O Terra Viva! define os princípios, métodos e fins como sendo os da Ecologia Social dado que esta não se fica pela análise dos fenómenos ambientais separados das suas origens sociais.
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Rua dos Caldeireiros, n.º 213
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(à Cordoaria, junto da Torre dos Clérigos)
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Recebemos do "Grupo de Estudos e Acção "SOCIEDADE DO LIXO" o comunicado que, pela sua pertinência e importância do tema se passa a publicar, pensando assim abrir neste blog um diálogo interessante e bastante actual sobre o tema dos "LIXOS" (resíduos sólidos), a RECICLAGEM e a INCINERAÇÃO
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O RIO DOURO,as JANGADAS dos “ECOCLUBES“,a LIPOR e os “LIXOS”
Realizou-se nos passados dias 28 e 29 de Junho a 2ª descida de jangada de um troço (dos mais poluídos*) do rio Douro, entre a barragem de Crestuma-Lever e o cais da Ribeira do Porto.
Esta chamada “II Manifestação Ambiental” foi organizada pelos chamados “Ecoclubes” em parceria com a (senão promovida pela…) LIPOR, empresa intermunicipal de “tratamento e gestão de resíduos sólidos urbanos” (vulgo lixos) da área metropolitana do Porto –equivalente à VALORSUL na área metropolitana de Lisboa - que além da separação e reaproveitamento económico de alguns resíduos (vidro e metais, sobretudo) utiliza uma incineradora (queimadora) de lixos –eufemísticamente chamada “central recuperadora de energia” – a LIPOR II -que “elimina”(*1) ,quer dizer, QUEIMA, transformando em cinzas e átomos de matérias perigosas, o que antes era visível – sobretudo resíduos plásticos cloretados (PVC, PCB,…) .
Estes “Ecoclubes”, promovidos e apoiados directamente pela LIPOR , são essencialmente grupos de jovens em alguns locais e algumas escolas animados inclusivamente por alguns professores e educadores, que promovem algumas práticas básicas ambientais , como a da SEPARAÇÃO dos lixos .
- Em grande parte, como é prática corrente e conhecida por quem observe mais atentamente as recolhas nocturnas de lixos, estes lixos são todos MISTURADOS depois e…QUEIMADOS na LIPOR II…
"Então…ONDE ESTÁ A RECICLAGEM E A RECUPERAÇÃO ? Se é tudo queimado?!..."
…Alto lá, não se precipite!...A incineradora LIPOR II , na Maia , resolve isso tudo!...Ela é uma “central de valorização energética”! Então que é que ela faz?...”Recupera energéticamente” aquilo que queima, transformando tudo em gazes que fazem mover uma turbina e produzir alguma electricidade, que depois vendem à EDP!...Até aqui, aparentemente tudo bem!... E toda a gente aplaude porque acredita que tudo isto é muito “ambientalista”…
O QUE NÃO SE DIZ…
O que nem a LIPOR diz às populações nem aos jovens dos seus apoiados “Ecoclubes” é que:
1º - A INCINERAÇÃO de lixos , nomeadamente a dos restos plásticos de PVC e PCB, resíduos cloretados, é O PIOR de todos os “tratamentos” dados aos “resíduos sólidos” (lixos) urbanos –“trata-nos da saúde” é a nós todos e ao ambiente…
2º - Ela transforma o que é visível e relativamente mais fácil de controlar (em aterros CONTROLADOS, por exemplo), em partículas e átomos que se espalham pelo ar e vêm infectar as cadeias alimentares
3º - Não são os filtros que resolvem o problema já que, quando é preciso parar e arrefecer as caldeiras que queimam o lixo, isto é feito com água, a água transforma-se em vapor e o vapor, carregado de partículas altamente tóxicas - como as dioxinas (mesmo em doses ínfimas geradoras de cancros, por exemplo)- espalha-se pelo ar…
NAVEGANDO DE JANGADA SOBRE UMA SOPA DE BACTÉRIAS…
Se a navegação fluvial, em barcos que não põem os passageiros em contacto directo, físico, com as águas do Douro poluído é algo aceitável, já o será menos a promoção de actividades como a da utilização das precárias “jangadas feitas com materiais reciclados” que põem os jovens participantes-jangadeiros em contacto físico com a sopa de bactérias –provenientes dos esgotos não tratados e que vêm pelo Douro abaixo –juntamente com toneladas de peixe morto das barragens -que é o que o Douro hoje é , sobretudo no troço entre a barragem de Crestuma-Lever e a foz.
