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junho 30, 2005
El congreso aprueba la ley que permite a los homosexuales contraer matrimonio y adoptar
Ou, como diz o Miguel Vale de Almeida, como no Canadá ainda falta uma tramitação, como na Holanda não permitem as adopções internacionais e como na Bélgica não permitem de todo a adopção, a Espanha torna-se no primeiro país com real igualdade legal entre heterossexuais e homossexuais.
LF
Publicado por terraviva às 04:29 PM
Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde

Foi recentemente criado o Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde, constituido por iniciativa dos próprios utentes para defender os seus interesses, independente do estado, dos interesses económicos, corporativos, políticos ou religiosos.
Pretende, entre outras coisas, ser um veículo de denúncia e combate às políticas de saúde neoliberais, preconizadas pelos grupos económicos, organizações internacionais, governo, administração da saúde e serviços de saúde.
LF
Publicado por terraviva às 01:03 PM
Rumores silenciosos: uma antologia anarco-feminista
publicado por Dark Star, Rebel Press
Introdução
O movimento feminista que começou no final dos anos 60 desenvolveu a sua própria forma organizacional e a sua própria prática no coração do qual assenta o pequeno grupo - por exemplo pela tomada de consciência - muitas vezes composto por amigas chegadas. Apartir de milhares desses pequenos grupos cresceu o mais alargado movimento internacional.
Nos seus primeiros anos o movimento feminista notabilizou-se pela sua ausência de líderes, a sua descentralização, o seu federalismo - melhor testemunhado em milhares de revistas, jornais e panfletos que estruturaram o movimento - a sua total falta de dogmas e a sua recusa em seguir qualquer ideologia ou orientação. Por fim, brotando apartir de tudo isto, a sua generalizada ênfase num movimento não hierárquico. Deve ser notado que todas estas formas de organização apareceram espontaneamente sem qualquer direcção externa ou programa preconcebido.
tradução de Maria Silva e LF
Em meados dos anos 70 muitos destes princípios corriam um risco real de serem esquecidos conforme o movimento ia sendo dominado por ideologias políticas, ideologias que algumas mulheres consideravam essencialmente masculinas, por exemplo o marxismo e as suas muitas variações. Além disso, o movimento começou a ser dirigido para campanhas reformistas e de massas que eram muitas vezes inerentemente hierárquicas e centralizadas e, claro, tendendo ao apelo à forma última de expressão do patriarcado – o estado.
Para as feministas cientes das ideias anarquistas, os perigos destes desenvolvimentos tornaram-se imediatamente claros e demasiadamente familiares. A crítica anarco-feminista ganhou popularidade e foi amplamente estudada. O primeiro grupo anarco-feminista inglês apareceu em 1977 e rapidamente cresceu para uma rede nacional com os seus próprios boletins e jornal, com duas conferências nacionais e diversas regionais. Durante este período o grupo Black Bear (Urso Negro) manteve-se bastante activo na publicação de panfletos sobre anarco-feminismo, todos eles bastante populares, sendo diversas vezes editados e vendidos aos milhares.
Nos anos 80 o movimento anarco-feminista para todos os efeitos e propósitos cessou as suas funções. Dá a ideia, olhando para trás, que teve uma vida demasiado curta. Por um lado sofreu a oposição de marxistas e feministas reformistas, mas também do tradicional e masculinamente dominado movimento anarquista, que encarava as anarco-feministas como uma ameaça à sua posição. Parcialmente por causa de tudo isto, as anarco-feministas mudaram para outras áreas de actividade, particularmente para o crescente movimento anti-nuclear.
No entanto, ainda existe uma grande demanda pelos panfletos inicialmente publicados pelo Black Bear e assim eles foram reunidos pela primeira vez pela Quiet Rumours (Rumores Silenciosos). Felizmente o seu reaparecimento irá novamente estimular as leitoras a considerar e reconhecer o valor dos seus argumentos.
* Anarcho-Feminism: Two Statements
* Lynne Farrow: Feminism As Anarchism
* Peggy Kornegger: Anarchism: The Feminist Connection
* Voltairine deCleyre: An Introduction, and The Making of an Anarchist
* Carol Ehrlich: Socialism, Anarchism And Feminism
Publicado por terraviva às 02:07 AM
junho 28, 2005
Era uma vez um arrastão
Um vídeo de Diana Andringa
Dez de Junho, praia de Carcavelos. Muitos jovens juntam-se ao sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país “o arrastão”, um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal.
O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e “gangs”, terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona.
“Era uma vez um arrastão” passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário
inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal.
Apresentação pública
Quinta-feira, 30 de Junho, 21:30h
Videoteca Municipal de Lisboa, Largo do Calvário
(Alcântara)
A apresentação será seguida de debate com a presença
de:
Miguel Gaspar (jornalista, DN)
Rui Marques (Alto-Comissário adjunto para a Imigração
e Minorias Étnicas)*
Rui Pena Pires (sociólogo, ISCTE)
José Rebelo (jornalista, sociólogo, ISCTE)
Mário Mesquita (jornalista, prof. universitário)*
Nuno Guedes (jornalista, A Capital)*
* a confirmar
Publicado por terraviva às 07:27 PM
PORQUE NÃO PODEMOS REPARAR DIRECTAMENTE O BURACO DO OZONO?
