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julho 26, 2005
A mentira do arrastão
A propósito do relatório da polícia
Cerca de mês e meio depois do chamado «arrastão», apareceu ontem uma nova versão policial dos acontecimentos. Versão essa cheia de contradições e sem resposta quanto à grande mentira do 10 de Junho.
Em vez de um grupo organizado de 500 assaltantes, falam agora de cerca de 30 indivíduos actuando de forma não concertada.
Em vez de roubos e agressões violentas (até se falou em armas brancas), falam agora de incivilidades (E que incivilidades essas! Musica alta, dança, jogos de bola, linguagem grosseira, insultos, desafios verbais, atitudes intimidatórias...)
Em vez de arrastão pela praia, reconhecem agora que as pessoas que se vêm nas fotografias a correr estão a fugir de uma violenta carga policial.
O relatório tenta resolver as contradições que entretanto apareceram entre a realidade e a anterior versão da polícia e de alguma comunicação social. Mas isso não passa de um malabarismo falhado de juntar factos com ficção, e acaba num meio-termo sem qualquer consistência.
Questionamos:
Porque é que isso tudo acontece no dia 10 de Junho?
Quem é que coloca o termo arrastão no comunicado policial?
Em que base de calculo se fala de 500 criminosos (que agora já passam a 30 indivíduos a participar em «incivilidades», e amanha são 2 ou 3)?
Será que ser negro na praia já é incivilidade ?
Como é que o tal comunicado cheio de erros e de aproximações aparece instantaneamente na imprensa?
Quem é que «faz pressão» sobre a polícia ?
Afinal quem usufrui desta ficção?
O Colectivo Mumia Abu-Jamal não pode deixar de exigir responsabilidades quanto ao clima racista, xenófobo e alarmista criado a partir deste episódio. Responsabilidades essas que devem ser esclarecidas totalmente:
desde a imprensa em busca de sensacionalismo, passando por uma polícia nadando em contradições, até aos políticos populistas. Todos tentando fazer esquecer os problemas reais do pais, escondendo a sua incapacidade para os resolver.
Contra o racismo, solidariedade e luta!
21 Julho 2005 _ Colectivo Mumia Abu-Jamal
LF
Publicado por terraviva às 01:40 PM
A guerra que o estado e o capital nos movem...
Esta guerra cruel, impiedosa, que mata sorrateiramente, que não tem frente mas é feita de inúmeras batalhas, que tanto surge nos países “desenvolvidos” como nos do “3º Mundo”, esta é a guerra de classes. É esta guerra sem quartel que os ricos e poderosos movem contra os pobres e os despojados.
Em Portugal, desde há cerca de 20 anos sucedem-se os ataques contra as garantias e direitos laborais conquistados logo a seguir ao 25 de Abril de 74, numa altura em que a burguesia, juntamente com as hierarquias militares ou dos partidos, sabia que não podia derrotar a “rua” se esta se mobilizasse de forma unida para sacudir completamente o jugo que apenas fora abanado.
Actualmente, o governo leva a cabo mais uma ofensiva nessa guerra de classes, munindo-se da força de uma ditadura da maioria, que não de verdadeira legitimidade democrática, pois fez exactamente o oposto do que prometera, servindo-se de um ardil de “surpresa” perante o estado das contas públicas, que apenas convence quem deseja sê-lo.
in A Batalha n.º 211
LF
Deixemos bem claro o seguinte: o que preocupa o poder em Portugal (a burguesia e o seu governo) não é o famoso défice, é a capacidade de resistência da classe trabalhadora e a sua combatividade, pois é um país que já passou por períodos de maior desafogo, já se viveram também momentos de acesa luta popular e operária, estando isso inscrito na memória de grande parte das pessoas.
Isto, apesar do reformismo mais que comprovado de todo o movimento sindical, tendo como expoentes tanto a CGTP como a UGT, as quais se têm sentado à mesa de “negociações” para retirar direitos consagrados, fazer um “nim” ou uma “resistência simbólica” ao código “anti-laboral”, etc.
Como precisam de uma submissão total, é impensável que deixem de pé uma função pública onde subsista trabalho com direitos, com dignidade de carreiras, sem contratosindividuais, sem precariedade. Tudo isto tem de acabar na função pública e na administração pública para nunca mais ser negociável no privado e assim satisfazer a oligarquia reinante.
Os dirigentes sindicais sabem perfeitamente que estes são os planos estratégicos da classe dominante. Porém, como seriam incapazes de se lhe opor (estão demasiado comprometidos com ela) vão dando a ilusão de combatividade, por forma a satisfazer as suas bases. Estas, preferem ter fé, a olharem um pouco criticamente as movimentações que, sempre do alto, são decretadas pelas ilustríssimas cabeças dos dirigentes sindicais.
Fosse o movimento sindical mais horizontal e haveria neste período de Maio - Junho plenários nos locais de trabalho (a lei prevê essa possibilidade, mas os sindicatos nunca a aproveitam) onde seriam discutidas as diversas formas de luta, onde se elegeriam comissões de base e seus delegados para levar a cabo a coordenação com outras comissões... Assim e só assim, poderia o movimento dos trabalhadores e os seus sindicatos agir de forma eficaz contra o ataque sem precedentes que o P”S” desencadeou contra todos os trabalhadores, não apenas os da administração pública.
Resta acrescentar que, se o governo levar à prática a promessa/ameaça de só permitir a entrada de um trabalhador na administração pública, por cada dois que se reformem, tal política será correlativa do abandono completo ou degradação de inúmeras estruturas, nomeadamente na saúde pública e nas escolas, criando assim artificialmente as condições para os privados poderem explorar os que, embora com sacrifício, ainda conseguem pagar o internamento na clínica, o colégio dos filhos, etc. Chamam a isso “libertar o mercado”...
Mas criam também mais geral e funda miséria, onde ela já é tão grande!
Não desprezemos porém o adversário. Se ele avança com estas medidas gravosas é porque sabe até que ponto os sindicatos estão enfraquecidos. Exemplo disso, foi a recente greve de docentes que se realizou na altura dos exames nacionais do final do ensino básico (9º ano) e do secundário (12º ano). Perante a previsão de uma greve tão dura, apenas uma ampla consulta asseguraria a coesão para enfrentar colectivamente os actos de repressão que muito provavelmente surgiriam. Porém, as estruturas sindicais burocráticas decretaram a greve mas não promoveram de forma generalizada assembleias que ratificassem as propostas de greve, nem fizeram o mínimo esforço de mobilização; nem sequer distribuiram eficazmente aos cartazes e folhetos pelas escolas! Isto diz muito sobre o estado comatoso do sindicalismo no nosso país.
Já há tempos que tal se verifica. O facto dos Burocratas se agarrarem o poder, é análogo ao comandante que prefere deixar-se afundar com o próprio navio. Porém, neste caso, sem qualquer honra ou glória. A análise confirma-se: eles fazem com que gerações mais novas não vejam qualquer interesse em se envolverem em actividades sindicais, que consideram como meras extensões das actividades partidárias. Porém, existe outro sindicalismo, outra forma de defendermos os nossos direitos e de nos relacionarmos. Ele está vivo em correntes anti-autoritárias, não vinculadas a partidos políticos, o sindicalismo de base, de inspiração libertária, apenas comprometido com as decisões tomadas em assembleia. Onde não há “chefes” ou “líderes”, mas apenas mandatados entre iguais, tendo cada membro da direcção o seu mandato revogável a todo o momento, por decisão da assembleia e não se aceitando burocracias ou “profissionais” do sindicalismo.
in A Batalha n.º 211
Publicado por terraviva às 12:52 PM
julho 22, 2005
A migração é benéfica para todos
Um estudo recente da International Organization for Migration avaliou os custos e benefícios da migração e chegou à conclusão que os medos relativos ao impacto desta no emprego e na segurança social não fazem sentido.
Por exemplo, no Reino Unido, os imigrantes contribuíram mais 2.1 biliões de Libras em impostos do que aquilo que receberam em benefícios. Relativamente aos empregos que ocuparam, a conclusão é aquilo que já sabíamos. Os imigrantes tendem a ocupar empregos de baixo custo, que a população local não aceita, ou empregos que exigem altos níveis de qualificação e para os quais não existem recursos locais disponíveis. Sendo que neste estudo não foram encontrados níveis significativos de substituição de mão-de-obra local por mão-de-obra estrangeira. Tornando por isso as economias que os recebem mais competitivas e consequentemente criando empregos para a população local (e não destruindo como determinados grupos insinuam).
Em termos de ajuda aos países do terceiro mundo, as remessas dos emigrantes têm muitas vezes um impacto superior às ajudas que são concedidas oficialmente pelos países desenvolvidos. Por exemplo, as remessas de imigrantes representam 8% do PNB de Marrocos e 10% do PNB das Filipinas. Também, aqueles que regressam aos seus países, contribuem para o desenvolvimento destes via as qualificações e experiência que ganharam entretanto no estrangeiro.
retirado de (Speakers Corner Liberal Social)
LF
Publicado por terraviva às 12:32 PM
julho 19, 2005
Relatório da PSP nega arrastão