*Que se vejam os estudos feitos pelo catedrático do ICBAS-Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Professor Dr.Bordalo e Sá e fica-se elucidado!
Estranhamente, a organização da “II Manifestação Ambiental”(Jangadas no Douro) não informou os jovens participantes dos vários “Ecoclubes” dos riscos que corriam ao banhar-se ou pôr o corpo em contacto com as águas do Douro no percurso da actividade…Que as populações ribeirinhas, não medindo os riscos e guardando a memória do “seu rio” quando ele não era poluído como é hoje, o façam, não é para admirar.
Será de admirar é que tratando-se de autoproclamados “ECOCLUBES”, estes dados não tenham sido levados em conta pelos organizadores…
Ou então…teremos que concluir que a LIPOR , “parceira-promotora” dos “Ecoclubes” portuenses, estará tão empenhada em ocultar a verdadeira e dramática situação ambiental do rio Douro como está em ocultar a sua
opção “incineradora” e volatizadora dos lixos (em desfavor da opção RECICLAGEM e em desfavor da saúde das populações e do meio-ambiente da Área Metropolitana do Porto).
“É TUDO P´RA QUEIMAR”…
Alguns jovens da REGRALL/Eco-escoteiros da Terra Viva!AES participaram nesta actividade,como tantos outros jovens dos “Ecoclubes”, com duas jangadas. Uma delas, ao desconjuntar-se acabou por ficar no areal de Avintes –madeira, bidons de plástico PVC –que poderiam ser reutilizados- algumas almofadas de espuma e tecido…Outras jangadas de outros grupos igualmente fizeram o percurso até ao cais da Ribeira ou deixaram parte dos materiais pelo caminho…
Qual o seu destino? Serão “RECUPERADOS,REAPROVEITADOS,REUTILIZADOS”?...Claro que sim!... A maioria –senão a totalidade- serão “valorizados energeticamente” na inceneradora LIPOR II… Não nos esqueçamos que para ela compensar de alguma forma os milhões que custou TEM DE QUEIMAR MIL TONELADAS DE LIXO por dia!...
Ficaremos provavelmente sem saber é até que ponto esta actividade não terá tido como um dos seus objectivos principais e não abertamente expresso, “catar lixo” para pôr a LIPOR II a”dar rendimento”…
“ENTÃO O QUE FAZER AOS LIXOS?”
Uma vez mais a questão está mal colocada! Se isto fosse de facto uma preocupação para as autoridades camarárias e políticas locais e centrais (em vez de favorecer o aumento dos lucros chorudos dos industriais que investem na produção de lixos -embalagens perdidas, produtos de curta duração, etc…) NÃO SE DEIXARIA QUE SE CONTINUASSE A PRODUZIR AQUILO QUE NÃO SE PODE RECICLAR , aumentando assim continuamente afinal as montanhas de lixos onde nos acabaríamos por afundar…SE as INCINERADORAS não continuassem a queimar e a transformar o lixo em partículas e cinzas (perigosas), levadas pelo vento e escórias depositadas na terra…
E aqui agora é que a porca torce o rabo:
É QUE TUDO ISTO FAZ PARTE DE UM VICIOSO CÍRCULO EM QUE GANHAM MUITOS …MENOS AS POPULAÇÕES, QUE DESCONHECEM O QUE SE ESTÁ A PASSAR NOS GABINETES TÉCNICOS E POLÍTICOS DESTA GENTE: É que, para tornar rentáveis estes equipamentos caros como o são as INCINERADORAS DE LIXOS ( desculpem…! “centrais de valorização energética” e “estações de tratamento de resíduos sólidos urbanos”…), é preciso que se queime diariamente (no caso da Lipor II da Maia) mais de MIL TONELADAS DE LIXO diariamente. Resultado lógico: quanto mais “resíduos sólidos urbanos” se queimarem mais “valorização energética”(produção de electricidade)…MAS…QUANTO MAIS SE QUEIMAR MAIS SE CONTAMINA A ATMOSFERA E A TERRA…