A ideia de produzir ozono e levá-lo para a estratosfera é frequentemente evocada como solução possível para o famoso problema do «buraco». É verdade que sabemos hoje facilmente produzir ozono (basta enviar descargas eléctricas intensas no ar), e que esse gás é utilizado em vários processos industriais como, por exemplo, a produção de água potável.
O OZONO INJECTADO SERIA DESTRUIDO
Infelizmente, a concentração de ozono na alta atmosfera resulta de um equilíbrio entre, dum lado, reacções de síntese provocadas pela radiação solar e, por outro lado, reacções de destruição. Um equilíbrio que foi deslocado pela presença de derivados clorídricos e bromatosos provindos das actividades humanas (nomeadamente os famosos CFC ou clorofluorocarbonos). O ozono massivamente injectado na estratosfera seria portanto rapidamente destruído, sem dúvida em algumas semanas, à medida que o equilíbrio preexistente se restabeleceria. Seria portanto necessário alimentar constantemente o sistema para manter a concentração desejada.
É preciso juntar a isto que há 3000 milhões de toneladas (Mt) de ozono na atmosfera. A perda registada devida às actividades humanas (3%) representa então algo como 90 Mt, e produzir uma tal massa de ozono necessitaria vários milhões de kWh – o que representa, para uma ordem de grandeza, uma parte significativa da produção eléctrica dos EUA. «E mais, há o problema da localização do buraco, indica Sophie Godin-Beeckman, investigadora no Serviço de aerodinâmica do Instituto Pierre-Simon-Laplace e vice-presidente da Comissão Internacional do Ozono. Este situa-se principalmente em volta do pólo Sul, e seria portanto preciso encontrar uma forma de injectar o ozono nesses lugares precisos, pois o gás circula muito lentamente na estratosfera». Enfim, não conhecemos para já qualquer meio satisfatório de elevar tais volumes a 15Km de altitude e mais alto, tanto mais que o ozono, em grandes quantidades, é muito tóxico… e explosivo.
DM
Publicado por terraviva às 04:30 PM
Da corrente do rio que tudo arrasta...
Uma parte importante da nossa actividade, seja no âmbito da nossa associação - Terra Viva!/Terra Vivente - AES - seja no âmbito do projecto "Fazer Caminhos/REGRALL", do âmbito do Programa ESCOLHAS 2ª GERAÇÃO - um programa promovido também pelo ACIME e que integrámos na actividade da nossa associação - é a luta contra a xenofobia e o racismo e os "outrismos", já que não podemos separar, a nosso ver, as problemáticas ecológicas destes problemas sociais que fazem da espécie humana a espécie mais dividida do planeta!
De longa data - pelo menos desde o fim dos anos 80 a Terra Viva! tem-se visto a braços com este resquício do passado colonialista de 500 anos e com as sequelas que a guerra colonial deixou numa boa parte da população portuguesa - apesar do 25 de Abril!
Hoje, com a actividade que vamos desenvolvendo junto das populações mais excluidas em 4 freguesias do Porto,no âmbito do "Escolhas", é de crer que nenhuma actividade neste campo da intervenção social - o antiracismo - é possível sem criarmos laços directos, sem uma relação humana profunda, sem laços de empatia pessoal com "@s excluíd@s" - e logo com a maioria das populações imigrantes também.
É por isso que, para além das legítimas posições de auto-defesa frente aos movimentos racistas e xenófobos - que no passado nos originaram alguns dissabores até com a polícia (apesar de nos anos 90 termos defendido o cidadão de origem africana Batalha, vítima de um espancamento de "skins" e... sub-chefe da PSP) é preciso fazer algo mais. E a ligação às comunidades mais vítimas de discriminação não poderá ser feita em termos de "sujeito-objecto" mas sim através de uma compreensão profunda de que há que mostrar à saciedade (e à "sociedade civil") a enorme riqueza da diversidade de várias culturas, a riqueza cultural enorme que representam as várias culturas humanas e a complementariedade das suas diferenças umas em relação às outras.
Para isso queremos empenhar-nos em "fazer a ponte" com todas as associações e grupos informais de imigrantes e de diferentes culturas e etnias existentes no nosso "cenário de acção" - que para já é o Porto e arredores. Nisto enfrentamos a dificuldade de, comparativamente ao Sul e centro do país, a maioria das associações imigrantes não existirem aqui. Mas há os cafés, as pequenas associações de bairro, os pequenos recantos onde depois do trabalho penoso e proletário - que mal grado alguns teóricos do "fim do trabalho", AINDA existem! - quase sempre na construção civil ou na fábrica ou oficina - @s imigrantes se juntam, mesmo com os não imigrantes vítimas comuns do verdadeiro "inimigo estrangeiro": o Capital que os explora a ambos -juntamente com o que resta de "Natureza"! Aí estaremos também!
