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setembro 30, 2005
Eco-batedores
Curso de animadores / Guias de grupo / Voluntários
Programa REGRALL - Rede de Grupos de Ar Livre Locais (Eco-escutismo livre) da Terra Viva!
Maiores de 19 anos - com espírito de responsabilidade - ética social e ambiental - Preferível com alguma experiência anterior na animação de crianças e jovens.

Pós-laboral, quintas-feiras das 21 às 23 horas mais 2 fins de semana de campo (15-16, 29-30 Outubro)
Diploma de animador juvenil de ar livre e aventura REGRALL/Terra Viva!
Inscrições até 10 de Outubro - informações 967 694 816
Vitória
- REGRALL/Terra Viva!, Terças e Quintas das 15 às 19:30 horas
- Junta de Freguesia da Vitória, Pr. Carlos Alberto, Segunda a Sexta das 14 às 17 horas
Sé
- Junta de Freguesia da Sé (à Batalha), de Segunda a Sexta das 14:30 às 17 horas
Campanhã
- Escola EB23 Ramalho Ortigão, de Segunda a Sexta de tarde, no Gabinete de Conflitos (D.ra Lídia Menezes)
- Junta de Freguesia da Campanhã, Pr. da Corujeira, de Segunda a Sexta das 14 às 17 horas
- Posto de Atendimento do B.º Lagarteiro, Bl.3, Quartas das 16 às 18 horas
No âmbito do nosso Projecto "Fazer Caminhos" do Programa Escolhas
Publicado por terraviva às 04:32 PM | Comentários (0)
setembro 28, 2005
Feminismo e Antimilitarismo

[...]
A guerra é a expressão máxima de uma lógica militarista que pretende controlar permanentemente as nossas vidas, baseando-se no poder da violência, na força da preponderância masculina. “Olho por olho, dente por dente”, a maior vítima das guerras é a população civil, isto é, as pessoas idosas, as crianças, as mulheres.
A situação das mulheres nas guerras é específica em função do lugar que ocupam nos sistemas de género. E as agressões de que são objecto nos conflitos bélicos não são casuais, ou seja, produto único da situação de guerra, mas sim fruto da consideração generalizada de que as mulheres ocupam uma posição subordinada na sociedade.
Deste modo, a violência exercida contra as mulheres durante as guerras pode ver-se como uma exacerbação do que para muitas mulheres é o seu quotidiano durante tempos de “paz”. Os corpos femininos convertem-se em autênticos campos de batalha durante os conflitos bélicos entre povos.
[...]
Mas falar de militarismo não se limita a falar-se de guerras, embora estas sejam a sua expressão máxima. O militarismo é algo muito mais amplo e complexo: é a lógica característica de sistemas sociais baseados na desigualdade, na hierarquia, na obediência, na disciplina, na exaltação da força, na submissão... a violência, ao fim e ao cabo, é o valor que rege as relações interpessoais e institucionais. Trata-se de uma lógica que estabelece relações de dominação entre povos, entre classes... mas também e sobretudo, entre géneros.
Assim, o antimilitarismo projecta-se não unicamente no movimento contrário às guerras, mas vai mais longe ao formular-se como forma de resistência à violência entendida de maneira estrutural, como valor sobre o qual assenta a nossa sociedade. E isto implica de forma muito clara a violência quotidiana -física e simbólica - que supõe o sistema patriarcal para as mulheres.
Patriarcado e militarismo são duas faces da mesma moeda, conceitos que se compartilham: (primazia da virilidade, lógica da violência). Com isto não se pretende afirmar que os homens sejam “por natureza” violentos e as mulheres pacíficas. É o sistema patriarcal que ao defini-los a “eles” enquanto homens, os faz duros, agressivos, não sentimentais... E a “elas”, enquanto mulheres deste sistema, submissas, afectivas, cuidadoras dos outros...
Além disso, impõe uma hierarquia: o racional sobre o emotivo, a competitividade sobre a solidariedade, a agressão sobre a afectividade, etc. Assim, a definição dos géneros dentro do sistema patriarcal impõe, por um lado a subordinação da mulher, por outro lado a lógica militarista como base das relações sociais.
[...]
A “paz” procurada pelo antimilitarismo persegue algo mais complexo que um mundo sem guerras. Pretende combater as raízes do militarismo, que estão tanto nas estruturas económicas, como no âmbito ideológico e cultural. É uma paz que inclui, de forma imprescindível a libertação da mulher. Como o feminismo luta por sociedades não violentas, no sentido amplo da palavra.
Excerto de um texto traduzido de “Mujeres preocupando”, Revista de Contra-informação feminista, nº3.
Maria Silva
Publicado por terraviva às 12:24 AM | Comentários (10)
setembro 26, 2005
De onde veio o racismo?
O racismo foi inventado pelos ricos para manter os trabalhadores divididos de forma a que eles não se unissem e derrubassem o capitalismo. O racismo originou-se com o sistema europeu de classes em que as pessoas apenas tinham peles pigmentadas se trabalhassem no exterior. Os ricos consideravam o trabalho manual o dever dos inferiores e por conseguinte viam qualquer um com as características de trabalhador como pertencendo a um estrato inferior. O termo “sangue azul” teve origem na possibilidade de se observar as veias das pessoas ricas através da sua pele pálida. As designações “cavalheiro”, “dama”, “de boa família” referem-se a uma pessoa criada para acreditar que o esforço físico é o trabalho dos inferiores. Os aristocratas criaram códigos de conduta rígidos de forma a excluir qualquer intruso dos privilégios que eles próprios desfrutavam.
O poder da classe dominante teve origem na posse da terra o que lhe deu o monopólio da produção de comida. O controlo da terra eventualmente conferiu-lhe influência sob o governo. O capitalismo originou-se com comerciantes e banqueiros que não possuíam terra mas compravam e vendiam os produtos a artesãos e a proprietários de terras. A invenção da industria possibilitou a estes comerciantes ultrapassar a riqueza dos proprietários de terras.
