« OCEANOS ÁCIDOS | Entrada | A indústria dos incêndios »

agosto 22, 2005

Pico do petróleo

Seguindo a sugestão do Luis Rocha deixada em comentário, fui ao seu blog e resolvi então transcrever a tradução que ele lá tinha da primeira parte do artigo da Wikipedia sobre o pico do petróleo (ou pico de Hubbert) e pelo caminho fiz-lhe umas adaptações.
O artigo original é bastante extenso e torna-se complicado traduzir tudo, mas algumas partes que ficaram por traduzir são muito interessantes, nomeadamente as implicações catastróficas do pico do petróleo e a secção sobre as alternativas ao petróleo convencional.

LF

Pico de Hubbert

A teoria do pico de Hubbert, também conhecida como pico do petróleo, é uma influente teoria sobre a taxa de extracção e depleção a longo prazo de petróleo convencional e de outros combustíveis fósseis. Prevê que a futura produção mundial petrolífera alcançará um pico e depois declinará rapidamente. O ano preciso será conhecido somente depois de passado o pico. Baseadas em dados disponíveis sobre a produção, diferentes propostas previram o ano do pico como sendo em 1989, 1995, 1995 e 2000, ou, de acordo com a Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás (ASPO - Association for the Study of Peak Oil and Gas), 2007 para o petróleo e um tanto mais tarde para o gás natural. Isto pode conduzir a enormes consequências económicas para o mundo já que a civilização moderna depende de combustíveis fósseis baratos e abundantes, especialmente para os transportes, produção de comida, processos químicos industriais, tratamento de água, aquecimento doméstico e geração de energia. A teoria do pico de Hubbert deve o seu nome ao geofísico M. King Hubbert, que previu correctamente o pico da produção de petróleo nos EUA com 15 anos de avanço. Embora controversa, a teoria vai ganhando influência nos decisores de políticas dos governos e da indústria do petróleo. Actualmente, raramente se debate se haverá ou não um pico, mas quando ocorrerá e qual a severidade dos efeitos posteriores. Mesmo os mais generosos relatórios corporativos estimam que as reservas de petróleo não duram mais que 100 anos.

A organização ASPO predisse que o pico do petróleo ocorrerá por volta de 2007
A organização ASPO predisse que o pico do petróleo ocorrerá por volta de 2007

A teoria de Hubbert

O petróleo e outros combustíveis fósseis são o resultado de processos geológicos no interior da terra. Os combustíveis fósseis foram criados quando matéria orgânica deteriorada foi comprimida no subsolo há milhões de anos atrás e atravessou determinadas alterações físico-químicas. O petróleo, tal como a generalidade das outras fontes e reservas de energia na terra (sendo a energia geotérmica, a energia das marés, e a energia nuclear notáveis excepções), é em última análise derivado do sol. Os combustíveis fósseis são energia solar armazenada e são recursos não renováveis - ou seja, existem em quantidade finita e as suas reservas não estão a ser repostas (pelo menos não a uma velocidade comparável àquela da sua extracção). Isto é verdade apesar da sua aparente abundância e da descoberta de reservas anteriormente desconhecidas.

Hubbert, um geofísico, criou um modelo matemático da extracção do petróleo que previu que a quantidade total de petróleo extraída ao longo do tempo seguiria uma curva logística (inicialmente a função logística tem um rápido crescimento, depois abranda até que acaba por parar). Isto implica que, a determinada altura, a taxa prevista de extracção do petróleo seria dada pela taxa de mudança da curva logística, que segue uma curva com a forma de um sino conhecida agora como a curva de Hubbert (ver a figura).

A curva de Hubbert é um modelo matemático da futura disponibilidade de petróleo
A curva de Hubbert é um modelo matemático da futura disponibilidade de petróleo.