E se hoje já temos integrados nas nossas actividades alguns jovens e crianças de origem imigrante ou de outras etnias, o nosso activismo e trabalho social-ecológico aponta também para o apoio à auto-organização d@s "excluíd@s" - imigrantes e não-imigrantes - porque, por exemplo, ao contrário de outros países europeus, ainda não temos entre nós redes cívicas de desempregad@s e precári@s que sejam alternativa a um certo "sindicalismo" dominante - mais interessado em se fazer representar a si mesmo e a falar em nome d@s explorad@s junto das cadeiras do Poder (chamem-se elas "Conselhos de Concertação Social" ou outras coisas ...) do que em impulsionar a movimentação e a auto-organização d@s dezenas e centenas de milhar de "excluíd@s" para reclamarem pelos seus direitos naturais à Vida, à Liberdade e à Terra... viva e não poluída!
Quem tiver disponibilidade mental e física, quem tiver ainda ânimo para resistir por tudo isto que se abeire, que nos contacte, sem esperar de nós nem o papel de "gurus" nem de "vanguarda" - estamos AO LADO e não acima ou à frente!
De resto, sobre "arrastões" e "meios-arrastões", apetece-me citar o "velho" Bert Brecht:
"DA CORRENTE DO RIO QUE TUDO ARRASTA SE DIZ QUE É VIOLENTA, MAS NINGUÉM CHAMA VIOLENTAS ÀS MARGENS QUE O COMPRIMEM"
J.P.
Publicado por terraviva às 12:49 AM
junho 27, 2005
Arrastão de desinformação, é o que é!

O arrastão que deu origem a uma onda geral de intolerância e de racismo por todo o país, afinal não existiu. Para perceber porquê é seguir os dados recolhidos pela ACIME.
Está na hora de reverter o processo de desinformação e de manipulação informativa levado a cabo pelos média corporativos e pela polícia, mais tarde amplificado pela manif fascista do Martim Moniz.
E que não se pense que foi um erro inocente de jornalistas em busca de audiências (qual é a desculpa da polícia?) aproveitado pela extrema-direita para passar a sua propaganda. Nem os média nem a polícia são actores imparciais e desinteressados. Para quem vive na grande Lisboa a história não é nova, é assunto sobejamente conhecido, não é que pudesse ter dado origem a precipitações e más interpretações no calor do momento.
Há muito que reflectir agora. Sobre a escalada do racismo e da xenofobia, sobre o crescimento da visibilidade das ideologias de assassínio em massa, sobre as condições sociais em que se vive nos arredores de Lisboa e, certamente, em quase todo o país, e, talvez o mais importante, o papel dos poderes públicos nesta manipulação (os média, a polícia e dos políticos que acreditaram e avalizaram as notícias dos "500 pretos assaltantes em Carcavelos").
LF
Publicado por terraviva às 02:17 PM
A história do arrastão que nunca existiu
Nuno Guedes, A Capital
retirado da página do ACIME (Alto Comissariado Para a Imigração e Minorias Étnicas)
Banhistas, polícia e jovens presos há uma semana em Carcavelos garantem que o «arrastão» do passado 10 de Junho, afinal, nunca existiu. Todos confirmam que existiram assaltos pontuais no areal, apesar de não existir uma única queixa de roubo na PSP, mas as imagens daquele dia, difundidas por todo o mundo como um «arrastão» organizado por 400 pessoas, mostram sobretudo a fuga de centenas de jovens provocada pela chegada da polícia à praia.
Pedro e João, aluno s numa das várias escolas secundárias da Amadora, e dois dos jovens detidos naquele dia pela polícia, garantem que tudo não passou de uma enorme confusão. O início do Verão aproximava-se e, como noutros anos, explicam, «milhares de alunos das várias escola s da Linha de Sintra foram passando a palavra dizendo que no feriado iam à praia a Carcavelos».
O ponto de encontro seria, como sempre, a velha bola da Nívea, mesmo no centro da praia. Hora e meia de viagem depois, Pedro e João (nomes fictícios de dois adolescentes de 16 e 17 anos de cor negra e branca, respectivamente, que nos recebem à porta da sua escola secundária) chegaram ao início da tarde à praia, que na zona da bola de Nívea já estava completamente cheia de grupos de jovens, sobretudo de pele negra.
LF
Aqui, a versão da polícia, responsáveis dos bares da praia e restantes banhistas de Carcavelos diverge da dos jovens detidos a 10 de Junho na praia. Pedro e João garantem que tudo começou quando uma roda de jovens, sobretudo negros, se juntou à volta de um grupo com um rádio a dar músicas de hip hop. No meio, outro grupo dançava.
«Uma senhora até nos perguntou se estavam à porrada, mas quando lhe explicámos que estavam a dançar, até se riram», conta Pedro.
Nuno, Filipa e Bárbara, outro grupo de jovens que ontem estava Carcavelos e que presenciou o alegado «arrastão», conta uma versão diferente: «No meio da roda estavam dois membros de bairros rivais a lutar», garantem. Versão confirmada por uma fonte policial, que afirma que isso mesmo já foi confirmado junto desses bairros. A polícia, tal como os diferentes jovens ouvidos, admite que, no meio da confusão, aproveitaram para roubar outros banhistas.
A proprietária do Windsurf Café, mesmo em frente à bola da Nívea, conta outra versão: «Desde o início que vimos que aquele ajuntamento de gente não era normal e que íamos ter problemas na praia. A determinada altura, do meio daquela roda de gente, sai um indivíduo de Leste aos berros dizendo que tinha sido espancado e lhe tinham roubado um fio de ouro». Foi aí que a responsável deste bar à beira da praia, farta dos problemas constantes na praia mais perigosa do pais e que nas costas do telemóvel tem colado o número da PSP, chamou as autoridades.