Apurar responsabilidades e desmentir o logro com a mesma convicção com que nos enganaram é que já seria esperar demais.
E tu, ainda acreditas no pai natal?
LF
Publicado por terraviva às 11:27 PM
Eu prefiro ir à Praia a ir à Tourada!

Dia 24, manif contra a tourada na Póvoa do Varzim. Organização da ANIMAL e da PETA. O Gaia está a organizar uma ida de bicicleta desde o Porto. Para mais informações consulta o Gaia-Porto.
LF
Publicado por terraviva às 09:56 PM
julho 18, 2005
Benefit AVP
A AVP (Associação Vegetariana Portuguesa) está a convidar bandas (géneros como ska, reggae, punk, rock ou outros) e grupos de Activismo/Voluntariado que apoiem o vegetarianismo nas suas vertentes ética, ambiental e de saúde, para participarem num Benefit (Concerto de Beneficência) que decorrerá em Setembro (dia a definir) no IPJ (Instituto Português da Juventude) de Moscavide. Os fundos que se angariarem neste Benefit reverterão para a AVP que os utilizará para a organização de eventos nacionais de promoção e divulgação do vegetarianismo e para a criação de material informativo e de apoio aos vegetarian@s portugueses/as.
As bandas e grupos que tiverem essa disponibilidade por favor
participem nesta iniciativa!
Para mais informações e inscrições contactar o e-mail: avp@infonature.org
(o aviso deste evento foi gentilmente feito pelo bioterra)
LF
Publicado por terraviva às 02:10 PM
julho 17, 2005
Divagação Pirata
O Capitão Bellamy