Em 1956, Hubbert previu que a produção de petróleo no continente dos Estados Unidos teria o seu pico no início dos anos 70. A produção de petróleo nos Estados Unidos realmente teve o seu pico em 1970 e tem diminuído desde então. De acordo com o modelo de Hubbert, as reservas de petróleo dos Estados Unidos estarão esgotadas antes do fim do século XXI. A teoria do pico de Hubbert é mais frequentemente aplicada ao petróleo mas é aplicável a outros combustíveis fósseis tais como o gás natural, o carvão e petróleos não convencionais.

Dadas as informações sobre a produção de petróleo no passado, e exceptuando factores estranhos tais como a falta de procura, o modelo prevê a data da produção máxima para um campo de extracção de petróleo, múltiplos campos, ou para toda uma região. Este ponto máximo de extracção é referido como o pico. O período após o pico é referido como a depleção. O gráfico da taxa de produção de petróleo através do tempo para um único campo de petróleo segue uma curva em forma de sino: primeiro, um aumento lento e constante de produção; então, um aumento acentuado; de seguida mantém-se algum tempo no topo (o "pico"); depois, um declínio lento; finalmente, um declínio íngreme.

Quando uma reserva de petróleo é descoberta a produção inicialmente é pequena porque a infra-estrutura necessária não foi ainda completamente instalada. Assim que os poços são perfurados e estruturas mais eficientes são instaladas a produção de petróleo aumenta. A determinada altura, um pico de extracção que não pode ser excedido é atingido, mesmo com melhor tecnologia ou perfuração adicional. Após o pico, a produção de petróleo lenta mas progressivamente vai declinando. Ainda antes que um campo de petróleo esvazie, um outro ponto significativo é alcançado, quando é preciso mais energia para extrair, transportar e processar um barril de petróleo do que a quantidade de energia contida nesse barril. Nessa altura, não vale a pena extrair petróleo para produzir energia, e o campo deve ser abandonado. Os proponentes da teoria do pico de Hubbert defendem que isto é verdade independentemente do preço do petróleo. Este conceito é referido como a relação entre a energia extraída com a energia investida.

Previsão do Pico

A Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás foi fundada pelo geólogo Colin Campbell. Defende que o modelo de Hubbert está fundamentalmente correcto, e que o mundo enfrenta o ponto intermédio, ou máximo, da taxa de produção de petróleo global por volta de 2007, depois do qual o declínio da produção começa. Potencialmente, isto poderia levar a uma grave crise global no começo do século XXI. Os proponentes desta teoria apontam o facto da taxa de produção de uma percentagem crescente de campos de petróleo estar já a declinar. Os campos de petróleo grandes e de fácil exploração são provavelmente uma coisa do passado. Espera-se que o gás natural atinja o seu pico entre 2010 e 2020 (Bentley, 2002).

O aumento global da procura de petróleo devido ao crescimento populacional e ao aumento da prosperidade económica global aumenta a taxa de depleção do petróleo. Num ano recente, 25 mil milhões de barris de petróleo foram consumidos em todo o mundo, enquanto somente oito mil milhões de barris em reservas novas foram descobertos.

Em Março de 2005, a Agência Internacional da Energia projectou uma procura global anual de 84,3 milhões de barris por dia, o que significa mais de 30 mil milhões de barris anualmente. Isto faz com que o consumo seja igual à produção, não deixando nenhuma capacidade em criar excedentes. Mesmo que houvesse, durante algum tempo, reservas suficientes que pudessem dar resposta à crescente procura global, há um limite desconhecido para o aumento da capacidade de produção, mesmo havendo investimento adicional em estruturas de produção, de transporte e de refinamento do petróleo. Também em março de 2005, o ministro argelino da energia e minas afirmou que a OPEP alcançou o seu limite de produção de petróleo.