Quando os capitalistas começaram a dominar a economia aspiraram a viver como os fidalgos o que incluía o seu estatuto de classe. Os países europeus que exploraram o mundo justificaram a tomada da terra aos não-europeus baseando-se na intolerância religiosa ou cultural. Os aristocratas que acreditavam que os trabalhadores eram inferiores viam os povos “não-cristãos” ou de “cor”, que eles vendiam como escravos ou forçavam à pobreza e à fome ao roubar-lhes as terras, como menos que humanos (os pretos valiam 3/5 de uma pessoa na constituição dos EUA e os nativos americanos não contavam). Descobriram que poderiam usar os seus exércitos para forçar estas pessoas a viver com menos do que eles pagavam aos seus trabalhadores europeus, se dissessem aos trabalhadores europeus que os “de cor” apenas ficariam com o trabalho sujo que eles não queriam fazer.
tradução de um excerto de "Anarchist Guide to Fighting Racism"
Publicado por terraviva às 01:31 AM | Comentários (1353)
setembro 23, 2005
Imigração e Etnicidade - Vivências e Trajectórias de Mulheres em Portugal
O SOS Racismo acaba de lançar a publicação Imigração e Etnicidade - Vivências e Trajectórias de Mulheres em Portugal, que vai ser apresentada publicamente no dia 23 de Setembro, sexta feira, às 18h30 na FNAC do Chiado, em Lisboa, e que contará com as presenças de:
Marisa Gonçalves e Alexandra Figueiredo (Investigadoras no SOCIOUS
do Instituto Superior de Economia e Gestão)
Sara Duarte (Socióloga)
Maria Abranches (Investigadora no CIES do ISCTE)
Liliana Azevedo (SOS Racismo)
( in Introdução)
Quantas mulheres podem habitar uma mulher enquanto esta se desloca no território da imigração? Trabalhadora qualificada, trabalhadora sem qualificações, trabalhadora do sexo, operária nas fábricas, mulher a dias, empregada de mesa, empregada de balcão, militante pelos direitos humanos em organizações de imigrantes, professoras, advogadas, cidadã com documentos, cidadã sem documentos, mãe. Quantas confissões pode ter uma mulher? Religiões tradicionais, católica, ortodoxas, muçulmana, evangélicas, sem religião. Quantas orientações sexuais pode ter uma mulher? Heterossexual, bissexual, lésbica. Quantas nacionalidades, condições étnicas e culturais o corpo de uma mulher pode construir e suportar? Cigana, eslava, russa, ucraniana, croata, brasileira, africana, guineense, moçambicana, angolana, paquistanesa, indiana.
São muitas as condições no feminino e estão em constante construção. Imigração e etnicidade - vivências e trajectórias de mulheres em Portugal apresentado agora a público pelo SOS Racismo faz um recorte nas realidades das vivências no feminino e analisa a situação da mulher na condição do seu deslocamento no território da imigração (essa terra de ninguém e de todos e todas ao mesmo tempo) e reflecte
sobre os encontros e desencontros étnicos porque, assim como são várias as realidades, as mulheres também são muitas.
SOS RACISMO
Tel. 217552700
sosracis@esoterica.pt
www.sosracismo.pt
www.sosracismo.blogspot.com
LF
Publicado por terraviva às 11:49 AM | Comentários (66)
setembro 22, 2005
Massa Crítica

Hoje é o dia sem carros, um dia que traz ao pensamento uma série de graves problemas com que o planeta e a espécie humana se deparam actualmente. Os carros precisam de ser substituídos, não há como contornar esta realidade. Não basta alimentar as máquinas com energias menos poluentes (que deslocam simplesmente o centro poluidor para outro local), é preciso livrarmo-nos delas pelo espaço que ocupam, pelo trânsito que originam, pelo barulho que fazem, por todo o tempo que nos fazem perder, pelo estilo de vida sedentário para que contribuem, pela energia que despendem, pelas guerras que a procura dessa energia provoca, pelos acidentes que provocam, pelas pseudo-necessidades de deslocamento que criam, pelo assalto que fizeram ao centro das cidades expulsando as pessoas de lá.
A energia metabólica é a ideal para o dia-a-dia. Andar de bicicleta ou a pé. Os transportes públicos como recurso.
Sendo assim, deixo aqui a hiperligação para a página da bicicletada, a Massa Crítica portuguesa. Um movimento internacional... de bicicletas nas estradas.
LF
Publicado por terraviva às 05:55 PM | Comentários (467)
setembro 21, 2005
As aprovações de transgénicos na Europa
Desde Maio de 2004 foi aprovada por quatro vezes a utilização de organismos geneticamente modificados devido às profundas divisões sobre biotecnologia alimentar no seio da União Europeia. Quando é feito o pedido de utilização de um produto, este é inicialmente analisado pelos especialistas ambientais. Não havendo consenso na parte técnica a decisão passa para os ministros da UE. Se também estes não chegarem a acordo então é a comissão europeia que fica habilitada a dar a aprovação e desta forma enviesada lá se vai forçando a entrada destes produtos nocivos.
Ontem, mais uma vez os especialistas ambientais não chegaram a acordo quanto à proposta da pouco ética e agressiva Monsanto para introdução de milho transgénico na UE. A votação foi de 12 contra, 7 a favor, 5 abstenções e um estado que não votou por estar ausente.
LF
Publicado por terraviva às 10:59 AM | Comentários (2)
Ocupa, Sensibiliza, Utiliza
OSU e Pintar o 7 apresentam
"Ocupa, Sensibiliza, Utiliza"
em vídeo e tertúlia no dia 24
OSU significa Ocupa, Sensibiliza, Utiliza. Foi sob esse lema, a pensar nos espaços abandonados no tempo, nas cidades e no campo, que nasceu no Porto o colectivo OSU, no ano em que a cidade foi Capital Europeia da Cultura. Desde então, o OSU produziu três projectos, que correspondem a três curtas-metragens, que serão apresentadas ao público no próximo sábado, dia 24 de Setembro, no Círculo Católico de Operários do Porto (Rua Duque de Loulé, 202), em parceria com a associação Pintar o 7.