Daniel Defoe, com o pseudónimo de Capitão Charles Johnson, escreveu o primeiro texto de referência sobre os piratas, A General History of the Robberies and Murders of the Most Notorious Pirates. De acordo com o Jolly Roger de Patrick Pringle, o recrutamento de piratas ocorria mais frequentemente entre desempregados, servos foragidos e criminosos aguardando a deportação. O alto mar imediatamente liquidava desigualdades de classe. Defoe conta-nos que um pirata chamado capitão Bellamy fez este discurso ao capitão de um navio mercante que havia capturado. Este capitão recusara uma oferta para se juntar aos piratas.
“Lamento imenso, mas não vos restituirei o vosso barco, pois detesto prejudicar alguém quando não há nisso vantagem para mim; maldito seja, temos de afundá-lo, mesmo que vos seja útil. E vós sois um cachorrinho sorrateiro, como são todos aqueles que se submetem às leis dos ricos escritas para sua segurança, e nunca a dos outros. Os poltrões não têm coragem de defender doutra maneira aquilo que obtiveram por vigarice; mas sede vós mesmos malditos com eles: malditos sejam eles, essa matilha de velhacos manhosos, e vós, que os servis, sois um bando de imbecis e miolos-de-galinha. Eles difamam-nos, oh sim, quando a única coisa que nos distingue é que eles roubam os pobres a coberto da Lei, nós saqueamos os ricos, protegidos só pela nossa coragem. Não estaríeis melhor entre as nossas fileiras do que a mendigar emprego junto desses vilões?”
E quando o capitão replicou que a sua consciência nunca lhe permitiria violar as leis de Deus e do homen, Bellamy prosseguiu:
“Vós sois um patife de consciência infernal, eu sou um príncipe livre, e tenho tanta autoridade para combater o mundo inteiro como aquele que possui cem velas no mar, mais um exército de cem mil homens em terra; e é isto que me diz a minha consciência: mas não se pode argumentar com tais cachorros ranhosos, que permitem aos seus superiores todos os pontapés que lhes bem apetecer.”
in Zona Antónoma Provisória, Hakim Bey, Discórdia Edições
LF
Publicado por terraviva às 11:53 AM
julho 15, 2005
Fotos do campo interculturas - filh@s & mães/pais e picnic vegetariano

O Javi a dar um jeito final no fogão de sala do acampamento do Terra Viva!.

O farto manjar do pessoal do Terra Viva! ao lado da fonte na Quinta do Covelo.

O grupo do picnic vegetariano na hora dos comes e bebes.

O jogo/oficina sobre crudiverismo preparado pela Diana. Aqui, xs jovens do Terra Viva! juntaram-se à malta vegetariana para formar a palavra "cru".
se eu não dissesse ninguém adivinharia :)

Debate bastante participado ao final da tarde.
LF
Publicado por terraviva às 02:19 PM
julho 11, 2005
A floresta em nós... aos bocados!