A frase "o fim do petróleo barato", descreve o resultado final previsto. Refere-se tanto aos aspectos financeiros como aos de eficiência energética (isto é, o preço aumentaria devido à escassez e à crescente ineficiência da sua produção). Quando a produção de petróleo começou no início do século XX, os maiores campos petrolíferos recuperavam 50 barris por cada barril gasto na extracção, transporte e refinamento do petróleo. Esta relação é geralmente chamada de Retorno Energético do Investimento (EROI ou EROEI - Energy Return on Investment). A relação torna-se crescentemente ineficiente com o tempo: actualmente, só são recuperados entre um e cinco barris por cada barril usado no processo de recuperação. A razão para este decréscimo na eficiência é que o petróleo torna-se mais difícil de extrair à medida que o campo vai sendo drenado. Quando esta relação alcança o ponto onde é preciso um barril para recuperar outro barril, o petróleo torna-se inútil como energia. Nessa altura, toda a energia usada para extrair o petróleo resultaria numa perca de energia líquida; a sociedade seria mais eficiente e ficaria melhor usando essa energia restante para outros fins. Possíveis excepções seriam processos que convertessem recursos abundantes mas com menos capacidade energética como o carvão, em fontes de energia mais capazes como o petróleo. Como seria de esperar em qualquer teoria que preveja escassezes futuras de combustível, o modelo de Hubbert tem ramificações políticas, económicas e de política internacional significativas.

Crítica

Poucos negariam que os combustíveis fósseis são finitos e que fontes de energia alternativa devem ser encontradas no futuro. Em vez disso, a maioria dos críticos prefere discutir que o pico não ocorrerá em breve e que a forma da curva do pico pode ser irregular e estendida em vez de uma curva logística acentuada.

Em 1971, Hubbert usou dados de estimativas elevadas e baixas das reservas de petróleo global para prever que a produção global teria o seu pico entre 1995 e 2000. Este pico não ocorreu. Contudo, deve-se ter em conta que outros eventos que ocorreram após a previsão de Hubbert podem ter atrasado o pico, especialmente a crise energética de 1973, na qual um fornecimento decrescente de petróleo resultou numa escassez e consequentemente num menor consumo. A crise energética de 1979 e o aumento e diminuição abruptas do preço do petróleo devido à guerra do Golfo tiveram efeitos similares embora menos dramáticos no fornecimento. Do lado da procura as recessões dos inícios dos anos 80 e 90 diminuíram a procura e o consumo de petróleo. Todos estes factores teoricamente atrasariam a ocorrência do pico.

As implicações do modelo são controversas. Alguns petro-economistas, tais como Michael Lynch, defendem que a curva de Hubbert com um pico afiado é inaplicável globalmente devido às diferenças nas reservas petrolíferas, investimento político e militar, à procura e aos acordos comerciais entre países e regiões.

O Observatório Geológico dos Estados Unidos (USGS - United States Gelogical Survey) calcula que há reservas suficientes de petróleo para continuar as taxas actuais de produção por 50 a 100 anos. Um estudo da USGS do ano 2000 sobre as reservas petrolíferas mundiais previu um possível pico na produção de petróleo por volta do ano 2037. Isso é contradito por um importante executivo da indústria petrolífera saudita que diz que a previsão do governo americano é "uma perigosa sobre-estimativa". Campbell defende que as estimativas da USGS são metodologicamente distorcidas. Um problema, por exemplo, é que os países da OPEP sobre-estimaram as suas reservas para obter maiores quotas e para evitar a crítica interna. O crescimento económico e populacional podem levar no futuro a um acrescido consumo de energia.

Além disso, a estimativa da USGS parece dever tanto a questões políticas como à pesquisa. De acordo com a Administração de Informação de Energia do Departamento de Energia dos EUA, "as estimativas são baseadas em considerações não técnicas que procuram justificar o crescimento do fornecimento nacional de forma a atingir os níveis anteriormente projectados para a procura" [Annual Energy Outlook 1998 With Projections to 2020]