A sessão, sob o tema Ocupa, Sensibiliza, Utiliza, inclui um debate orientado pelo arquitecto Pulido Valente e pela escultora Susana Piteira, convidados para abordarem as perspectivas espaços privados/públicos e espaços rurais/urbanos, a partir da ideia abandono versus reabilitação.
Ocupa, Sensibiliza, Utiliza é de acesso livre e tem início às 21h30.
O primeiro projecto do Colectivo OSU, em 2001, teve por base um espaço privado devoluto do Porto, no qual realizou dois murais, alertando para a degradação do património edificado da cidade. Com o registo vídeo dos mesmos, foi concebida uma instalação inaugurada nos Sentidos Grátis 4.0.
Em 2003, o OSU quis tornar visível o espaço público e ocupar praças da cidade. Daí resultou uma vídeo-instalação em que o insólito e o quotidiano partilham a ocupação dos espaços públicos em constante procura de uma resposta de uso.
O mais recente projecto, “Linhas Paralelas”, foi produzido este ano e corresponde a um filme de ficção documental sobre o abandono versus reabilitação de pedreiras e ferrovias no eixo Estremoz – Vila Viçosa. Estreou em Agosto passado, em plena estação de Vila Viçosa.
CONTACTOS
Produções OSU
Rua da Agra do Amial 129, 4 dt.º 4200-022 Porto,
osu@portugalmail.pt
Tel./fax: 22 502 30 27
Tlm: 93 345 97 39
Publicado por terraviva às 10:53 AM | Comentários (173)
setembro 20, 2005
Semana da Mobilidade Retórica

Durante esta semana algumas câmaras municipais estão a desenvolver actividades tendo como tema a mobilidade. As mesmas que desde sempre apostam no automóvel como meio privilegiado de transporte. Mas que passam uma imagem progressista e ambiental @s mais distraíd@s, lá isso passam.
LF
Publicado por terraviva às 01:44 AM | Comentários (7)
setembro 18, 2005
Quem são os criminosos, afinal?

Não existe uma relação directa entre imigração e criminalidade. De facto esta relação só poderá ser explicada por causas terceiras. Como poderemos comparar índices de criminalidade quando esquecemos factores sociais que são tão diversos entre portugueses e imigrantes?
A pobreza, a exclusão social, a exploração laboral, as condições miseráveis em que as pessoas vivem e trabalham e muitos outros factores próprios de uma sociedade xenófoba, são realmente os principais motores de criminalidade.
Ora, isto é válido tanto para portugueses como para imigrantes. Não é a nacionalidade que torna as pessoas em criminosos. São antes estas condições de segregação social que podem levar as pessoas a agir de forma criminosa, quando muitas das vezes não se deparam com outra solução.
Independentemente da cor, da nacionalidade e do género, falamos de pessoas que sofrem, que são menos iguais do que outras, que têm menos direitos do que outras, que são escravizadas, literalmente, para sustentar uma elite parasitária. Portugueses ou imigrantes, temos em comum a mesma subordinação, a mesma luta pelos nossos direitos e o mesmo desejo de liberdade e igualdade.
Maria Silva
Publicado por terraviva às 04:30 PM | Comentários (5)
setembro 16, 2005
A fabricação do racismo

"Dois residentes caminhando com dificuldade pela água ao nível do peito após ENCONTRAREM pão e refrigerantes numa mercearia local..."

"Um jovem caminha com água ao nível do peito através da inundação após SAQUEAR uma mercearia..."
LF
Publicado por terraviva às 07:20 PM | Comentários (15)
setembro 15, 2005
Liberdade de expressão em perigo na manifestação da extrema-direita
O fascismo é a oposição das liberdades individuais e por conseguinte também da liberdade de expressão. Por isso, partilho da preocupação que muita gente tem manifestado em querer ver preservado esse princípio que nos é tão caro. No entanto, as razões são diversas.
Tem-se falado em tolerar a manifestação fascista e homófoba em nome da liberdade de expressão. Diz-se que toda a gente tem o direito de manifestar a sua opinião. No entanto, no caso dos fascistas, tratam-se menos de opiniões do que de declarações de intenções. Basicamente, o que eles defendem é uma ameaça para muitos grupos de indivíduos: homossexuais, negros, imigrantes, judeus, etc. Preocupa-me que não se leve em conta a prática e o historial fascista, porque é isso que define se o que defendem é uma posição tolerável ou se é uma ameaça e uma agressão.
Ameaçar de morte o vizinho não é aceitável. Aterrorizar pessoas em plena rua por serem homossexuais também não.
LF
Publicado por terraviva às 04:34 PM | Comentários (16)
NÃO À PRISÃO PERPÉTUA!

Campanha Internacional de Solidariedade com António Ferreira
António Ferreira de Jesus, 63 anos, está preso em Vale de Judeus há mais de 10 anos. Antes, porém, já havia tido outras condenações, sendo que, no total, já regista 42 anos de penas efectivamente cumpridas.
António é um filho da miséria e da desigualdade social. Sem nenhuma formação académica, começou a interessar-se pelo estudo dentro da prisão, tendo hoje uma formação teórica e humanística muito acima do nível médio do cidadão comum.
A leitura de várias obras e o contacto directo com a realidade prisional, fizeram de António um
cidadão esclarecido e preocupado socialmente, tornando-se protagonista activo de várias lutas pela justiça e pelos direitos de cidadania dos presos. Ele é hoje uma referência ética e cívica para os que não se deixam degradar pelo sistema, que não se atolam no lodaçal das drogas e dos tráficos, para os que não se vendem.
Ao mesmo tempo que concitou a admiração dos seus companheiros, António Ferreira foi sendo o alvo preferencial de alguns corruptos que se albergam sob a protecção do sistema prisional do Estado. O seu nome está associado a várias denúncias e é mesmo testemunha de processos judiciais envolvendo mortes suspeitas de detidos e actividades ilícitas de funcionários.