A CHEGADA DA POLÍCIA. «Viram centenas de pretos todos juntos e acharam que estavam a fazer algo de mal», defendem Pedro e João, que acreditam existir muito racismo no meio deste «arrastão». E foi quando a polícia chegou que se instalou a confusão geral apresentada pelas imagens captadas pelo proprietário do Windsurf Café, que ilustraram televisões e jornais do planeta como se fosse o maior «arrastão» do mundo.
Pedro reconhece-se numa das fotografias, mas garante que a mala e toalha que tem na mão são dele. Tal como a grande maioria das restantes pessoas que aparece nas imagens, diz que apenas pegou nas suas coisas para fugir à polícia que, garante, entrou no meio dos diferentes grupos de jovens negros, entretanto já dispersos pelas suas toalhas, à «cacetada».
Nuno, Filipa e Bárbara, o grupo de jovens que ontem se mantinha em Carcavelos, tal como a proprietária do Windsurf Café, garantem que muitos dos que estavam no meio daquelas centenas de adolescentes negros se viraram contra a polícia, que assim não teve outra hipótese se não se defender. «Os polícias não são os maus desta história e muita coragem tiveram ao intervir no meio de centenas sendo apenas 13 agentes», afirma a responsável do bar da praia.
«Mas qual é o jovem que, sendo branco ou preto, respeita a polícia», pergunta Carolina Nunes, outra das banhistas que naquele dia estava em Carcavelos, e que garante que nunca se apercebeu de qualquer «arrastão». «A determinada altura vi toda a praia a olhar para esse enorme grupo de negros, e apenas me apercebi de uma confusão que parecia ser barafunda motivada por algum piropo enviado à namorada alheia», explica...
Só abandonou a praia quando chegou a polícia e os agentes dispararam para o ar. «Pegámos nos filhos e fomos embora», conta o marido, Marco Nunes. Quanto ao alegado «arrastão», só ouviram a palavra quando chegaram a casa e ligaram a televisão, estranhando não ter ouvido ninguém na praia dizer que estava a ser roubado.
ROUBOS NA CONFUSÃO. Pedro e João, os adolescentes detidos naquele dia, admitem, no entanto, que no meio da confusão motivada pela chegada da polícia, houve uma minoria que, em vez de pegar nas suas coisas, pegou nas de outros. «Mas eram putos que só vão para a praia arranjar confusão», garantem.
Entre os quatro detidos pela policia naquele dia, Pedro e João acabaram presos acusados de agressão às autoridades. Ambos defendem-se dizendo que não fizeram nada e que foram agarrados pela PSP quando se deslocavam para a praia da Torre para continuar o dia à beira-mar. «Apenas fomos presos porque éramos só três, tínhamos um ar mais frágil, e um de nós era branco», garante João, que recorda os comentários racistas dos agentes aquando da entrada de rompante na praia.
Estiveram três horas na esquadra, de onde saíram acompanhados pelos pais. Na terçafeira foram ao tribunal, que abandonaram sem qualquer acusação por falta de provas.
Quanto ao «arrastão» promovido por 400 indivíduos, conforme afirmou a PSP há uma semana, Nuno, Filipa e Bárbara, garantem que o que aconteceu foi apenas uma «enorme confusão e fuga descontrolada» com a chegada da polícia.
Fonte policial próxima do processo garante também que não se pode falar num arrastão. «Não houve nada planeado e não existiam 500 pessoas na praia organizadas com a intenção de roubar. Tudo começou com uma briga entre dois indivíduos de dois bairros, que permitiu a uma meia dúzia fazer alguns assaltos isolados. É verdade que o número de pessoas aglomerada na praia era anormal, mas não podemos proibir ninguém de estar no areal só por ser de raça negra», afirma o mesmo age nte, que admite que a confusão maior registada pelas fotografias se deu devido à chegada da PSP.
«Arrastão, como no Brasil, nunca existiu em Carcavelos naquele dia», conclui o responsável. Até porque toda a confusão se centrou num único ponto da praia, à volta da bola da Nívea, que há anos que os responsáveis Windsurf Café tentam retirar da praia para evitar que continue a ser ponto de encontro para os milhares de jovens que
procuram a praia mais acessível do país.
Publicado por terraviva às 02:04 PM
junho 26, 2005
Arrastão ao Racismo
Comunicado do Colectivo de Solidariedade com Mumia Abu-Jamal:
O dia 10 de Junho o apregoado dia da raça algumas décadas atrás fez este ano disparar uma onda racista e xenófoba: o tão falado arrastão na praia de Carcavelos suscitou as aberturas dos telejornais, páginas e páginas de mentiras que contribuíram para intoxicação pública até a exaustão.
Chegando ao ponto de se fazer eco desta monumental mentira nas principais cadeias de televisão e jornais do chamado mundo civilizado. Este episódio ressuscitou uma vaga de comportamentos dignos de práticas do apartheid, práticas
que condenamos e repudiamos.