Críticos tais como Leonardo Maugeri chamam a atenção que apoiantes do pico de Hubbert tais como Campbell, previram anteriormente um pico em 1989 e em 1995, baseando-se nos dados da produção de petróleo disponíveis nessa altura. Ele afirma que as diversas estimativas não levam em conta o petróleo não convencional [petróleo extraído sem recorrer aos poços tradicionais, por exemplo, o heavy oil (ou petróleo pesado), o petróleo polar, o petróleo do deep ocean offshore (oceano profundo), as areias betuminosas e os xistos asfálticos] apesar da disponibilidade destes recursos ser grande e o preço de extracção, apesar de ainda muito alto, estar a cair devido à melhoria da tecnologia. (O inconveniente desta posição é que as fontes pesadas do petróleo nunca serão tão lucrativas como as fontes leves actuais, tanto nas taxas de produção como nos ganhos da energia). Além disso, ele faz notar que a taxa da recuperação dos campos de petróleo existentes aumentou de cerca de 22% em 1980 para 35% nos dias de hoje devido às melhorias tecnológicas e prevê que esta tendência continuará. De acordo com Maugeri, a relação entre reservas conhecidas e a produção corrente melhorou constantemente, passando de 20 anos em 1948 a 35 anos em 1972 e alcançando aproximadamente 40 anos em 2003. Também de acordo com Maugeri, estas melhorias ocorreram mesmo com um baixo investimento em novas explorações e na melhoria da tecnologia devido aos baixos preços do petróleo durante os últimos 20 anos. Os actuais elevados preços do petróleo podem muito bem levar a um acréscimo no investimento (Maugeri, 2004).

De acordo com o professor James H. L. Lawler uma central modular que integrasse diversas tecnologias bem adequadas num novo sistema, poderia recuperar quase todo o petróleo deixado em recuperações anteriores, enquanto que com a actual recuperação económica, apenas metade ou menos está a ser recuperada por cada reservatório. Assim, as reservas mundiais de petróleo podem virtualmente duplicar de um só golpe. O seu processo promete uma taxa de recuperação para lá dos 95%, embora consumindo apenas cerca de 3% do total das reservas iniciais destinadas às necessidades energéticas operacionais. Assim sendo, quantidades massivas de petróleo adicionais poderiam vir de sítios já conhecidos.

Há muitas outras tentativas de prever a produção de petróleo. Um exemplo é que a produção global de petróleo convencional vai ter o seu pico algures entre 2020 e 2050, mas que a extracção é provável que aumente a uma taxa substancialmente mais lenta depois de 2020. Um aumento contínuo e rápido na produção de petróleo requer uma maior exploração de fontes não-convencionais (Greene, 2003).

Tal como em Junho de 2005, a OPEP admitiu que vai "lutar" para bombear petróleo suficiente para corresponder à pressão dos preços para o 4º trimestre do ano. Espera-se que o Verão e o Inverno de 2005 levarão os preços a um novo recorde; alguns diriam que este é um bom exemplo da procura começar a ultrapassar a oferta. Outros poderiam acusar as várias forças geopolíticas nas regiões onde o petróleo é produzido. Uma outra explicação para o crescente aumento dos preços do petróleo é que é um sinal de demasiado papel moeda e não de pouco petróleo. Nesta perspectiva, preços dramaticamente altos de todos os produtos e bens imóveis nos EUA, indicam inflação crescente.

LF

Publicado por terraviva às agosto 22, 2005 02:32 PM

Comentários

Parabéns pelo vosso blog e pelas restantes actividades. Aprovoveito para divulgar novo blog sobre ambiente e o concelho da Amadora.

AMBIENTALISTAS DA AMADORA
http://ambientalistasdaamadora.blogspot.com/

Publicado por: Ambientalistas da Amadora às agosto 22, 2005 03:13 PM

E fizeste muito bem, a minha tradução estava um bocado trapalhona. O que se deveu a usar um método pouco adequado para a tradução.

Dispõe sempre do meu blog. É muito encoragador para mim ver a informação rigorosa e credivel sobre esta questão tão importante do Pico do Petróleo estimular a consciência e o debate na comunidade ambientalista.

E de facto é uma questão que se enterlaça bastante com o Aquecimento Global e as Alterações Climáticas, sendo por isso natural o interesse daqueles que se interessam por ecologia e teem preocupações ecológicas.

Já é mais do que tempo para por questões ecológicas como as da sustentabilidade da sociedade na ordem do dia.