Pela sua verticalidade, pelo seu sentido de justiça e pela sua coragem, António já foi alvo de
tentativas (felizmente frustradas) para o liquidarem fisicamente.
Desde Junho passado, decorre uma campanha internacional para a sua libertação. E, para que tal ocorra, bastará que lhe seja efectuado o cúmulo jurídico das suas penas, ou que, em alternativa (e porque está a meio da pena), seja ouvido para efeitos de liberdade condicional.
O que não podemos permitir é que, por processos indirectos, o sistema faça impender sobre ele
uma pena de prisão perpétua encapotada.
António Ferreira nunca praticou actos crapulosos, não constituindo qualquer perigo para a
sociedade e a ordem pública. Lutar pela sua libertação é um acto de justiça e um dever cívico e moral!
CASAF - Colectivo de Apoio e Solidariedade a António Ferreira
Tlm: 918 510 058 . 968 142 023
E-mail: antferreira[arroba]mail.pt
LF
Publicado por terraviva às 12:51 AM | Comentários (3)
setembro 11, 2005
Democracia ou ditadura da maioria (numa perspectiva inter-espécie)
Em tempos em que a paranóia do terrorismo justifica qualquer desrespeito pelo indivíduo ou pela sua privacidade, e a ordem mundial vai completando o seu processo de transformação sob a manta democrática para um fascismo global, o papel da Democracia Representativa é exactamente privar o povo de qualquer poder. A democracia é uma utopia da humanidade. Chamam de democracia o uso e abuso de poder dos governantes diante da passividade dos cidadãos; a disciplina imposta pelo medo numa ordem policial mundial; a representação no poder de uma casta para salvaguardar os seus próprios interesses, com o pretexto de defender os interesses dos passivos cidadãos aos quais a democracia só lhes reservou o voto como direito; o extermínio dos outros animais pelo egoísmo e estupidez do ser humano; a tirania exercida por uma maioria sobre uma minoria ou sobre um indivíduo que não pensa como os demais; enfim, a ditadura imposta pela ideia do direito reservado por constituição a uma determinada concentração de ideias uniformes de obrigar o “resto” a se uniformizar também. Esse “resto” pode ser milhões, mas mesmo que fosse um só ser seria repugnante. Esse ser não é um produto, não é um número de série. Esse ser está vivo, tem desejos, sentimentos. Esse ser, por mais isolado que ele esteja, possui um universo dentro dele. Um universo de ideias, de pensamentos que ninguém tem o direito de interferir.
Juliano
Como já dizia Bakunin, a liberdade de um indivíduo não deve ter um limite, limite esse que supostamente se atinge quando se começa a liberdade de um outro indivíduo. Não! É absurdo, é anti-natural, anti-humano! A liberdade de um ser não deve mesmo ter limites. A liberdade de um ser vai de encontro com a de outro, e essas se mesclam, e formam uma avalanche, que vai de encontro com a liberdade de outro, e também se mesclam, e mais uma vez, e outra... Assim formar-se-á a liberdade colectiva, sem leis humanas, apenas leis naturais. Ora, um indivíduo só é realmente livre quando o seu pensamento também o for, por isso ele não precisa de ser uniformizado, porque toda a uniformização e generalização democrática são farsas, são superficiais. Não existem seres iguais, nunca poderá existir. O indivíduo que sonha em ser livre deve começar por libertar a sua mente em primeiro lugar. O indivíduo que, usufruindo de uma suposta liberdade condicionada à lei, desrespeita a convivência natural dos seres vivos, não está realmente livre. A lei não garante a liberdade, pelo contrário, só a condiciona. A disciplina imposta não garante ordem, só incentiva a desordem. É natural que um ser que tem um desejo seu proibido se esforce ainda mais para realizá-lo. A verdadeira liberdade só será possível quando todos os seres humanos aprenderem a viver juntos em harmonia e livres de imposições ou condições entre eles e os demais seres vivos. Enquanto, em vez de educação científica e incentivo de auto-aprendizagem, se criam sistemas de controle através de uma legislação estabelecida por um grupo de indivíduos, seja maioria ou minoria, os seres vivos se afastarão cada vez mais da liberdade. Fala-se muito em ordem mundial, e à anarquia reservam-lhe a desordem, o caos, mas tirem as polícias das ruas, as opressões majoritárias e as leis elitistas que condicionam a relação dos seres, e veremos no que realmente se fundamenta a ordem vigente, esta democracia, esta liberdade, que é uma ofensa ao seu significado real. Os seres vivos nasceram sem amos, livres de condições e imposições, e o seu estado natural é esse, e se ele fosse posto em prática hoje, resultaria em desordem, caos, desigualdade, escravidão... E é fácil saber porque. Não se trataria de anarquia, porque a anarquia não consiste apenas na liberdade física, nem na autonomia económica deliberada sem base sólida, sem condições palpáveis para a autogestão. Se trataria de um triste espectáculo de exposição da educação que a democracia oferece. Se trataria de se pôr em prática tudo o que a ordem mundial ensinou mas proibiu de exercer: olhe, mas não toque; toque, mas não prove; prove, mas não engula; engula, mas não digira; digira, mas não dejecte. E assim não se passaria nem pela etapa do olhar, porque é tudo imposto e controlado. São regras de convivência criadas pela mente negligente do ser humano, esse animal arrogante diante das outras espécies animadas. A anarquia não ensina a desordem, o caos, a anarquia é a aprendizagem racional, a compreensão da civilização, do natural, a postura coerente que aspira a mais profunda liberdade e igualdade. Uma sociedade anárquica não pode ser criada apenas com a liberdade física, mas com a liberdade mental. Até a liberdade económica, para ser a base de todas as liberdades, precisa partir de uma consciência libertadora, senão o indivíduo que possui essa liberdade não quererá permitir que o seu próximo também a tenha. A liberdade mental abre caminho para a colectivização da liberdade económica, e só colectivizada garantirá a igualdade e não se transformará num privilégio de uns tantos que tratariam rapidamente de reactivar o sistema capitalista. Um indivíduo livre fisicamente, mas que possui em sua mente ganância, superioridade e desrespeito pelo próximo, não é um indivíduo livre por completo, pois ele está aprisionado pela sua insana mentalidade. Enquanto um indivíduo sonhar com a liberdade, é porque ele de facto não é livre, mas o sonho cria asas que o conduzirão à busca