Hoje, dia 8 de Julho (dia de pagar as rendas)* o Porto acordou com a floresta sobre ele... Quem saía à rua ainda pôde apanhar com bocados dela em cima! Aqui e além eram pequenas "caspas" - brancas, claro! - e os mais sortudos ainda puderam apanhar com uns bocados de folhas de eucalipto em cinzas ou mesmo de carvalho (menos, claro!)... Um cheiro a eucalipto queimado invadiu-me as narinas mal acordei – ainda pensei que fosse a vizinha a fazer fumigações de folhas de eucalipto para mascarar os velhos canos dos esgotos desta parte do centro histórico e que assim estão há anos... Depois reparei que pairava uma nuvem acastanhada sobre a cidade trazida por um vento Leste apressado... Será que O PORTO JÁ ESTÁ A ARDER?... O Porto não... mas a sua cintura verde sim...! Contudo eis a grande oportunidade para os amantes da floresta mais preguiçosos! Já que eles não vão até ela... vem ela até eles! E entra-lhes pela janela, tomba-lhes suavemente sobre o cabelo e a camisa... Que é que queriam que ela fizesse? Tudo o que sobe tem que descer!
E assim diminui também a distância entre o urbano citadino e a floresta! Nem somos um país com uma cultura ligada aos valores da Natureza! Isso é lá para os índios!... Nós somos civilizados! Não somos descendentes dos romanos que também queimavam as florestas para afugentar os bárbaros, os obelixes e asterixes?...
Como respirar?... - "Oh nosso amigo, faz favor! Não me venha com tretas!... Então se gramamos durante anos com os maus cheiros dos esgotos das ribeiras (com a sua "taínha badalhoca"), se aguentamos sem protestar que os gazes automóveis nos empestem as ruas, não vamos agora aguentar um cheirinho a eucalipto queimado?... Até é desinfectante!... Ou você prefere respirar a merda da corrupção dos políticos, a merda dos seus discursos vazios (ou cheios de ar), a merda do custo de vida, a merda do desemprego e da precaridade, a merda da qualidade de vida que temos!... Não me goze!... Venha lá o eucalipto queimado!..."
Ora bolas!... Realmente!...
Depois de nos anos 80 se terem plantado eucaliptos por tudo quanto era lado, depois de terem ardido pinhais e matas de carvalhos e outras folhosas para "estranhamente" darem lugar a plantações industriais e mono-culturais de eucalipto, depois de no Alentejo os poços e as fontes secarem – não só agora mas já há 10 anos! – e a água ter de ser distribuída nas aldeias em camiões cisterna dos bombeiros – porque o consumo de água do eucalipto é tal que seca tudo! (menos as antigas searas transformadas agora em campos de golf... mas isso é outro capítulo...). Depois de se saber que esta espécie exótica, tão querida dos industriais da celulose e do papel – até lhe chamavam o seu "petróleo verde" - era utilizada no século XIX para secar pântanos! Depois de nascentes, fontanários, bicas, jazidas de água terem secado, de Norte a Sul do país onde as plantações de eucalipto tudo dominam. Depois de se saber que falta água e que já a pagamos ao preço da cerveja... Depois de se saber que afinal, como nos ensina o impagável presidente Bush, a melhor forma de não haver incêndios é deitar abaixo todas as florestas... Depois de nos inenarráveis (pela sua hipocrisia) "Dias mundiais da Floresta" os governantes centrais e locais virem oferecer vasinhos e balõesinhos (ambientais) às criancinhas – enquanto as enchem de "cuspo" sobre a "defesa da floresta"... e bumba! – nada fazem que impeça que todos os anos os mesmos cenários de inferno de Dante se repitam! Depois de neste pobre canto da Europa rica, à beira esgoto plantado, se saber que grupos económicos poderosos, como o Espírito Santo, untam as mãos aos políticos para poderem impunemente, em nome dos "públicos" interesses... deles próprios arrasar florestas e montados e as substituírem por empreendimentos urbanísticos de condomínio fechado... Depois de se saber que já quase não há que arder pois já ardeu quase tudo... vem os governantes propor programas especiais de VOLUNTARIADO JUVENIL para VIGIAR AS FLORESTAS E DEFENDÊ-LAS DE INCÊNDIOS! Mas... vigiar o quê? O que já ardeu?... Então será talvez melhor falarmos já de um outro voluntariado jovem: VOLUNTARIADO JOVEM PARA CONTEMPLAR OS RESTOS NEGROS DAS MATAS E FLORESTAS – que ainda mesmo assim dão lucros chorudos a madeireiros e industriais de papel e celulose... VOLUNTARIADO JOVEM para soprarem os ventos das chamas para as casas dos senhores do poder local e central (só para ver se não são sempre as das populações que ardem...), VOLUNTARIADO JOVEM para lhes irem levar as cinzas e os tocos negros que sobram das florestas e matas ardidas às Câmaras e outros órgãos de poderes centrais ou locais... VOLUNTARIADO JOVEM, finalmente, para IR PLANTAR BOLOTAS (Quercus robur, claro!) NOS NARÍZES - E OUTROS ORGÃOS - DOS POLÍTICOS – esperando que dessa forma germinem algumas árvores devido ao adubo... E talvez assim ganhemos o direito a RESPIRAR – e a não comer cinzas florestais da cintura verde do Porto... e de todas as outras que vão ardendo por aí.
*... e alguns dias seguintes também!
Z.P. (Zulmiro Perestelo)
Publicado por terraviva às 11:03 PM
AS BALEIAS NÃO SE OUVEM MAIS CANTAR
As baleias são vítimas do barulho emitido pelas hélices dos grandes transportadores.