ENTÃO…ONDE ESTÁ A RECICLAGEM NISTO TUDO?... Cumpre um papel importante: o de “PENEIRA PEDAGÓGICA PARA TAPAR O SOL”… Ensinam-se as criancinhas nas escolas e os cidadãos a “separar” e a “reciclar” um pouco para que não vejam O QUE OS GRANDES POLUIDORES fazem… Então o que se deveria fazer, pergunta-se. Eis algumas propostas:
1- TRANSFORMAR A RECICLAGEM (de metais, latas, vidro, papel, plásticos não-cloretados, embalagens, etc…numa estratégia de CAMPANHA POPULAR DE ECONOMIA SOCIAL para GARANTIR RENDIMENTOS para desempregad@s, precári@s e famílias de rendimentos mais baixos; (através do aproveitamento para artesanato, etc…)
2- Promover a INFORMAÇÃO POPULAR e o BOICOTE POPULAR (e não apenas de alguns activistas…) da comercialização e consumo de produtos não-recicláveis (ou difícilmente recicláveis)-como plásticos PVC e PCB- e exigir às empresas que só se produza aquilo que se pode reciclar (reconvertendo-as);
3- Organizar grupos de cidadãos que “devolvam ao remetente “às empresas (nas portas e espaços administrativos) os produtos que não se podem reciclar…
4- Estabelecer redes populares de vigilância e controlo sobre O QUE ENTRA NAS INCINERADORAS (ou co-incineradoras: fornos e fornalhas de outras empresas –cimenteiras, metalúrgicas, etc…) impedindo a incineração de produtos perigosos e geradoras e libertação de partículas perigosas (dioxinas, etc…)
(*1)
Nas escolas ensina-se ainda que “na Natureza nada se perde (e portanto não se elimina…) , tudo se transforma” ?...
Grupo de Estudos e Acção “SOCIEDADE DO LIXO” 15/07/2008
terraviva 01:15 PM | Comentários (0)
Já estão abertas as inscrições para o campo de férias FAFE ECO-AVENTURA que irá decorrer no parque de campismo da Barragem da queimadela em Fafe.
O campo começa no dia 03 de Agosto e termina no dia 09 do mesmo mês e pelo meio temos programado diversas actividades tais como Tiro ao alvo com arco e flechas, Volley, jogos aquáticos, percursos de orientação e de exploração, trilhas pedestres, jogos etc...
Para te inscreveres consulta o site do IPJ: www.juventude.gov.pt, programa "Férias em Movimento", inscrições de jovens, REGIÕES/dISTRICTOS (O Campo é no Distr.BRAGA (procurar em cada região através dos NOMES dos campos (ver titulo) ou então aparece na nossa sede(rua dos caldeireiros nº213) Segundas, Quintas e Sextas a partir das 14:00.
Qualquer dúvida ou pedido de informação PF-tlem.967694816/963001507
telef.: 22 3324001 e.mail: terraviva@aeiou.pt
Apoios:
IPJ (instituto português da juventude) e Programa Férias em Movimento
terraviva 03:25 PM | Comentários (0)
CESL-CÍRCULO DE ESTUDOS SOCIAIS LIBERTÁRIOS-Porto
O ATENTADO ANARQUISTA A SALAZAR
4 DE JULHO DE 1937
EM 4 DE JULHO DE 1937 , NUM PERÍODO EM QUE A DITADURA DO CHAMADO “ESTADO NOVO” SALAZARISTA SE CONSOLIDAVA E :
-TINHAM SIDO PROIBIDAS AS ORGANIZAÇÕES DE TRABALHADORES E ASSOCIAÇÕES LIVRES (juvenis, culturais, etc.) e PARTIDOS - SÓ ERA PERMITIDO O PARTIDO ÚNICO DO REGIME, A “UNIÃO NACIONAL”…
