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O fascismo é a oposição das liberdades individuais e por conseguinte também da liberdade de expressão. Por isso, partilho da preocupação que muita gente tem manifestado em querer ver preservado esse princípio que nos é tão caro. No entanto, as razões são diversas.
Tem-se falado em tolerar a manifestação fascista e homófoba em nome da liberdade de expressão. Diz-se que toda a gente tem o direito de manifestar a sua opinião. No entanto, no caso dos fascistas, tratam-se menos de opiniões do que de declarações de intenções. Basicamente, o que eles defendem é uma ameaça para muitos grupos de indivíduos: homossexuais, negros, imigrantes, judeus, etc. Preocupa-me que não se leve em conta a prática e o historial fascista, porque é isso que define se o que defendem é uma posição tolerável ou se é uma ameaça e uma agressão.
Ameaçar de morte o vizinho não é aceitável. Aterrorizar pessoas em plena rua por serem homossexuais também não.
LF
Publicado por terraviva às setembro 15, 2005 04:34 PM
Declaração de intenção... é isso mesmo! E mesmo que fossem "meras opiniões", que sociedade permite (dentro da lei!) que grupos organizados "opinem" insultos na via pública?...
Publicado por: E-clair às setembro 15, 2005 06:55 PM
Ameacar pessoas é crime. O que digo é que, por um lado nao podemos ter medo deles, e por outro lado é horrivel viver num mundo em que ninguem pode dar opinioes com medo de ofender o Padre Lereno, o Abominavel Cesar das Neves, ou algum dirigente desportivo do norte.
Alem de que e preferivel saber quem eles sao e onde é que andam. :-)
Acho que ja escrevi algures que aqui nos EUA ha uma organizacao que anda atras do KKK e cada vez que eles ameacam alguem processa-os e tira-lhes tudo: as sedes, as fotocopiadoras, as armas, os carros, os computadores e o dinheiro das quotas.
Publicado por: Filipe Castro às setembro 15, 2005 08:39 PM
O que eu acho que devia existir em Portugal eram leis MEDIEVAIS para crimes de odio (racismo, homofobia, intolerancia religiosa, etc.): a comecar em 30 anos na jaula, como acontece aqui nos estados mais civilizados (mais azuis, como se diz aqui).
Publicado por: Filipe Castro às setembro 15, 2005 08:42 PM
Ora aí está uma forma muito eficaz de manietar racistas. Deve dar trabalho mas também deve compensar :)
Publicado por: LF às setembro 15, 2005 08:47 PM
Filipe,
Não se trata de viver num país amordaçado e censurado mas de não autorizar uma manifestação cujo propósito é capitalizar estes tempos de maior crise económica e social, onde o medo começa a instalar-se... E, quanto mais se apontarem publicamente "outros" indesejáveis, diferentes, perigosos, corruptos daquilo que poderia ser Bom ... pior estamos. Regredimos para um nível perigoso. E não são meia-dúzia, os energúmenos, são muitos mais, embora não desfilem nem partilhem totalmente do ódio que caracteriza os "nacionalistas ferrenhos"...
Publicado por: E-clair às setembro 15, 2005 09:34 PM
O fascismo é a SUPRESSÃO
Publicado por: Zé P. às setembro 15, 2005 10:16 PM
O fascismo é a SUPRESSÃO de todas as liberdades, tanto individuais como colectivas (de associação, de reunião, etc.)- se puseres a "oposição" o texto fica confuso e sem sentido...
No resto, a não ser tratar-se da auto-defesa e de contracampanhas antiracistas e anti-xenófobas, atenção a que o "antifascismo" não nos faça esquecer a repressão e o autoritarismo dos democratas-oligárcas - vulgo"representocracia"-,e do capitalismo em geral. Pessoalmente continuo a achar que é desmontando os argumentos racistas, xenófobos, pseudo-históricos (olhemos por exemplo para o "grande democrata"-"orgânico",como eles diziam, Hermano Saraiva, olhemos para os livros do PIDE-mor Rosa Casaco , à venda na FNAC - e que diz que Salazar não era fascista, a PIDE/DGS era tudo boa rapaziada, etc).
Um abraço Zé
Publicado por: j.p. às setembro 15, 2005 10:32 PM
viva Zé,
realmente podia ter posto "o fascismo é a oposição ÀS liberdades individuais", ficaria mais correcto portuguesmente falando.
E sim, concordo em ter cuidado com o antifascismo e em dar primazia às campanhas antiracistas ou antixenófobas. A ver se conseguimos levar a nossa campanha antixenófoba adiante.
abração
Publicado por: LF às setembro 15, 2005 10:58 PM
O E-clair tem razão numa coisa, os energúmenos não são assim tão poucos. É muito fácil potenciar preconceitos adormecidos como se viu no caso do pseudo-arrastão.