dela. Enquanto um indivíduo não souber viver em harmonia com os outros seres diante da liberdade sem condições, é porque ele não aprendeu o que realmente significa liberdade. Foi-lhe tirada a liberdade desde o momento em que nasceu e, embora os seres tenham o instinto de serem livres, não se pode a esta altura dos tempos exercer a liberdade sem se ter uma concepção do que ela significa, porque o instintivo está ofuscado por padrões de convivência que desarticulam o sentido natural da vida. O indivíduo que vive do trabalho assalariado não é um indivíduo livre, porque ele está preso a um ciclo de escravatura e servidão; o indivíduo que extermina um outro ser vivo também não é livre, porque as outras espécies animadas também têm o instinto de liberdade, e devem ser vistos com os mesmos olhos com que se vêem os seres humanos, caso contrário estará se negando nas outras espécies os próprios instintos humanos. Os mesmos direitos naturais dos seres humanos devem ser preservados também nas outras espécies, porque privar um ser dos seus instintos naturais é uma atitude tirânica, e não libertadora. O grau de liberdade, que é um só, ou seja, não se chega à liberdade gradualmente (no momento em que se estiver em posição favorável para se conquistar a liberdade, se deve dar apenas um passo e conquistá-la de imediato, sem recorrer a etapas que só disfarçam a privação de impulsos naturais em prol de falsos representantes desejosos de serem os próximos verdugos das aspirações libertadoras), deve ser compreendido de igual forma entre todos os seres vivos, sem distinções de espécie. Enquanto não houver harmonia natural haverá lei, porque o ser humano a criará com a falsa perspectiva de que a lei vai garantir a ordem. As leis do ser humano existem há milénios e que ordem se garantiu? Que harmonia de convivência se criou? Esta democracia desrespeita o individualismo, e assim sendo, nunca será suficiente para a liberdade, porque a liberdade parte de cada indivíduo como um impulso natural, nunca como uma imposição. Porque a liberdade só será liberdade quando todos os seres vivos forem livres, livres de qualquer imposição, condição, e submissão de espécie. Enquanto for imposto a um ser vivo a vontade de outro, a liberdade será a utopia mais aspirada pelos seres que a mantém utópica, e acorrentada pelas leis democráticas.
Juliano
Publicado por terraviva às 10:25 PM | Comentários (1)
Como o mundo está a mudar

In pictures: How the world is changing
LF
Publicado por terraviva às 01:55 PM | Comentários (3)
Declaração de um colectivo anarquista do sul dos EUA sobre o desastre da Costa do Golfo
Já tem alguns dias mas penso que seja importante deixar aqui a visão libertária sobre o desatre de Nova Orleães. Apanhei o texto na página da F.A.L.A.
LF
Cerca de 20.000 pessoas foram abandonadas no Centro de Congressos de Nova Orleães, sem recursos e sem esquemas de salvamento antecipado. No mesmo momento, as unidades da Guarda Nacional equipadas com pistolas metralhadoras e com armaduras impedem as pessoas de retirar o alimento necessário de lugares onde ele iria se estragar e chamam a isso "guerra urbana". Sob o capitalismo, não existem desastres “naturais”; os desastres horríveis e inevitáveis são exacerbados pela actuação criminosa da classe no poder. São exemplo disso: a fome causada na Irlanda pelo escaravelho da batata no século XIX, e a fome causada na Somália no século XX, em que a comida era retirada por países como a Grã-Bretanha e os EUA , em vez de serem utilizadas para salvar a população faminta; os desastres mais recentes do furacão no Haiti pouco tempo depois do governo dos EUA terem derrubado o único governo que poderia ter distribuído alguma ajuda à população e substituí-o por uma junta militar; o tsunami de Dezembro passado, cujas consequências foram ainda piores pelo domínio desde há anos que o FMI e o Banco Mundial exerciam na região e resultou em severo sub-desenvolvimento; e agora a situação na Costa do Golfo.
Como é que a classe no poder contribuiu para este desastre? Tendo pleno conhecimento de que esta era a estação devastadora das tempestades e furacões, escolheram afundar no pântano do Iraque os 79 milhões de dólares destinados a reparar o sistema de diques antiquado. Além disso, embora soubessem de antemão que o furacão seria pelo menos de categoria 4, e que o sistema de diques não poderia suportar mais do que um de categoria 3, a classe no poder não investiu quaisquer recursos sérios em evacuar a cidade de Nova Orleães e cercanias à medida que a tempestade se aproximava (e os políticos ricaços têm a sem-vergonha de acusar as pessoas da classe trabalhadora de terem ficado despreocupadas na cidade)! Como referimos, a sua primeira prioridade foi de mobilizar unidades da guarda nacional, pesadamente armadas, que disparam sobre pessoas que estão meramente a tentar obter comida, em vez de trazer a ajuda necessária a cerca de 20.000 pessoas esfomeadas, no Centro de Congressos, que irão morrer se nada for feito (para não falar de outras pessoas em situações semelhantes espalhadas pela cidade). Os políticos continuam a mentir numa tentativa desesperada de salvar as suas carreiras, tornando cada vez mais claro que não se preocupam com as vidas das pessoas que abandonaram. Contrastam com aqueles as gentes comuns que, aos milhares, abriram as suas portas aos sobreviventes num gesto impressionante de solidariedade e de compaixão. Apesar do Estado apresentar-se como justificando a sua própria existência no seu papel de fornecer auxílio em caso de necessidade, mostrou de novo como as características do capitalismo interferem com a sua capacidade de fornecer um auxílio de qualquer natureza. A impressionante demonstração de ajuda mútua por parte do povo, confirma o argumento anarquista de que as pessoas podem realmente desenvolver uma sociedade sem estado, baseada no princípio “de cada um de acordo com as capacidades, para cada um de acordo com as necessidades”. Esperamos que esta sociedade se irá tornar uma realidade um dia mas, para já, declaramos a nossa solidariedade com aqueles que foram abandonados e, com a esperança de outros se juntem a nós, fazemos as seguintes reivindicações:
• Que o governo disponha imediatamente dos recursos necessários, tais como transporte e abrigo, em ordem a evacuar as pessoas da cidade e garantir que tenham instalações apropriadas até que seja possível regressarem aos seus lares ou instalarem-se noutros.