-A POLÍCIA POLÍTICA (PIDE) JUNTAMENTE COM AS RESTANTES FORÇAS REPRESSIVAS (GNR, PSP) E DE DEFESA DO REGIME (“Legião Portuguesa”, “Mocidade Portuguesa”) IMPLANTAVAM O TERROR E A PERSEGUIÇÃO A TUDO QUANTO NÃO ALINHAVA COM O “PENSAMENTO ÚNICO” DE ENTÃO …
-OS OPOSITORES AO REGIME (sobretudo anarquistas, anarco-sindicalistas e comunistas,) ERAM ENVIADOS PARA O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL E PARA AS PRISÕES OU ERAM ASSASSINADOS…
-O REGIME APOIAVA OS MILITARES DE FRANCO (juntamente com a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini) CONTRA A REPÚBLICA ESPANHOLA, ENTREGANDO MILHARES DE REFUGIADOS REPUBLICANOS AOS PELOTÕES DE FUZILAMENTO DO FASCISMO ESPANHOL (Elvas-Badajoz, Chaves, etc.)…
-SE PASSAVA FOME EM PORTUGAL MAS ERAM ENVIADOS PELO REGIME PARA AS TROPAS DE FRANCO AS CHAMADAS “SOBRAS DE PORTUGAL” (TONELADAS DE ALIMENTOS )…
-SE ENVIAVAM QUADROS DA OBRIGATÓRIA “MOCIDADE PORTUGUESA” PARA CURSOS DE FORMAÇÃO POLÍTICA E INTERCÂMBIO AOS CENTROS DA “JUVENTUDE HITLEREANA” À ALEMANHA DE HITLER…
UM PUNHADO DE HOMENS CONVICTOS, REVOLTADOS E DECIDIDOS RESOLVE LEVAR A EFEITO O IMPENSÁVEL ENTÃO PARA A MAIORIA: “ATIRAR PELO AR” O DITADOR
Deste episódio da Resistência contra o salazarismo de que foram protagonistas ANARQUISTAS como o jovem Emídio Santana, tem a história oficial feito essencialmente silêncio…a favor de versões partidárias ou/e fortemente “branqueadoras”.
DAÍ ESTE NOSSO PROGRAMA VISANDO SOBRETUDO NÃO DEIXAR APAGAR A MEMÓRIA LIBERTÁRIA DA RESISTÊNCIA AO SALAZARISMO.
4 de Julho- sexta-feira
-19.00 h. Encontro na Praça da Liberdade (Porto) para divulgação da efeméride
-21.30 h. na TERRA VIVA!AES –Rua dos Caldeireiros 213 –à Cordoaria - PORTO
APRESENTAÇÃO E DEBATE do livro de Emídio Santana
“História de um atentado”(c/textos de apoio extraídos do livro)
terraviva 07:21 PM | Comentários (9)
nota prévia:
este comunicado fazia parte da apresentação da nossa associação num debate público com várias associações ecologistas no âmbito da actividade "TRÁSFUSÃO" da associação AGIL, debate esse que, por motivos aos quais somos alheios, não se chegou a realizar. Aqui fica o texto do comunicado.
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TERRA VIVA! Terra Vivente –Associação de Ecologia Social
“Ecologia social é o estudo das inter-acções entre os sistemas humanos ( sociedades, culturas, economia, etc.) e os seus sistemas ambientais (eco-sistemas)”
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O Porto é uma grande área metropolitana portuguesa, com sede na cidade do Porto, que agrupa 14 concelhos que no censo de 2001 totalizavam 1 759 958 habitantes em cerca de 1573 km² (densidade populacional próxima 1119 hab/km2). Origem: Wikipédia
“Constituem actualmente a Grande Área Metropolitana do Porto 14 Municípios: Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia integravam a anterior Área Metropolitana do Porto, tendo-se posteriormente juntado a este grupo os Municípios de Arouca, Santa Maria da Feira, S. João da Madeira, Trofa e Santo Tirso. A respectiva adesão foi aprovada na reunião da Assembleia Metropolitana do Porto de 28 de Janeiro de 2005.