Saudações ecológicas
Luis Rocha

Publicado por: Luis Rocha às agosto 22, 2005 08:06 PM

Obrigado ao ambientalistas da amadora retribuindo o elogio e os votos de continuação do activismo.

caro Luis Rocha, o Terra Viva! é uma associação de Ecologia Social, portanto tem um âmbito muito mais lato que o do ambientalismo corrente. Não é estranha à nossa actividade a crítica dura ao modelo capitalista em que vivemos, nomeadamente no que diz respeito ao seu impacto social e ambiental.

um abraço

Publicado por: LF às agosto 23, 2005 12:41 AM

Eu sei e é mais uma razão para admirar a vossa acção e actividade. Sei que o Terra Viva! é uma associação de Ecologia social de tendência anarquista. E o vosso anti-capitalismo tem o meu total apoio pois também eu sou um militante e activista anti-capitalista só que sou de tendencia comunista (marxista-leninista). E sou um grande apoiante da união da intevenção ecológica com a social. Acho que é fundamental. E é uma pena que os comunistas ainda façam esta união de lutas no seu partido. Pois elas estão tão inter-relacionadas que no fundo são uma mesma luta.

Continuem o vosso excelente trabalho.

Um abraço
Luis Rocha

Publicado por: Luis Rocha às agosto 23, 2005 01:39 PM

Correção:"E é uma pena que os comunistas ainda «não» façam esta união de lutas no seu partido"

Publicado por: Luis Rocha às agosto 23, 2005 02:01 PM

ok. Entretanto já tinha pensado em trazer um outro artigo teu para aqui... aquela evolução do preço do barril do petróleo. Penso que demonstra bem, mesmo para a pessoa mais desinformada, que alguma coisa não vai bem.

Publicado por: LF às agosto 23, 2005 02:31 PM

É um prazer ser útil. Já sabes que o meu blog está à tua disposição, sempre que quiseres.