• Fim imediato aos ataques das unidades da guarda nacional e da polícia que atacam quem procura comida.
• Distribuição imediata de TODOS os bens necessários (água, comida, roupa, etc.) durante o processo de evacuação.
• Renúncia/demissão imediata e punição de todos os decisores que negligenciaram a responsabilidade de reparar os diques ou de coordenar a evacuação da cidade enquanto isso era possível, ou são responsáveis pelas unidades da polícia e guarda nacional atacarem quem “rouba” bens necessários.
• Não condenação para quaisquer que foram presos enquanto “roubavam” comida ou outro bem de primeira necessidade.
• Fim à oscilação do preço da gasolina que está afectar por todo o país as pessoas da classe operária, fixando os preços, se necessário.
• Auxílio adequado a todas as pessoas que desejam reconstruir as casas destruídas em consequência da negligência dos políticos capitalistas.
Solidariedade com as vítimas do desastre da Costa do Golfo! Solidariedade com aqueles que permanecem numa situação precária meses após o desastre do tsunami! Solidariedade para todos pelo mundo fora que perderam a família ou permanecem em campos de refugiados devido aos desastres que a classe no poder amplifica ou com as guerras que fabrica!
The Capital Terminus Collective
(Atlanta, GA)
Publicado por terraviva às 01:10 PM | Comentários (449)
setembro 08, 2005
O racismo e a xenofobia não são flor que se cheire
Gostam muito de dizer certos racistas e determinados xenófobos cá da terra, que as estrangeiras em portugal têm uma apetência especial pelo crime. Que a sua cultura e a sua herança hereditária são factores de marginalidade social e de incapacidade de adaptação. Gostam muito de o afirmar e com isso justificar o seu ódio ou desprezo por pessoas que consideram inferiores ou, quando muito, diferentes e portanto que não se devem misturar.
Por outro lado há quem afirme que o racismo e a xenofobia são atitudes baseadas na ignorância e no medo. Que não têm fundamento as ligações entre raças/imigração/estrangeiras com a criminalidade. Esta perspectiva é bem mais sensata pois assenta numa análise mais profunda da realidade. É o caso do estudo A Criminalidade de Estrangeiros em Portugal - Um Inquérito Científico que desmonta a argumentação xenófoba e ataca severamente os preconceitos racistas.
Deste estudo retiro o seguinte gráfico que mostra bem a deturpação a que os dados disponíveis estão sujeitos. Deturpação essa veiculada por pessoas mal-intencionadas, geralmente ligadas à extrema-direita.
Crimes por mil habitantes e percentagem de estrangeiros nos concelhos de portugal continental em 2001

Cada quadradinho é um concelho. No eixo horizontal vê-se a percentagem de estrangeiras por concelho. A grande maioria dos concelhos em portugal tem menos de 2% de estrangeiras. No eixo vertical vê-se o número de crimes por cada mil habitantes cuja maioria está em os 10 e os 30 crimes por cada mil habitantes no ano de 2001.
A primeira conclusão que se pode tirar é que não há uma variação significativa na criminalidade conforme aumenta o número de estrangeiras. Retirando o caso atípico do concelho de Albufeira a recta passaria inclusive a ter uma inclinação negativa.
Uma deturpação tipicamente xenófoba concluiria que de facto a recta sobe e isso prova que a criminalidade aumenta conforme aumenta o número de estrangeiras. Esta análise está errada já que não leva em consideração as condições de vida em Portugal. Foi isso que foi feito no estudo acima referido. Através dele ficamos a saber que "os estrangeiros superam os portugueses em termos de proporção de homens e de jovens, registando ainda maior proporção de solteiros, menor integração em núcleos familiares e menor religiosidade que os residentes nacionais". Têm mais habilitações escolares mas ocupam trabalhos com funções menos qualificadas. "Não apenas estão claramente mais dependentes do trabalho para ganhar a vida, como trabalham mais duro do que é legal exigir-se-lhes e fazem deslocações pendulares mais demoradas. Vivem, sem grande privacidade, em casas demasiado pequenas e lotadas, das quais não são proprietários e que pagam mais caras do que os portugueses."
Parece evidente que há uma desigualdade muito grande de condições sociais, com clara desvantagem para as estrangeiras. O percurso que leva à criminalidade está muito associado à existência ou não destas condições.
Continuando...
Imputáveis segundo a residência em convivência prisional e a posse ou não da nacionalidade portuguesa
| Residência em convivência prisional | Portugueses | Estrangeiros | ||
| N | % | N | % | |
| Quaisquer outros tipos de residências | 8.371.793 | 99,9 | 195.498 | 99,7 |
| Convivências prisionais | 7095 | 0,1 | 676 | 0,3 |
| TOTAL | 8.378.888 | 100 | 196.174 | 100 |
Se discriminarmos por nacionalidades vemos que o caso excepcional das colombianas (6%) faz subir bastante a percentagem do lado das estrangeiras. Seguem-se-lhe a grande distância as italianas com apenas 1% de reclusas e depois, muito perto umas das outras, as restantes nacionalidades.