No espaço de vinte anos, o barulho ocasionado nos oceanos pelas hélices e motores dos navios de transporte, porta-contentores e outros petroleiros mais que quadruplicou. Segundo certas estimativas, as baleias são as primeiras vítimas desta poluição sonora. Com efeito, nos mamíferos marinhos, a audição tem um papel tão crucial como o olfacto nos cães, permitindo-lhes tanto encontrar a direcção como o alimento. Christopher Clark, um investigador americano da Universidade Cornell, estima que a propagação dos cantos das baleias ficou restrita de 1600km em 1980 a 400km em 2000. Segundo este investigador, quando os oceanos estavam livres de toda a poluição acústica humana, uma baleia que cruzava ao largo de Porto Rico era capaz de ouvir o canto de uma das suas congéneres situada a 2600km daí, nos bancos da Terra Nova.
Consequências directas desta restrição das suas áreas de comunicação: as baleias têm cada vez mais dificuldades em se orientar (o eco dos cantos não tem retorno) e em encontrar alimentos, ou mesmo parceir@s para reprodução. Mais grave ainda, quando as manobras militares se desenrolam, a utilização intensiva de sonares activos a baixa frequência para detectar submarinos desorienta completamente as baleias e provoca que dêem à costa de forma massiva. Tudo parece indicar que, sob a influência directa do homem, o planeta se torne demasiado pequeno para estes gigantes dos mares que são as baleias.
Publicado por terraviva às 07:57 PM
julho 07, 2005
CAMPO FIM DE SEMANA INTERCULTURAS - FILH@S & MÃES/PAIS - 09 E 10 DE JULHO - COVELO, PORTO
O projecto "Fazer Caminhos / REGRALL", da Terra Viva!, associação de ecologia social e do âmbito do programa ESCOLHAS 2ª GERAÇÃO, realiza este fim de semana, em colaboração com SOS Racismo, GAIA, MAAC (Mov. Amig@s do Ambiente de Canidelo), esta actividade tentando envolver nela tanto crianças e jovens dos nossos Gr.All.s (Eco-escutismo livre) e suas famílias, como elementos das diversas comunidades imigrantes do Porto. O programa incluirá de bancas de informação dos vários grupos presentes, mas também da ACIME, até Pic-Nic Vegetariano (almoço de Sábado da responsabilidade do GAIA), desde jogos florestais a canções à volta do "Fogo do Conselho", desde debates a workshops (plantas medicinais, fornos solares, etc.)
O QUE É NECESSÁRIO TRAZER:
- Algo de comer para os dois dias (no pote de ferro comum trazemos para cozinhar batatas, esperguettes e arroz, sal, azeite, açúcar, café, chá...da sede do Terra Viva!)
- Saco cama ou cobertor (as tendas cedemos nós)
- Camisola ou blusão de agasalho para a noite
- Toalha e artigos higiênicos pessoais
- Muita vontade de conhecer e de se relacionar com os outros...
PROGRAMAÇÃO:
SÁBADO - 9/6
10h - Encontro no alto florestado da Quinta do Covelo e montagem do campo – Roda de APRESENTAÇÕES
11h - Formação de Equipas “PAIS, MÃES E FILHOS” – Jogos de Animação e descoberta do “outro”
12.30h - 14.00h - Almoço comum à “eco-escuteiro livre” (no pote de ferro) e Roda da Amizade
14.30h - Passeio à descoberta da história do Covelo
16.00h - BANCAS E STANDS DE INFORMAÇÃO DO CAMPO (Terra Viva!/Progr.ESCOLHAS, GAIA, SOS Racismo,...) – aprender a fazer fornos solares – aprender plantas silvestres medicinais – aprender orientação c/bússola
17.30h – Lanche - aprender a fazer “pão de pau” - ...
18.00h - Jogos de Floresta (“Rebentabol” e Pista de Orientação) e RAPPEL
19.30h - Preparação do jantar comum – Jantar às 20.45h à roda do Fogo de Conselho
21.30h - Fogo de Conselho – c/ canções, estórias de diferentes lugares, países e culturas, jogos e partidas
23.00h - Conselho de mães e pais – deitar dos mais novos 24.00h RECOLHER e silêncio no campo
DOMINGO - 10/6
9.30h - Pequeno almoço
10h - Jogos de movimento (corda, roda de paus, corrida de bigas, corrida de tanques, ...)
12.30 - 14.00h - Pic Nic comum
14.30h - Grupos de Conversa -
GR.1 - MÃES E PAIS: “Problemas sociais actuais, educação dos filhos e tempos livres – QUE FAZER?”
GR.2 - FILHOS: “Problemas da escola, do bairro e ... - do que gostamos e como alcançá-lo?”
GR.3 - Quem quiser: “Problemas do AMBIENTE e DA VIDA no Porto – ACTUALIDADE”
16h RODA DE ASSEMBLEIA e informações do que se discutiu em cada grupo – Avaliação geral
17h - Lanche e convívio
18h - Jogos e roda de despedida e da Amizade
18.30h - Desmontagem e regresso a casa
Zé
Publicado por terraviva às 10:07 PM
SETE PERGUNTAS SOBRE O BIG BANG

SETE PERGUNTAS SOBRE O BIG BANG
O BIG BANG É UMA EXPLOSAO?
ONDE TEVE LUGAR O BIG BANG?
ESTAMOS NO CENTRO DO UNIVERSO?
SE TODO O ESPAÇO ESTÁ EM EXPANSÃO, O MEU NARIZ TAMBÉM ESTÁ?
ANTES DO BIG BANG, O QUE HAVIA?
E MESMO NO INÍCIO, COMO ERA?
PODEMOS REFAZER UM BIG BANG?
SETE PERGUNTAS SOBRE O BIG BANG
O BIG BANG É UMA EXPLOSÃO?
Não, não e não: o «grande bum» não tem nada a ver com uma bomba ou um petardo, sendo o seu nome mal escolhido. Uma explosão projecta matéria no espaço, certo? E este espaço estava lá antes da explosão, certo ainda? Mas o Universo, esse, não se estende NO nada: não há decoração exterior a ele, nada que o veja passar. No Big Bang, é o próprio espaço que está em expansão, que incha, que se cria, ao fim e ao cabo. Se se sentir realmente com fixação à ideia de explosão, então diga que o espaço se incha de forma explosiva, levando com ele a matéria presente. E o que é um espaço que incha? Suponhamos que medimos a distância que separa as galáxias. E que medimos, digamos, 5 milhões de anos-luz em média. Pois bem, a expansão do Universo significa simplesmente que se puser a zero o contador todos os anos, ou mil anos, ou milhão de anos, encontrará a cada vez que medir uma distância maior.
Explosão não, expansão

É difícil, de facto, imaginar o que aconteceu verdadeiramente no Big Bang. Em todo o caso, não foi uma explosão, porque uma explosão produz-se NO espaço. O Big Bang, ele, criou o espaço e o tempo, e depois lançou o espaço numa corrida louca de expansão, de inchaço, de dilatação. Consequência: a matéria contida no Universo não pára de se diluir, as distâncias entre galáxias não param de aumentar.
ONDE TEVE LUGAR O BIG BANG?