Uma organização de cariz fascista e racista chegou a convocar uma manifestação contra os “criminosos”, organização essa sim um gang que conta no seu currículo com mortos e espancamentos. Nas faixas ostentadas por estes pseudo-justiceiros, era visível frases xenófobas e racistas assim como comportamentos nazis ao fazer por diversas vezes a saudação nazi e apelos a violência sobre os imigrantes e os negros. Esta manifestação foi autorizada pelo governo e teve ampla cobertura policial, ainda assim não fosse atacada por anti-fascistas.
LF
Entretanto os episódios de assaltos sucedem-se diariamente sendo empolados por determinada imprensa com vista a generalizar um clima de alarmismo, cujos resultados já se verificaram num comboio da linha de Sintra.
Pese embora se constate já por diversas vezes, alguns órgãos de informação desmentiram através de factos o que se passou dia 10, ainda não vimos nenhum jornal o televisão a apresentar desculpa aos leitores e espectadores pelas mentiras de que fizeram eco. Pese ainda a existência de estatísticas que falam da diminuição acentuada da pequena criminalidade – porque a grande criminalidade e assunto tabu
para os nossos investigadores jornalísticos – os fazedores de opinião mal formados persistem na mentira e especulação que de tanto repetidas passam por verdades.
O CMA-J não pode deixar de manifestar o seu veemente repúdio pelo que está a acontecer, responsabilizando os sucessivos governos pelo facto de não terem respostas á altura para resolver os problemas de exclusão, discriminação, miséria... Responsabilizamos em particular o governo Sócrates pelas consequências do clima gerado, como se este assunto contribuisse para a cortina de fumo para dissimular a sua política anti-popular.
Reafirmamos que o crime não tem cor, dizemos mais: aos imigrantes se deve a construção das infraestruturas para o desenvolvimento do país como as auto-estradas, os hospitais as escolas, as habitações... a expo'98 e o euro 2004 tão patrioticamente ostentadas por alguns. Muitas das vezes auferindo vencimentos baixos fruto da exploração ao que são sujeitos e vivendo em condições deploráveis com as suas famílias, em autênticos guetos, espaços de armazenamento de seres humanos.
Perante a avalanche racista, afirmamos que o criminoso não é o vizinho porque tem uma cor diferente, mas o criminoso é sim o capitalismo que nos explora a todos e ganha com a nossa divisão.
A exploração não conhece cores, só se pode combater com a solidariedade.
Publicado por terraviva às 01:08 PM
junho 22, 2005
A FAMÍLIA BUSH CRESCEU

Dois entomólogos americanos acabam de nomear três espécies de coleópteros que descobriram com o nome do presidente dos EUA e de dois dos seus colaboradores directos e mais próximos. Uma homenagem que parece irónica quando se sabe o regime alimentar destes insectos, grandes apreciadores de excrementos de vaca.
DM
© Christopher MAJKA
Variedade de coleóptero Agathidium dita disforme.
Se déssemos o teu nome a um insecto que se alimenta de cogumelos que proliferam sobre substâncias em decomposição (bosta de vaca, por exemplo) e que passa a maior parte do tempo entre árvores mortas, ficarias orgulhos@? É o que acaba de acontecer a George Bush, o presidente dos EUA. E é acompanhado nesta honra por Dick Cheney, o seu vice-presidente, e Donald Rumsfeld, ministro da defesa.
As novas espécies descritas são então agathidium bushi miller and wheeler, agathidium cheneyi miller and wheeler, e agathidium rumsfeldi miller and wheeler. Lembremos que na nomenclatura zoológica internacional, o nome latino das espécies dá primeiro o género, depois a espécie e finalmente o nome dos descobridores.
Se por acaso estas três personagens não conseguissem marcar a sua época pela sua clarividência política, têm pelo menos assegurada a passagem à posteridade através das colecções entomológicas…
DM
Publicado por terraviva às 09:59 PM
CAMPO DE FÉRIAS NO GERÊS
CAMPO DE FÉRIAS NO GERÊS -prioridade jovens "ecobatedores-séniores" da REGRALL /Eco-escutismo livre
Campo " Gerês - Eco-Aventura II"
Nome do Campo de Férias: Campo " Gerês - Eco-Aventura II"
Modalidade: Residencial
Entidade organizadora: Terra Vivente - Associação de Ecologia Social
Contactos Delegação Regional de Braga
Telefone: 253 20 42 50
Fax: 253 20 42 59
Data de Realização: 17/07/2005 a 23/07/2005
Principais Actividades: Actividades de descoberta sócio-ambiental: jogos de desenvolvimento sensorial à Natureza, jogos de movimento na floresta, Orientação. Visitas:mata protegida da Albergaria, Geira e Pedra Bela . Jogos de rio . OFICINAS: Arte e Natureza, Sobreviv.ª,Artesanato, Colectores solares. Slide e Rappel .
Breve Descrição: Conjunto de actividades dinâmicas de descoberta sócio-ambiental do meio envolvente e de interacção entre @s jovens com forte componente eco-escutista e de educação informal.
Itinerário: 1º Estação CP de São Bento (Porto) para Braga ; 2ª Autocarro de Braga para o Gerâs.