Publicado por: LF às setembro 15, 2005 11:02 PM
Debate e lançamento da revista electrónica «O Comuneiro»:
«O estado actual do capitalismo e as alternativas históricas»
Com as participações de:
João Bernardo, professor e escritor
Ronaldo Fonseca, sociólogo e militante internacionalista
Ângelo Novo, ensaísta marxista
Faculdade de Letras da Universidade do Porto sala 106 (1ºpiso)
Dia 23 de Setembro, 21h
Um debate a assistir com atenção. Um debate a participar com perseverança revolucionária!
Apareçam!
Publicado por: JVA às setembro 16, 2005 01:10 PM
Na nossa Constituição está previsto que não são admitidos grupos políticos cujos ideais sejam xenófobos ou advoguem a tomada do poder pelo uso da força. Embora não esteja nada escrito nos estatutos das forças políticas que organizam esta manifestação, basta dar uma vista de olhos pelos blogues da malta daqueles lados. Eles não escondem as porcarias em que acreditam. Eu também penso que esta manifestação de extrema direita será um insulto à democracia. Mas quanto a estes grupos acredito que as autoridades devem lidar com eles com muita inteligência. Pelo que pude ver eles baseiam muito do seu discurso numa estratégia de vitimização. Dizem-se eternamente perseguidos pelo regime, que será uma "ditadura do politicamente correcto", dizem-se censurados. E com isso lá vão cativando mais alguns para as suas fileiras. Por isso há situações em que se deve pura e simplesmente acabar com partidos como se fez com o M.A.N há uns anos e há outras em que talvez seja melhor melhor mantê-los a uma distância vísivel. Como com o P.N.R. Mas custa saber que existem. Revolve as entranhas. Um abraço, nuno.
Publicado por: troblogdita às setembro 16, 2005 08:14 PM
Só para dizer que é A E-clair:)
Publicado por: E-clair às setembro 16, 2005 11:41 PM
O que é mais dramático no meio disto tudo é que entre os milhares e centenas de milhares que se dizem "de esquerda" por cá - e portanto antiracistas, antinacionalistas, antixenófobos, etc.- não se prepare nenhum movimento amplo de contra-manifestação. E que seja sempre o pessoal libertário e poucos mais, que, a exemplo do que se passou com a manif neo-nazi em Lisboa a seguir ao "arrastão" , apanha nas lonas da polícia de choque da democracia...que assim revela bem a sua aptidão para defender não "a democracia" -mesmo a que existe- mas os que em nome dos "direitos de cidadania" que ela, "democracia real(mente) existente, garante,os ideais da ditadura (perdão, da "democracia orgânica") salazarista (e outras) de antes do 25 de Abril... É caso para perguntar: onde está a "bófia de esquerda" que ainda há pouco tempo se manifestava nas ruas com a cara do "che" na camisola?!...E onde estão todos os outros "de esquerda"?...Talvez demasiado ocupados com a campanha dos seus partidos para as próximas eleições...?!
Também não deixa de ser interessante observar a prontidão com que, em nome da democracia real(mente)existente uma manifestação de militares contra as altas hierarquias militares seja proíbida prontamente pelo governo mas uma manifestação claramente pró-24 de Abril seja permitida! "Socialismo" assim cheira muito a nacional(-socialismo)!
Aos socialistas no poleiro actualmente seria bom lembrarem como é que tudo se passou na antiga república de Weimar da alemanha dos anos 20 e 30...
J.P.
Publicado por: Anonymous às setembro 16, 2005 11:46 PM
As minhas desculpas cara E-clair. Foi uma dedução precipitada depois de ler o texto de apresentação do Abre-surdo :)
Caro Nuno (troblogdita), a minha impressão quando naveguei nas águas fétidas da extrema-direita foi exactamente a mesma, usam a estratégia da vitimização e dizem-se censurados. O fórum online deles tem imensa gente o que se deve ao facto de ter sido feita publicidade nos telejornais em horário nobre. As adesões subiram em flecha. E não nos podemos esquecer das claques de futebol que espalham escritos fascistas por todo o país, exibem em directo os seus símbolos e são importantes meios de recrutamento. Tudo debaixo dos nossos narizes.
Também duvido que no PP tenham mudado substancialmente as simpatias salazaristas desde que há uns anos o jornal O Público, num inquérito, chegou à conclusão que andavam por volta dos 50%. Foi inclusive a razão para o Freitas sair do partido.
Publicado por: LF às setembro 17, 2005 03:22 AM
Vocês temem que a Democracia esteja em perigo devido a um punhado de nazis?
Não me façam rir!
Para mim, o que realmente preocupa são aqueles extremistas de esquerda que têm assento parlamentar. Estes sim têm poder e, como os outros, também são uns fanáticos irrealistas.
Publicado por: Português às setembro 18, 2005 07:15 AM
A questão é que esses nazis têm as costas quentes e uma viragem para a extrema-direita nunca é de menosprezar. Estás esquecido dos resultados do Haider na Áustria, do Le Pen em França ou do facto da Força Itália estar no poder?
Quanto aos extremistas de esquerda, nós somos libertári@s, não somos de esquerda nem de direita e somos a favor da autoorganização e da autogestão e não de parlamentarismos quer sejam de esquerda ou de direita.
Publicado por: LF às setembro 18, 2005 03:47 PM