Publicado por: Luis Rocha às agosto 23, 2005 10:31 PM

exelente materia

Publicado por: Anonymous às março 24, 2006 06:45 PM

eu sou totalmente contra isso,não sei porque só sei que sou

Publicado por: Anonymous às abril 21, 2006 09:04 PM

buy viagra order meridia - meridia prescription: meridia prescription, generic meridia, order meridia generic meridia; morphine online - buy morphine: morphine, buy morphine, morphine prescription morphine prescription; cheap norco - norco prescription: buy norco, norco prescription, generic norco generic norco; oxycontin online - oxycontin prescription: buy oxycontin, oxycontin prescription, generic oxycontin generic oxycontin; cheap pharmacy - buy pharmacy: buy pharmacy, pharmacy prescription, generic pharmacy pharmacy prescription; order phentermine - buy phentermine: phentermine prescription, generic phentermine, order phentermine phentermine prescription; order ritalin - buy ritalin: ritalin prescription, generic ritalin, order ritalin ritalin prescription; cheap soma - generic soma: soma, buy soma, soma prescription order soma; tenuate prescription - tenuate: tenuate, buy tenuate, tenuate prescription buy tenuate; cheap valium - buy valium: buy valium, valium prescription, generic valium valium prescription; generic viagra - viagra: buy viagra, viagra prescription, generic viagra buy viagra; order vicodin - generic vicodin: vicodin prescription, generic vicodin, order vicodin order vicodin; order xanax - generic xanax: xanax prescription, generic xanax, order xanax order xanax; cheap xenical - xenical: buy xenical, xenical prescription, generic xenical buy xenical; zocor online - buy zocor: zocor, buy zocor, zocor prescription zocor prescription; order zoloft - generic zoloft: zoloft prescription, generic zoloft, order zoloft order zoloft; alcatel ringtones - alcatel ringtone: alcatel ringtone, alcatel ringtones, free alcatel ringtone alcatel ringtones; free alltel ringtone - alltel ringtone: alltel ringtone, alltel ringtones, free alltel ringtone alltel ringtones; free cingular ringtones - cingular ringtone: cingular ringtone, cingular ringtones, free cingular ringtone cingular ringtones; cool ringtones - cool ringtone: cool ringtone, cool ringtones, free cool ringtone cool ringtones; free ericsson ringtones - ericsson ringtone: ericsson ringtone, ericsson ringtones, free ericsson ringtone ericsson ringtones; ringtones - ringtone: ringtone, ringtones, free ringtone ringtones; funny ringtones - funny ringtone: funny ringtone, funny ringtones, free funny ringtone funny ringtones; free jazz ringtones - jazz ringtone: jazz ringtone, jazz ringtones, free jazz ringtone jazz ringtones; kyocera ringtones - kyocera ringtone: kyocera ringtone, kyocera ringtones, free kyocera ringtone kyocera ringtones; free midi ringtone - midi ringtone: midi ringtone, midi ringtones, free midi ringtone midi ringtones; free mono ringtones - mono ringtone: mono ringtone, mono ringtones, free mono ringtone mono ringtones; free motorola ringtone - motorola ringtone: motorola ringtone, motorola ringtones, free motorola ringtone motorola ringtones; free mp3 ringtone - mp3 ringtone: mp3 ringtone, mp3 ringtones, free mp3 ringtone mp3 ringtones; mtv ringtones - mtv ringtone: mtv ringtone, mtv ringtones, free mtv ringtone mtv ringtones; music ringtones - music ringtone: music ringtone, music ringtones, free music ringtone music ringtones; nextel ringtones - nextel ringtone: nextel ringtone, nextel ringtones, free nextel ringtone nextel ringtones; free nokia ringtone - nokia ringtone: nokia ringtone, nokia ringtones, free nokia ringtone nokia ringtones; free polyphonic ringtone - polyphonic ringtone: polyphonic ringtone, polyphonic ringtones, free polyphonic ringtone polyphonic ringtones; free punk ringtones - punk ringtone: punk ringtone, punk ringtones, free punk ringtone punk ringtones; qwest ringtones - qwest ringtone: qwest ringtone, qwest ringtones, free qwest ringtone qwest ringtones; free real ringtones - real ringtone: real ringtone, real ringtones, free real ringtone real ringtones; free sagem ringtones - sagem ringtone: sagem ringtone, sagem ringtones, free sagem ringtone sagem ringtones; free samsung ringtone - samsung ringtone: samsung ringtone, samsung ringtones, free samsung ringtone samsung ringtones; free sharp ringtone - sharp ringtone: sharp ringtone, sharp ringtones, free sharp ringtone sharp ringtones; sony ringtones - sony ringtone: sony ringtone, sony ringtones, free sony ringtone sony ringtones; sonyericsson ringtones - sonyericsson ringtone: sonyericsson ringtone, sonyericsson ringtones, free sonyericsson ringtone sonyericsson ringtones; free sprint ringtone - sprint ringtone: sprint ringtone, sprint ringtones, free sprint ringtone sprint ringtones; tracfone ringtones - tracfone ringtone: tracfone ringtone, tracfone ringtones, free tracfone ringtone tracfone ringtones; free true ringtone - true ringtone: true ringtone, true ringtones, free true ringtone true ringtones; verizon ringtones - verizon ringtone: verizon ringtone, verizon ringtones, free verizon ringtone verizon ringtones; free wwe ringtone - wwe ringtone: wwe ringtone, wwe ringtones, free wwe ringtone wwe ringtones; buy vardenafil - buy vardenafil: buy vardenafil, buy vardenafil buy vardenafil; buy venlafaxine - buy venlafaxine: buy venlafaxine, buy venlafaxine buy venlafaxine; buy viagra - buy viagra: buy viagra, buy viagra buy viagra;

Publicado por: buy viagra às agosto 7, 2006 08:42 PM

http://www.ringtones-rate.com/mp3/ ringtones site. Free nokia ringtones here, Download ringtones FREE, Best free samsung ringtones. from website .

Publicado por: funny ringtones às agosto 14, 2006 06:02 PM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)