel...) que esperais????:))
Para mim, e agora mais a sério, definir o que é uma necessidade objectivável no mundo high tech em que vivemos torna-se todos os dias mais difícil... A "blogosfera" e os blogs serão necessidades objectiváveis? Não! Mas então... qual o sentido desta pequena conversa?

Publicado por: E-clair às novembro 28, 2005 11:34 AM

Eu hoje comprei a minha felicidade (mais concretamente, alguém a comprou e ma ofereceu) numa loja de um centro comercial :) Um CD e... voilá! Mas esta compra de felicidade e esta conversa internautica não estão bem dentro dos parâmetros das necessidades não objectiváveis. Pelo menos na minha concepção não são só as básicas que são objectiváveis. A sociabilidade e o prazer de ouvir uma boa música também o podem ser.

Publicado por: LF às novembro 30, 2005 12:48 PM

A sociabilidade e a música são necessidades muito objectiváveis e básicas para mim, a questão é como nos socializamos e como temos acesso à música... A Net já é uma necessidade objectivável no sentido em que veio revolucionar tremendamente a comunicação e tornou possível uma troca de ideias a um grau e velocidade impensáveis... pelo menos é o que me dizem;) Eu obedeço e até já escrevo "lol" ainda que só sorria interiormente e não faça ideia que "lol" signifique "laughing out loud".

Publicado por: E-clair às novembro 30, 2005 11:44 PM

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