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As baleias são vítimas do barulho emitido pelas hélices dos grandes transportadores.

No espaço de vinte anos, o barulho ocasionado nos oceanos pelas hélices e motores dos navios de transporte, porta-contentores e outros petroleiros mais que quadruplicou. Segundo certas estimativas, as baleias são as primeiras vítimas desta poluição sonora. Com efeito, nos mamíferos marinhos, a audição tem um papel tão crucial como o olfacto nos cães, permitindo-lhes tanto encontrar a direcção como o alimento. Christopher Clark, um investigador americano da Universidade Cornell, estima que a propagação dos cantos das baleias ficou restrita de 1600km em 1980 a 400km em 2000. Segundo este investigador, quando os oceanos estavam livres de toda a poluição acústica humana, uma baleia que cruzava ao largo de Porto Rico era capaz de ouvir o canto de uma das suas congéneres situada a 2600km daí, nos bancos da Terra Nova.
Consequências directas desta restrição das suas áreas de comunicação: as baleias têm cada vez mais dificuldades em se orientar (o eco dos cantos não tem retorno) e em encontrar alimentos, ou mesmo parceir@s para reprodução. Mais grave ainda, quando as manobras militares se desenrolam, a utilização intensiva de sonares activos a baixa frequência para detectar submarinos desorienta completamente as baleias e provoca que dêem à costa de forma massiva. Tudo parece indicar que, sob a influência directa do homem, o planeta se torne demasiado pequeno para estes gigantes dos mares que são as baleias.
Publicado por terraviva às julho 11, 2005 07:57 PM