Local de Realização: Parque de Campismo
Parque: Parque de Campismo do Vidoeiro Gerês-Terras de Bouro Administração: ADERE-Peneda Gerês Largo da Misericórdia,10 4980-613 Ponte da Ba
Gerês - Terras de Bouro
Braga
Clica aqui para ver o plano semanal de actividades
Faixa(s) etária(s):
- 15 anos aos 18 anos
Nº de vagas: 18
Preço: 48,00 EUR (9623 PTE)
Material necessário: Mochila de viagem, saco cama e colchonete, objectos pessoais de higiene, prato e copo inquebráveis e talheres pessoais, roupa leve e de cores não berrante (para não atrair insectos), calções, fato de banho e toalha, sandálias ou ténis extra, 3 mudas.
Transportes utilizados: Comboio: Porto-Braga-Porto Autocarros:Braga-Gerês-Braga
Tipo de refeições: Confeccionada diariamente em cozinha de campo, em turnos rotativos por Equipa, sob orientação da Equipa de Animação.
Refeições incluidas:
- Pequeno Almoço
- Almoço
- Lanche
- Jantar
Local de Encontro: Sede da Associação: R. Caldeireiros, 213 - Porto, dia 17/7/2005 às 08:30
NOTA: As taxas de participaçãop de elementos activos desde Maio 2005 dos Grall.s da EB23 Ramalho Ortigão,da EB23 de Miragaia, da Sé,da Vitória e de Campanhã da REGRALL são parcialmente cobertas pelo n/projecto "Fazer Caminhos" do âmbito do Programa Escolhas 2ªGeração e por outros apoios locais.
Publicado por terraviva às 03:36 PM
junho 21, 2005
IV Encontro Nacional Ateísta

Dia 25 de Junho, no próximo Sábado, realiza-se no Porto o IV Encontro Nacional Ateísta.
LF
Publicado por terraviva às 10:34 PM
junho 15, 2005
Terra, Símbolo e Ritual
CAMPO DE SOLSTÍCIO – Oficinas Holísticas - fim de semana de 18-19 de Junho 2005
Valinhas/Monte Córdova – SANTO TIRSO
Programa
Sábado 1810h – Encontro e partida na sede da Terra Viva! (Rua dos Caldeireiros, 213 - Porto)
11.30h – Montagem do acampamento em Valinhas (Monte Córdova – Santo Tirso)
12.30h - Pic Nic
Toda a tarde: exercícios de desenvolvimento da percepção sensorial à Natureza – Mandalas e simbolismo do círculo - Pintura zoomórfica e antropomórfica em elementos da paisagem – Pintura facial e corporal ameríndia e de inspiração celta – BANHO NA CASCATA DA FERVENÇA (Trecho não-poluído do Leça) – Roda Medicinal ameríndia e totemismo
Noite: - Visita ao Castro de Monte Padrão - Fogueira de Beltane (Cerimónia Druídica)
Domingo 19 Sauna índia (junto ao rio Leça ) - Iniciação Zuli/Ashanti – Pic Nic (em Valinhas) - Roda Celta e alfabeto ogâmico e arbóreo (celta) – 2 círculos de discussão: - 1º-Antropologia, religiões naturais, fantasia, e mi(s)tificação – 2º -Ecologia, arte e fantasia.
NECESSÁRIO TRAZER: tenda (associados têm tendas da associação) e saco de dormir ou cobertor e colchonete – comida para 3 refeições (de preferência coisas que não se estraguem - trazemos pote de ferro para sopa colectiva) – talheres e prato ou malga e caneca ou copo inquebrável - mochila – pequena lanterna – toalha e fato de banho
QUEM NÃO TEM HÁ CARRO: -15 Euros para transportes (Autocarros na garagem da Rua de Camões na Direcção de Santo Tirso – saír na estrada nacional no desvio para Monte Córdova e andar no sentido Este 2Kms na direcção de Monte Córdova – Valinhas – Carvalhal protegido e local do acampamento - fica a 2Kms da povoação de Monte Córdova.
+INFORMAÇÕES / INSCRIÇÕES – MAIORES DE 16 ANOS - (até Sexta-feira, 17/O6, às 20h na sede da Terra Viva! AES - diariamente das 16 às 18.30h – Rua dos Caldeireiros, 213 (à Cordoaria) – telem.: 967 694 816
Organização:
TERRA VIVA!/Terra Vivente – Associação de Ecologia Social
apoio: PAAJ/Instituto Português da Juventude
Publicado por terraviva às 04:21 PM
Repressão em Oaxaca
Sessão informativa e debate
Um companheiro do grupo de Vigo de solidariedade com as/os indígenas magonistas vai relatar a sua recente estadia com o CIPO-RFM (Consejo Indigena Popular de Oaxaca - Ricardo Flores Magón).

17 Junho às 21:30h no Centro Social 555
R. do Almada, n. 555, Porto
Organização da Assembleia Libertária do Porto da qual faz parte o Terra Viva!. Para contactar a ALP usa o endereço: alp@ziplip.com
LF
Publicado por terraviva às 03:26 PM
junho 14, 2005
MAAC - Movimento de Amig@s do Ambiente de Canidelo - EXPOSIÇÃO/CARTA ABERTA ao Primeiro Ministro
O recentemente criado MAAC - Movimento de Amig@s de Canidelo - no acampamento e assembleia de amig@s da Quinta Marque Gomes, promovidos pela Terra Viva! em 5 de Junho último na Quinta Marques Gomes - além de um manifesto, que aqui reproduziremos em breve, enviou a seguinte Exposição/Carta Aberta ao Primeiro Ministro José Sócrates.