A resposta é: em todo o lado. Siga o guia. A luz viaja a 299 792 458 metros por segundo. Nem um a mais, nem um a menos. Assim, ela traz-nos aos olhos a imagem dos objectos que nos rodeiam com um certo tempo de atraso. Por exemplo, Alfa de Centauro, a estrela mais próxima de nós, encontra-se a 4 anos-luz. O que significa que a luz viajou durante quatro anos para nos trazer a imagem de Alfa de Centauro. Vemos portanto hoje essa estrela tal como era há quatro anos. Assim, se ela explodir hoje, só viremos a sabê-lo daqui a quatro anos.
Puxemos pelo raciocínio. Quanto mais longe olharmos no espaço, mais longe veremos no tempo. O que se passará se olharmos a 15 mil milhões de anos-luz? Deveríamos ver o que se passou nesse momento, isto é: deveríamos ver o Big Bang no seu início! E isso em todas as direcções. Em teoria, estamos cercados pela imagem desse instante fatídico: o Big Bang estende-se em todo o fundo celeste!
Na prática isso não funciona porque na sua infância o Universo era opaco. Foi só ao fim de 300 000 anos que se tornou transparente. Temos já a imagem desse momento: é a famosa radiação a 3K(1) apreendida pelo satélite COBE. Por detrás dessa radiação, não podemos ver nada, há como que um muro de brumas: é o limite do Universo observável. Nunca saberemos do que se passa por trás desse muro, quaisquer que sejam os progressos dos telescópios.
O instante zero está então escondido para sempre. É consequentemente inútil tentar procurar o «lugar» do céu onde teve lugar Big Bang. Com efeito, todos os lugares que hoje nos parecem muito afastados uns dos outros constituíam na sua origem o mesmo lugar. Nesse sentido, nós continuamos sempre DENTRO do Big Bang.
(1)3K lê-se «3 graus Kelvin», seja 3 graus acima do 0 absoluto, -270°C.

O Universo observável hoje é uma esfera de 15 mil milhões de anos-luz de raio, centrada sobre nós. As zonas mais longínquas que podemos observar apareceram 300 000 anos após o Big Bang, no momento em que a luz se libertou da matéria. Eis o porquê de a esfera estar atapetada pela radiação cósmica, como revelou o satélite COBE. Note-se de passagem que quanto mais longe olharmos no espaço, mais longe veremos no passado. Atenção ao contra-senso que poderia induzir este desenho: não estamos no centro do Universo real e sim no centro do Universo observável por nós HOJE. Todas as galáxias, onde quer que estejam, estão rodeadas pelo mesmo «ovo cósmico».
ESTAMOS NO CENTRO DO UNIVERSO?

Não há a menor hipótese. Os cosmólogos (que são os físicos do Universo no seu conjunto) adoptaram um princípio fundamenta, o «princípio cosmológico». Que diz: «o Universo é homogéneo e isotrópico». Quêquéisso? Significa que é igual por todo, que oferece grosso modo o mesmo espectáculo de qualquer ponto (homogéneo), em todas as direcções (isotrópico), na condição de ser observado a uma enorme escala, como os enxames de galáxias. Cada posto de observação (a nossa Terra ou a galáxia de Andrómeda ou qualquer outro lugar) é equivalente a todos os outros; não há portanto centro pois o centro seria, por definição, um ponto privilegiado. Caso se lembre dessas questões, também não há topo ou baixo, nem direita ou esquerda no Universo. Mas, objectará, se todas as galáxias se afastam de nós a toda a velocidade, não significa isso que nos podemos considerar no centro de tudo, que todo o Universo se expande apartir daqui? Mais uma vez, não. Todo o observador, não importa em que galáxia (e há biliões), terá a impressão que as outras galáxias lhe fogem. É a prova que se afastam umas das outras, sem se interessar em qualquer centro.
SE TODO O ESPAÇO ESTÁ EM EXPANSÃO, O MEU NARIZ TAMBÉM ESTÁ?

Podemos com efeito colocar-nos essa questão, tendo em conta o tamanho do seu apêndice. Oh, perdão! É preciso nunca gozar com o leitor. Então digamo-lo assim: se todo o espaço está em expansão, porque não eu, a minha cidade, a Terra, o Sol; tudo isto é espaço, não? Pois bem, a resposta é não: todas as pequenas estruturas do Universo, as estrelas, o sistema solar, os planetas, os seres vivos, são insensíveis à expansão. Mesmo um conjunto de estrelas tão gigantesco como a nossa galáxia, com o seu milhão de milhões de quilómetros de diâmetro, não é afectado pela expansão. O crescimento do Universo só age a grande, grande escala, entre as galáxias e os enxames de galáxias. Porquê? Porque à mais pequena escala a força da gravitação ganha o jogo. É ela que mantém juntos os planetas em volta do Sol, e as estrelas no seio das galáxias. E a gravidade liga tão fortemente estes objectos que os impede de seguir o estiramento do espaço. A nossa região do céu está mesmo a comprimir-se! No «enxame local», onde se encontra a Via Láctea, as galáxias estão de facto a aproximar-se umas das outras. Mas atenção, este efeito local não contradiz de nenhum modo a expansão à grande escala di Universo.
ANTES DO BIG BANG, O QUE HAVIA?