Ocupa uma área de 1.575 Km2, contando, actualmente, com uma população aproximada de 1.570.800 habitantes, nela se concentrando cerca de metade da riqueza criada na Região do Norte” . (AMPorto)
Nota: Ao que tudo indica, parece que em Portugal as Grandes Áreas Metropolitanas "não clássicas", irão perder importância, subsistindo apenas as de Lisboa e Porto. Os concelhos de Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra, actuais membros da Grande Área Metropolitana de Aveiro irão, a curto prazo, pedir a transferência para a Grande Área Metropolitana do Porto, por forma a que todo o Entre Douro e Vouga permaneça coeso. Deste modo, a Grande Área Metropolitana do Porto irá abranger mais dois concelhos e verá a sua população aumentada em cerca de 100.000 habitantes. A anexação destes dois municípios fará com que a densidade populacional da Grande Área Metropolitana do Porto se situe próximo dos 1.000 hab/km^2.
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NÓS, O PORTO E A REGIÃO
O Porto-Cidade e o Porto “Grande Área Metropolitana” são bem o espelho de um país, de um continente e de o que há pior neles e num mundo “caminhando a passos certos para o incerto”…
Enormes assimetrias e desigualdades sociais (desemprego e precariedade crescentes, deslocalizações de empresas e despedimentos colectivos, aumento dos sem-abrigo, degradação de zonas de habitação social ) degradação ambiental crescente ( asfaltização –em nome da mobilidade automóvel individual!- de largas faixas de zonas rurais e florestais periféricas, mineralização de espaços verdes urbanos – a Avenida dos Aliados é só um pequeno exemplo- ,condições de ambiente de trabalho na indústria altamente poluidoras e geradoras de doenças profissionais -@s operári@s são @s primeir@s a ser poluíd@s … - poluição do ar, poluição dos rios e da orla costeira, destruição de zonas verdes, radiações electromagnéticas cancerígenas “à solta”por todo o lado –cabos e torres de alta tensão, antenas das várias redes telemóveis, invasão dos transgénicos e agroquímicos na alimentação diária…) e – e isto é a nossa marca específica - um enorme deficit de “participação cívica” –entendida aqui não como afluência ou não às urnas eleitorais mas sim como participação e envolvimento em movimentos sociais “de base” de combate aos problemas concretos que atingem a maioria da população.
Muito mais do que a linguagem fria dos números e das estatísticas – facilmente acessíveis através dos media e da Internet - a realidade empírica do dia-a-dia entra-nos pelos olhos e pela pele dentro …se não estivermos demasiado adormecidos pelo intox televisivo, futebolístico ou outro/s…
Ainda não chegámos aos níveis extremos de regiões do planeta como a América do Sul e África mas… para lá caminhamos! (o actual governo português e a maioria dos governos europeus encarregam-se bem de a isso ajudar!...).
Também não chegámos ao nível de consciência e activismo social de um Brasil ou de Moçambique –vejam-se as lutas do povo moçambicano contra o aumento dos preços dos transportes em Janeiro passado – mas…isso abordaremos mais à frente…
Neste cenário local e global que podemos fazer –além de ganhar algumas depressões e úlceras nervosas…?
Os chamados “poderes locais”, à semelhança dos “poderes centrais, estão distantes da maioria da população – com cuja “participação” apenas contam em tempo de eleições para legitimar o poder e privilégios dos eleitos! Veja-se como (não) funcionam assembleias municipais e de Freguesia ...