Independentemente deste facto, a TERRA VIVA!/Terra Vivente! está a preparar a sua própria exposição sobre o assunto complementando outras que surjam e enviará também ao Primeiro Ministro cópias do abaixo-assinado que tem a circular pelo Grande Porto desde Março.
EXPOSIÇÃO/CARTA ABERTA AO SR. PRIMEIRO MINISTRO JOSÉ SÓCRATES
(Assunto: defesa da Quinta Marques Gomes e NÃO suspensão do PDM de Vila Nova de Gaia)
Ex.mo Sr. Primeiro Ministro José Sócrates,
O recentemente criado Movimento de Amig@s do Ambiente de Canidelo - MAAC - vem por este meio expôr a Vª Ex.ª o seguinte:
1º - A Quinta do Montado, mais conhecida como Quinta Marques Gomes, é um espaço de cerca de 30 hectares, densamente florestado - 3/4 da superfície total - sendo cerca de 1/4 da sua superfície terreno de exploração agrícola familiar - localizado perto da barra e do estuário do Douro, na Freguesia de Canidelo, Concelho de Vila nova de Gaia;
2º - Pela sua localização, pela sua morfologia, pela sua densidade florestal e pelo seu enquadramento na paisagem, a Quinta Marques Gomes constitui um espaço único na região do Grande Porto e uma mais-valia importante como pulmão verde e como possível parque florestal para desfrute das populações e melhoria da sua qualidades de vida;
3º - Ao adquirir a propriedade da Quinta, o grupo Espírito Santo sabia, com toda a certeza, tratar-se de uma área onde só poderia levar a efeito o seu projecto imobiliário PRIVADO, sacrificando grande parte do seu coberto arbóreo e portanto atentando gravemente contra a qualidade de vida e o direito a respirar das populações locais, requerendo para isso a suspensão do PDM de Vila Nova de Gaia;
4º - Mas, ao adquirir a propriedade da Quinta, o grupo Espírito Santo contava que surgisse algum dia um executivo camarário como o actual disponível para o ajudar a ultrapassar obstáculos legais - PDM, REN, RAN - que poderiam contrariar aquele projecto e favorecer a defesa ambiental daquele espaço;
5º - Em 1979, aquando da sua visita à Quinta Marques Gomes a convite do então existente Centro Popular de Canidelo - instituição de solidariedade social que ocupava parte daquele espaço conjuntamente com a CERSIGAIA, uma outra IPSS - o então Secretário de Estado da Juventude e Desporto, Dr. Joaquim de Sousa, sugeriu ao então Presidente da Câmara, Coutinho da Fonseca, a expropriação da Quinta, dado o seu interesse público - aí sim... - como possível parque;
6º - Infelizmente esta última sugestão daquele Secretário de Estado nunca chegou a ser tida em conta por nenhum dos executivos camarários desde então e até hoje.
Em virtude do que descrevemos, nós exponentes, moradores de Vila Nova de Gaia e do Porto, membros e não membros de associações ambientalistas, cívicas e/ou políticas diversas, unidos na complementaridade das nossas diferenças filosóficas - porque preocupados com o futuro deste espaço como pulmão verde da cidade e da região, vimos solicitar de Vª. Ex.ª a NÃO suspensão do actual PDM - pedida e tão esperada pelo actual executivo camarário.
Além dos motivos já invocados, acrescem ainda outros, a nosso ver de relevo:
A - A localização privilegiada da Quinta Marques Gomes e a sua importância na manutenção do equilíbrio ecológico de toda aquela área, conservando o seu estado natural - naturalmente implicando a limpeza das matas e adaptado e provido o local de equipamentos de apoio a práticas de lazer e educação ambiental - beneficiando com isso as populações locais e da área do Grande Porto e não apenas quaisquer afortunados dos negócios e usufrutuários de qualquer grande e luxuoso empeendimento urbanístico privado;
B - o enorme impacto demográfico - e também ambiental, em termos de aumento de poluição do trânsito rodoviário - do projecto do grupo Espírito Santo, já que se pretende com ele construir vários edifícios de 4 a 7 andares, com cerca de 1300 fogos, acrescidos ainda de lojas, escritórios, parques de estacionamento e ocupando com isso mais de dois terços de área florestal e de verde contínuo da Quinta Marques Gomes;
C - a atitude discriminatória que a suspensão do PDM, pretendida pela actual maioria camarária, significará relativamente à vizinha zona conhecida como «Picão» - onde os proprietários de pequenos terrenos estão impossibilitados de construir dada a inclusão do local na classificação de REN;
D - a oposição ao projecto do grupo Espírito Santo para a Quinta Marques Gomes, não só das várias associações ambientalistas da região mas também de todas as forças políticas de oposição ao actual executivo da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, inclusivamente do PS - Partido Socialista, actual partido do Governo central, o partido de V. Exa...