Ao analisarmos estes dados é preciso ter em conta os crimes relacionados com tráfico de droga perpetrados muitas vezes não por imigrantes mas por pessoas que estão no país de passagem ou por períodos muito curtos. Evidentemente, não são estes os alvos preferenciais das hordas xenófobas.
(acho ridículo o eufemismo que foi arranjado para designar as prisões, com toda a brutalidade que elas implicam. Residência em convivência prisional? Chega a ser maléfico).
Tanto o gráfico como a tabela dão-nos informações que podem ser facilmente deturpadas. Basicamente é em números falaciosos e retirados do contexto que se tem apoiado a propaganda de extrema-direita. Com isso tem-se conseguido veicular ideias erradas nos meios de comunicação que se prestam de bom grado a esse papel. A influência desta propaganda na opinião pública é notória e suporta a manutenção de atitudes preconceituosas enraizadas no pensamento popular ao longo dos tempos.
LF
Publicado por terraviva às 12:56 PM | Comentários (65)
setembro 06, 2005
Passeio / Acampamento no Gerês

Aproveitando o convite de um outro projecto do E2G, o projecto "Lagarteiro e o Mundo", para uma visita ao Gerês de 15 jovens do nosso projecto - das freguesias de Campanhã, Miragaia e Vitória - amanhã, Quarta-feira 7 de Setembro, vamos aproveitar a boleia, descobrir no dia 7 alguns lugares interessantes do Gerês conjuntamente com os colegas do bairro do Lagarteiro e... ficar lá mais dois dias acampados (parque de campismo do Vidoeiro) para descobrir a natureza, fazer jogos de aventura, treinarmos os mais jovens.
Do programa fazem parte:
. Pic-nic conjunto perto da cascata de Leonte
. Descoberta da antiga estrada romana (Geira) e das lagoas do Rio Homem
. Visita ao Centro de Interpretação Ambiental do Parque Nacional da Peneda-Gerês
. Jogo de orientação com pistas, jogo de descoberta de árvores (pelo cheiro e pelo tacto)
. ...
Publicado por terraviva às 10:10 PM | Comentários (12)
setembro 01, 2005
Três quartos dos pobres do planeta dependem do ambiente para sobreviver

Uma organização internacional que descobriu o óbvio. O World Resources Institute apresentou um relatório que aponta o caminho da utilização sustentável dos recursos naturais como a melhor forma de lutar contra a pobreza. Ao mesmo tempo parece querer abrir os olhos em relação à forma como é feita a ajuda internacional, às tentativas de reformar o comércio internacional como forma de combate à pobreza, e o perdão da dívida externa como se não fossem os países do norte a terem uma tremenda dívida social e ecológica para com os países do hemisfério sul.
A minha esperança que esta gente possa vir a produzir alguma mudança é pouco menos que nenhuma. No entanto, seria bom que este posicionamento servisse para mudar as formas de luta da grande parte do movimento ambientalista e das organizações que lutam contra a pobreza, que continuam a fazer uma distinção suicida entre o que é ambiental e o que é social.
"O relatório critica o facto das organizações ambientalistas não lidarem com questões de pobreza e dos grupos de desenvolvimento não considerarem o ambiente."
Por outro lado, penso que devemos ficar apreensivas perante as afirmações deste alto executivo do banco mundial:
"Precisamos deixar de considerar o ambiente como um elemento passivo e passar a encará-lo como um elemento fundamental do processo de tomada de decisão para a comunidade local"
que mais engenhosos planos de rapina poderão ainda congeminar as mentes maquiavélicas das organizações que gerem o planeta?
LF
Publicado por terraviva às 12:54 PM | Comentários (74)
Breve apresentação do projecto ”Fazer Caminhos/REGRALL”
Esta é uma apresentação do projecto "Fazer Caminhos/REGRALL", promovido pelo Terra Viva!. Relata os seus antecedentes, o seu enquadramento ideológico e apresenta, em traços gerais, a sua situação actual. Foi escrito pelo coordenador do projecto para um seminário do Programa Escolhas.
LF
Breve apresentação do projecto ”Fazer Caminhos/REGRALL”
Partindo de referenciais teóricos heterodoxos, da ECOLOGIA SOCIAL – “estudo das interacções entre os ecossistemas e os sistemas sociais” – (Gudynas, Graciela Evia, Murray Bookchin) à EDUCAÇÃO POPULAR (Paulo Freire, Freinet), à ESCOLA NOVA (Francisco Ferrer), da visão crítica social e libertária do mundo actual (N. Chomsky, Proudhon, …) até ao Escutismo de Baden Powell, nasceu a inspiração para este projecto.
Partindo também da praxis da associação promotora – a Terra Viva! / Terra Vivente – Associação de Ecologia Social – que se vem dedicando nos últimos dez anos ao trabalho com jovens e crianças de meios sociais mais desfavorecidos do Porto e arredores, somando várias experiências interessantes entretanto acumuladas, nasceu o plano de actividades e a estrutura funcional deste projecto.
De algumas experiências de parcerias pontuais e contactos interinstitucionais dos últimos seis anos, nasceu em parte o Consórcio deste projecto.
Ao longo destes últimos oito meses de existência do “Fazer Caminhos/REGRALL”, temos acumulado também experiências, confirmações de certezas (sempre) relativas, revelações, algumas dúvidas… e cansaços – e eis o que queremos partilhar convosco.