Nada. O Big Bang engendrou o tempo assim como o espaço. Não faz sentido perguntar o que havia antes do tempo, pois que, para que a noção de tempo exista, é preciso já que o tempo exista. É como se perguntasse: o que há para Norte do pólo Norte?
Vejamos o problema como os físicos. Se passarmos ao contrário o filme da história do Universo, vemos todas as galáxias a aproximar-se cada vez mais. A última imagem mostra-nos um ponto que contém toda a massa do Universo: um ponto de densidade infinita. Os físicos chamam a isto uma singularidade. E ela chateia-os muito. Assim que se chega a uma singularidade, de facto, todas as teorias da física se contorcem; não sabemos mais o que se passa.
A teoria física para descrever o Universo no seu conjunto é a teoria da relatividade geral de Albert Einstein. Nessa teoria, o tempo constitui uma quarta dimensão desempenhando um papel parecido ao das três dimensões do espaço: altura, largura, profundidade. Imagine que o espaço-tempo seja a superfície de um balão a inchar. É preciso imaginar que uma das dimensões do balão (a altura, por exemplo) representa o tempo. Para baixo é o passado, para o alto é o futuro. A singularidade inicial, é o pequeno nó, na base do balão, que o fecha. Pode ver-se, no desenho acima, que não há nada sob o nó: nada de espaço, nada de tempo…
Evidentemente, é difícil de engolir esta. Mas a teoria da relatividade prevê que o Universo está verdadeiramente tufado de singularidades. Em geral, essas singularidades chamam-se buracos negros, um lugar onde a matéria está muito concentrada: o TEMPO muda aí de natureza. Quando uma estrela morre e se afunda sob o próprio peso, forma um quisto de matéria de tal forma comprimida que tudo o que lá cai não tem futuro, pelo menos para quem a vê de longe… Brrrrr! As equações dos astrónomos dizem que existe somente uma singularidade que possui as propriedades inversas, em que tudo o que dela sai não tem passado. É o Big Bang.

Provindas do Big Bang, as partículas que compõem o Universo seguem cada uma uma linha de espaço-tempo. Em vermelho, algumas delas aglutinam-se, para seu azar, num buraco negro. Para um observador exterior, essas partículas não têm futuro, a «singularidade» que representa o buraco negro modifica as propriedades do tempo em tudo o que se encontra nele. A mesma coisa, mas ao contrário, para o Big Bang. Todas as partículas provêm dele; a sua carreira começa com a criação do tempo. Antes? Não há… do antes, o tempo não começou a correr e a física não sabe falar (yo).
E MESMO NO INÍCIO, COMO ERA?

A resposta é simples: não faço ideia. Aliás, isso não é muito importante para a teoria do Big Bang. Com efeito, o Universo actual, aquele que podemos observar, só depende, no essencial, do que se passou DEPOIS do primeiro segundo. Mais vale dizer que pode ter acontecido qualquer coisa antes. Os físicos teóricos têm ideias que se seguram à estrada até cerca de 10-40s após o Big Bang… mas estão seguros de nada saber do que se passou antes de 10-43s. Porquê? Porque antes desse momento, o Universo estava de tal forma concentrado que torna ineficaz a relatividade geral. É aliás o que faz os físicos afirmar que a teoria de Einstein está incompleta, que será um dia ultrapassado.
Note-se que certos cosmólogos não se chateiam já em construir teorias matemáticas do Universo desde o instante 0 e mesmo anterior. O físico americano de origem russa Andreï Linde, por exemplo, imagina que universos-bolha pululam sem cessar apartir do nada. O nosso Universo não seria mais que uma bolha minúscula e efémera numa espuma eterna e infinita… Ideia vertiginosa mas inverificável. Em princípio, observar a existência desses outros universos separados do nosso é impossível. Se existem, são muito diferentes do nosso. E a física que os descreveria não teria nada a ver com a nossa… seria como pretender decifrar com uma gramática terrestre uma linguagem extraterrestre destituída de língua e glote.

Uma multitude de universos surgem do vazio vindos duma multitude de Big Bangs; entre todos esses universos-bolha, o nosso: ideia vertiginosa acarinhada por vários cosmólogos entre os quais Andreï Linde. Mas estas ideias não são mais que um jogo motivado pelo desejo de responder à questão das questões: e antes do Big Bang, o que havia? A física não tem grande coisa a dizer.
PODEMOS REFAZER UM BIG BANG?

Não. A supor que a pergunta tem sentido, não está ao alcance dos humanos, nem mesmo das suas melhores máquinas, os aceleradores de partículas. O que não impede os físicos de sonhar: reproduzir um Big Bang de modelo reduzido seria ler um livro aberto dos segredos do Universo! Em Fevereiro de 2000, os físicos do CERN anunciaram ter recriado um estado da matéria que deve ter existido cerca de 10 milionésimos de segundo após o Big Bang. O Universo parecia então a um plasma quark-gluão, uma sopa onde se misturavam livremente os quarks, constituintes dos núcleos atómicos, e os gluões, a cola que os mantém soldados. Para isso, lançaram núcleos pesados de chumbo contra alvos do mesmo metal. Obtiveram uma temperatura de 100 000 vezes mais elevada que a que reina no coração do Sol: 1 000 milhões de graus! Infelizmente, não puderam mater essas condições infernais mais que durante 100 milésimos de bilionésimos de bilionésimos segundo, e num espaço ridiculamente pequeno. Uma façanha. Mas ainda muito tímida quando pensamos que 10-43s após o Big Bang, reinava uma temperatura superior a 100 000 biliões de graus (1032). Para obtê-los, seria preciso construir um acelerador do tamanho da Via Láctea!
DM, adaptado de Science et Vie Junior
Publicado por terraviva às 03:00 PM
julho 06, 2005
Pic-nic Vegetariano de Verão
Sábado, 9 de Julho, a partir das 13.00, na Quinta do Covelo - Porto
O Pic-Nic vegetariano é um evento destinado a divulgar o vegetarianismo \ veganismo, os valores ecológicos, estilos de vida sustentáveis e saudáveis. É um acontecimento com um carácter muito informal onde o principal elemento, para além da divulgação de princípios e práticas, é o próprio convívio e confraternização.
Vem à Quinta do Covelo partilhar e experimentar comida vegetariana e vegana, conviver. Vem passar um dia ao ar livre, conversar, partilhar ideias e saberes, etc.!
Ao Pic-Nic estarão associadas outras actividades como um ENCONTRO TROCAL, workshop de alimentação crudívera, conversas, e uma reunião de preparação de uma plataforma de defesa animal. Poderão ainda haver outras actividades ainda não confirmadas.
A melhor forma de deslocação a partir da Avenida dos Aliados são os autocarros 77 e 79.
Não se esqueçam de trazer os próprios utensílios para o Pic-Nic (prato, talheres, copo...), para bem do ambiente!
Até Sábado
Iniciativa do GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental), do TERRA VIVA! - Associação de Ecologia Social e ainda a participação da recentemente criada AVP - Associação Vegetariana Portuguesa vai realizar-se o Pic-Nic Vegetariano de Verão.
LF
Publicado por terraviva às 04:04 PM
Desconstrução do mito que associa imigração e criminalidade