Por todas estas razões, solicitamos a V. Exa. que o PDM de Vila Nova de Gaia não seja suspenso, para que o actual projecto do grupo Espírito Santo e do actual executivo camarário, para aquela área, não vá por diante e para que em vez dele possa surgir o parque a que as populações locais têm direito - favorecendo com isso tanto a sua qualidade de vida como o turismo ambiental e cultural naquela área. para tal poderão contar com o envolvimento activo tanto deste movimento como das associações ambientalistas desta região.
Pela defesa do património ecológico e histórico de V.N.Gaia e do Grande Porto
Pela defesa da Quinta Marques Gomes
Vila Nova de GAia, 14 de Junho de 2005
Pel'o Movimento de Amig@s do Ambiente do Canidelo (M.A.A.C.)
Mariana Montenegro R. Monteiro - email: heleana@sapo.pt
PS: deste documento, visto tratar-se de uma «carta aberta», será dado conhecimento aos órgãos de comunicação social.
Publicado por terraviva às 07:55 PM
junho 13, 2005
É PRECISO SALVAR a QUINTA de MARQUES GOMES!
Comunicado à imprensa da Associação Campo Aberto - Associação de Defesa do Ambiente
É PRECISO SALVAR a QUINTA de MARQUES GOMES!
O GOVERNO NÂO DEVE APROVAR SUSPENSÃO do PDM/GAIA
As mais recentes notícias, vindas a lume sobre a Quinta de Marques Gomes, em Canidelo, Vila Nova de Gaia, são inquietantes. A coberto de uma pretensa operação de «requalificação urbana», continua a pretender-se a ocupação imobiliária de um dos poucos espaços livres naquele concelho, ainda para mais inserido numa área particularmente sensível, no aspecto paisagístico e ecológico, que é envolvência da Baía de S. Paio e do Estuário do Douro, proposto já para a categoria de reserva natural e integrada na Estrutura Ecológica Metropolitana (estudo encomendado pela CCDR).
Trata-se de um vasto espaço verde com actividade agrícola e um coberto vegetal hoje degradado - mas passível de recuperação - e aproveitamento para área de lazer e de contacto com a natureza e a ruralidade, ajudando à «descompressão» de um território gaiense e metropolitano tão carenciado e entregue à monocultura do betão.
Qualquer intervenção nesse local deveria ser cautelosa e criteriosa. Mas o que se anuncia é o contrário: construção de 1100 casas, totalizando 148 mil metros quadrados de habitação - com cércea média de 4 andares, a que se soma 10 mil metros quadrados de escritórios e 70 mil de estacionamento subterrâneo. Face a uma tão pesada e gananciosa ocupação, quaisquer contrapartidas, a existirem, mais não serão que paliativos, visando talvez iludir a opinião pública.
Apesar das evidências - e dos protestos generalizados - foi aprovado, em Assembleia Municipal, o protocolo que tenta viabilizar o «negócio», celebrado entre a Câmara de Gaia, o grupo Imobiliário Espírito Santo e a GaiaPolis. Este documento, porém, de nada vale, resumindo-se a um processo de intenção, já que a operação imobiliária viola o PDM em vigor - e a suspensão do mesmo, já proposta pela autarquia, não foi ainda aprovada pelo Governo.
A Campo Aberto, em sintonia com inúmeros cidadãos que têm manifestado a sua indignação, apela às entidades envolvidas para que, num esforço de bom-senso e em nome do interesse público, suspendam o processo que culminará na destruição da Quinta de Marques Gomes e no empobrecimento de toda a zona onde se insere.
Igualmente, remeteremos ao Governo, nas pessoas do Sr. Primeiro Ministro e Sr. Ministro do Ambiente, uma reclamação, alertando para a necessidade de ser recusada a alteração pretendida do PDM de Gaia e apelando, para a evidente irracionalidade e irregularidade de todo este processo, que aliás assume contornos pouco claros. Está nas mãos do Governo, mas também e sempre dos cidadãos, impedir este atentado contra o património natural e o interesse colectivo.
Que, a coberto de palavras tais como «requalificação» e «reconversão urbana», se assista a desmandos tão graves, tão pouco transparentes e lesivos do ambiente, apenas leva a concluir da necessidade de mobilização cívica e atenção redobrada, sem o que continuaremos a ver desfigurada a paisagem e dilapidado o património natural.
Ainda é possível salvar a Quinta de Marques Gomes!
LF
Publicado por terraviva às 07:07 PM
junho 08, 2005
Vídeo-Fórum
Fanzines - Arte e Cultura

Exibição do documentário "Doczine, V.1"
Seguido de conversa, petiscos e bebidas.
14 de Junho, às 21 horas
Local: é mesmo cá no Terra Viva!
Rua dos Caldeireiros, n.º 213
(à Cordoaria, junto da Torre dos Clérigos)
telef: 223 324 001
terraviva@aeiou.pt
LF
Publicado por terraviva às 06:09 PM
junho 05, 2005
O sítio do também não
Para quem se quiser manter informad@ sobre a constituição existe O Sítio do Também Não.
Como disse o professor Azeredo, a culpa da força do NÃO é da mobilização dos blogues a seu favor. Já sabemos, então, o que temos de fazer :)
LF
Publicado por terraviva às 01:08 PM