Na designação do nosso projecto – “Fazer Caminhos / REGRALL” – estão implícitos tanto o “espírito” que nos orienta como em grande parte a estratégia e metodologias que adoptamos. “Fazer Caminhos” - porque não acreditamos em dogmas nem em “caminhos feitos” e acabados mas sim na ideia que nos deixou num poema o poeta António Machado (“… caminhante, não há caminho… Faz-se caminho caminhando”…). REGRALL – porque é neste programa interno da associação Terra Viva! que nos baseamos fazendo dele o eixo principal do nosso trabalho. A REGRALL – Rede de Grupos de Ar Livre Locais / Eco-escutismo livre – surgiu em meados dos anos 90 como forma de estruturarmos o trabalho de organização de grupos e actividades de ar livre com os mais novos. Para o fazermos deitámos mão ao que se afigurava como melhor estratégia educativa informal nos meios sociais mais carenciados onde desenvolvíamos actividades – nomeadamente nas freguesias de Paranhos, Sé, Gaia e Valongo. Falamos de “ESCUTISMO”, mas na nossa adaptação dele, laicizado, não-autoritário, melhor adaptado aos meios populares que tocávamos e tocamos e orientado para a criação de grupos locais através de parcerias, formais ou não, com associações populares de bairro e com escolas. Integrámos aqui um antigo projecto dos anos oitenta, os “Jovens Escuteiros Livres”, ligado a uma Comissão de Moradores, a uma Cooperativa e a uma escola, em Paranhos, mas também ligado à nossa associação – onde chegou a funcionar um grupo, na nossa antiga sede, no edifício da Cooperativa do Povo Portuense, no Porto.
E chamamos a isto ESCUTISMO porque efectivamente os seus elementos principais estão contidos naquele programa. A saber:
1 - “mística” da aventura e da Natureza; 2 - pedagogia do ar livre; 3 - metodologia do “aprender a fazer, fazendo”; 4 - plano de treino permanente virado para a aquisição de competências – práticas sobretudo; 4 - dinâmica de pequenos grupos autónomos (as “equipas” - constituídas dentro de cada grupo local – o GRALL-Grupo de ar livre local – por 4 a 6 jovens da mesma faixa etária, repartindo entre si vários “cargos” funcionais – secretário/a, guarda-material, arquivista, tesoureira/o, animador/a) – e vivendo experiências novas tanto nesta pequena comunidade como em interacção com as demais; 5 - Código ético – no nosso caso o “Código Eco-batedor”, um conjunto de atitudes e procedimentos práticos propostos a todos e virados sobretudo para os valores da defesa da Terra, da Liberdade, da Solidariedade, dos Direitos Humanos, da Paz, da validade e importância da diversidade e da complementaridade das diferenças, da intervenção cívica activa e da importância do Saber.
Partindo deste nosso programa, integrámos parte dele na ideia e prática do Projecto – nomeadamente nos bairros e escolas onde nos propusemos agir – e inclusivamente ultrapassámos já nesta área o nosso objectivo inicial -já que em lugar dos três novos grupos (Gr.ALL.s) propostos no Projecto – Escola EB23 Ramalho Ortigão, Vitória e Sé - surgiu também mais um grupo na Escola EB23 de Miragaia e outro extra escolar com crianças da freguesia de Miragaia –vizinha da da Vitória, onde temos a sede do Projecto e da associação, tendo até aqui sido sinalizados e envolvidos nas diversas actividades que desenvolvemos no âmbito do “Escolhas 2ª Geração” muito mais jovens do que o que prevíramos.
Também em termos meramente informais, novas parcerias se estão a desenvolver – uma com a Escola EB23 de Miragaia e outra com o internato – também de Miragaia – Colégio de São Miguel, tocando os mesmos grupos - alvo e faixas etárias variadas.
O nosso maior “handycap” na actualidade é o trabalho mais amplo e profundo com crianças e jovens de comunidades imigrantes, já que uma das entidades parceiras do Consórcio não se tem revelado tão activa e funcional nem envolvida nas actividades do Projecto quanto prevíramos inicialmente. Daí que, embora algumas crianças e jovens de etnia africana e de nacionalidade brasileira, sobretudo - além de alguns jovens de etnia calé - se envolvam pontualmente nas nossas actividades, provavelmente só no próximo mês, mediante novas parcerias com outras associações das comunidades imigrantes – que aqui no Porto, ao contrário de por exemplo em Lisboa, não abundam – e instituições anti racistas e de apoio aos imigrantes, possamos preencher esta lacuna.
De resto, também a vertente anti-racista e anti-xenófoba é parte integrante do nosso trabalho – até porque nalguns meios populares onde trabalhamos – sobretudo na Vitória e em Miragaia – têm surgido, entre algumas crianças sobretudo, algumas manifestações racistas e xenófobas que expressam em parte algumas inquietudes e equívocos que ressurgem nesses meios e que urge desconstruir.
De resto, o volume das nossas actividades de ar livre – sobretudo - e a procura da sua organização avulsa por parte de escolas e outras entidades das nossas áreas de intervenção, tem sido uma constante, confirmando-nos a certeza (relativa) da justeza das linhas mestras deste projecto. Mais recentemente, além do envolvimento dos nossos jovens “eco-batedores” dos novos Gr.ALL.s – da EB23 de Ramalho Ortigão, da EB23 de Miragaia, da Vitória e da freguesia de Miragaia, sobretudo – na campanha cívica-ambiental da defesa da Quinta Marques Gomes – local em que já desenvolvemos algumas actividades, em Gaia – levámos a efeito um acampamento de três dias, de aventura e sensibilização sócio-ambiental, com jovens finalistas de um curso do PETI da EB23 de Miragaia, entre os quais alguns da Sé e da Vitória – que se pretendem agora inscrever nos nossos cursos de animadores REGRALL.
Todo este trabalho, repartido por cinco locais diferentes do Porto, se por um lado é possível com os apoios logísticos dos parceiros formais (e informais) do Projecto, por outro obriga-nos a repensar urgentemente na necessidade de duplicar esforços para a formação de animadores/monitores voluntários entre os jovens dos vários locais, já que os recursos humanos se vêm revelado cada vez mais escassos para as dimensões do Projecto. E esta é outra preocupação que desejaríamos partilhar convosco, no âmbito do próximo encontro e no que se refere a “estratégias de sustentabilidade: participação dos jovens e mobilização das parcerias”.
Porto, 6 de Junho de 2005
Coordenador do Projecto”Fazer Caminhos/REGRALL”
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