Quando se olha as taxas brutas de criminalidade e se analisa o grupo de nacionais e o grupo dos estrangeiros verifica-se que para os primeiros esta é de 7‰ e no segundo 11‰. Aparentemente, os números confirmam esta ligação. Mas, veremos, trata-se de um erro de análise.
Interpretemos melhor estes números. Os investigadores Hugo Martinez de Seabra e Tiago Santos, num estudo pioneiro, "Criminalidade de Estrangeiros em Portugal: um inquérito científico"1 deram passos significativos nesse objectivo, começando pelos universos de comparação.
A caracterização demográfica do universo da criminalidade é semelhante para nacionais e estrangeiros, com uma predominância de homens, em idade activa, solteiros e com habilitações académicas básicas. Até aqui, tudo bem. Mas, no caso seguinte dá-se um enorme enviesamento: no caso dos nacionais, o universo de referência, sobre o qual se faz a percentagem para obter a taxa bruta de criminalidade, é o de todos os cidadãos nacionais, ou seja, dos O aos 100 anos, com proporção equilibrada no género e de todas as classes sociais e níveis académicos. Já o universo de referência dos estrangeiros é maioritariamente masculino, em idade activa e de nível socio-económico médio-baixo. À partida são universos não comparáveis, pois o dos nacionais inclui um peso muito significativo da faixa 0/16 anos (inimputável) e acima dos 60 anos (onde praticamente já não há criminalidade), faixas que quase não existem no universo dos estrangeiros. Desta diferença dos universos de referência, resulta, naturalmente um resultado errado.
Mas há ainda outro factor a considerar. O que as estatísticas da Justiça nos dão é simplesmente a nacionalidade, distinguindo entre nacionais e estrangeiros. Ora, não é coincidente o conceito de estrangeiro e de imigrante. Por exemplo, todos os turistas que nos visitam, são estrangeiros, mas não são imigrantes. No número de condenados estrangeiros há uma presença significativa de estrangeiros não imigrantes, nomeadamente de "correios de droga", ou seja, pessoas sem residência ou profissão em Portugal que procuraram introduzir droga no nosso país, numa viagem de curta duração. Daqui se conclui, que da taxa bruta de criminalidade nos estrangeiros, uma parte não corresponde a imigrantes.
Se se corrigirem os universos de comparação, equiparando-os, o valor da taxa bruta de criminalidade encontrado nos nacionais sobe de 7‰ para 11‰, enquanto se mantém nos 11‰ para os estrangeiros. Isto é, se compararmos o comparável, não há diferença na taxa de criminalidade entre nacionais e estrangeiros.
Finalmente, para concluir, em média, os estrangeiros são sujeitos, para os mesmos crimes, a penas mais duras. Isso é evidente desde a aplicação da prisão preventiva – facto que teria alguma explicação, pelo maior risco de fuga - até à comparação das penas pelo mesmo tipo de crime, como se verifica, por exemplo, na percentagem de aplicação de pena de prisão efectiva por tráfico de droga, entre os anos 1997 e 2003.
A desconstrução do mito que associa imigração a criminalidade, poderia ter começado por outra perspectiva de abordagem: a exclusão social que gera criminalidade. Com efeito, fruto de um percurso de discriminação face às oportunidades geradas e de uma acentuada desvantagem competitiva em relação à maioria dos nacionais – que reduz muitas vezes a zero o horizonte de futuro – alguns imigrantes, especialmente de 2ª geração, chegam à criminalidade. Não porque sejam estrangeiros, mas porque são excluídos. Sendo uma explicação parcial – verídica também para bolsas de exclusão social composta por nacionais – esta perspectiva é eminentemente justificativa e pode dar involuntariamente a ideia (errada) que a taxa de criminalidade é fatalmente maior entre os imigrantes. E como ficou anteriormente provado, isso não é verdade.
Retirado de Imigração - Os Mitos e os Factos, ACIME
LF
Publicado por terraviva às 12:13 AM
julho 04, 2005
de onde partiu, afinal, a falsa notícia do "arrastão"?
LF
Publicado por terraviva às 01:49 PM
julho 01, 2005
Era uma vez um arrastão
Publicado por terraviva às 11:17 PM
VCI é um perigo para a saúde pública

via ondas
LF
Publicado por terraviva às 06:04 PM
Já era mais que tempo das galegas se livrarem deste boneco!
LF
Publicado por terraviva às 07:18 AM