A maior parte das associações e grupos de defesa do ambiente desta região estão , na maioria dos casos , não só distantes da maioria da população como despreocupadas em reflectir estratégias de inserção em meio popular. Ao contrário de um passado mais ou menos recente, em que diversas associações ambientalistas foram protagonistas de amplas movimentações populares –como a resistência à EUCALIPTIZAÇÃO em Valpaços e na Aboboreira, como contra a ameaça de uma central nuclear e um cemitério de resíduos nucleares às portas do Douro, em Miranda do Douro e Aldea d’Ávila, ou mesmo contra a INCINERADORA de lixos da LIPOR (habilmente travestida, na propaganda oficial , de “central recuperadora de energia”…) a maioria do movimento ambientalista real (mente existente) entre nós prefere resumir-se ao papel de “boa consciência” ambiental – espécie de grilo falante verde – dos poderes locais ou regionais, sem grandes resultados palpáveis, pelos vistos, porque a linguagem do Poder e do dinheiro revela-se cada vez mais incompatível com a “sustentabilidade ambiental” , como de resto, com os problemas concretos das populações carenciadas e poluídas …excepto em tempo de eleições – mas isto é outra história…
Nesta situação, parece-nos não ser demais insistir na emergência e na URGÊNCIA de uma tomada de consciência SOCIAL-ECOLÓGICA por parte das pessoas sinceramente preocupadas com os actuais problemas –e LIBERTÁRIA também, inevitavelmente -já que cada vez mais se afigura inseparável a luta pela defesa do Planeta da luta pela Liberdade –encarada no seu sentido bakuninista, não como algo que se limita e acaba onde começa a do outro mas sim como algo que se AMPLIA e multiplica com a do outros…E logicamente tampouco encarada no seu sentido (neo-)liberal de “liberdade de te chular até ao tutano”…
No que respeita ao modo como esta CONSCIÊNCIA SOCIAL-ECOLÓGICA se pode desenvolver em todos nós, creio que é sobretudo a “aprender a fazer fazendo”que ela se desenvolve, inserindo-se quem em si encontra disponibilidade e vontade em se activar, em iniciativas concretas locais contra um ou mais aspectos concretos da “opressão global” , por um lado, e por outro participando em círculos de reflexão e discussão de ideias : é por exemplo o que pretendemos fazer na Terra Viva com o/s nosso/s “CÍRCULO/S DE ESTUDOS SOCIAIS LIBERTÁRIOS” - e do mesmo modo, com a nossa possível participação em tertúlias ou conferências que abordem os problemas da cidade.
Por outro lado, tentamos participar em movimentos ocasionais “de base” –como o caso dos movimentos dos utentes dos transportes públicos ou (num passado recente) no do mercado do Bolhão - embora estejam por resolver questões tão importantes como a de saber como combater dentro desses e outros movimentos “de base” as tentativas de manipulação política partidária de algumas estruturas políticas…
Provavelmente teremos de dar corpo, à semelhança do que acontece noutras regiões do globo onde os movimentos sociais populares mais se dinamizam, a uma espécie de ESCOLA DE ACTIVISTAS SOCIAIS-ECOLÓGICOS , onde através tanto das nossas próprias experiências mútuas como da reflexão teórica e leitura de alguns textos mais “pedagógicos” ( Bookchin, Chomsky, Graciela Evia e Gudynas, Paulo Freire, etc…) e do estudo de outras lutas noutros locais, no presente e num passado recente, possamos dinamizar, desenvolver e reforçar movimentos sociais e populares diversos , de base, que enfrentem eficazmente e sem claudicar perante “seduções” do Poder ou dos aparelhos partidários, as misérias, explorações, dominações e poluições do tempo presente.
Para já, vemos no surgimento de alguns novos movimentos –como o dos precários, dos pescadores, dos camionistas e agora dos agricultores – ou dos sem-abrigo (MASA) – algo de positivo no sentido do avanço do movimento social popular.
Relativamente à área mais específica do “ambiente” e da ecologia, esperamos conseguir interessar mais activistas e pessoas sensíveis das várias associações ambientalistas, por algumas das nossas propostas, nomeadamente pela que aponta para a emergência da participação nos movimentos sociais e na abordagem reflexiva sobre a ECOLOGIA SOCIAL.
J.R.Paiva, 27/6/2006 -Porto
(activista da Terra Viva!AES e membro dos corpos sociais)
Para mais informações sobre as nossas actividades e espaço, PF:
Site: http//:terraviva.weblog.com.pt
e.mail: terraviva@aeiou.pt
telef.: 223324001
PERMANÊNCIAS NA SEDE segundas, terças, quintas e sextas, das 14.30 às 19.00 horas
Rua dos Caldeireiros, 213 – PORTO (à Cordoaria)
terraviva 03:47 AM | Comentários (0)
terraviva 08:28 PM | Comentários (1)
POR CADA ÁRVORE DERRUBADA
1
Por cada árvore derrubada
Por cada floresta destruída
Crescerão as silvas nas vossas estradas
E nas fissuras do cimento margaridas
2
E as vossas barragens de energia
Roubada às correntes dos rios
Também se fundirão um dia
E treparão heras pelos seus fios
3
Vede agora como se aproxima o tempo
Pós-petróleo e pós-gasolina
Voltamos à Natureza 100 por cento
Enferrujará… cada turbina
3
Pelas ruas se acumulará sucata
Pela cidade se espalharão as sobras
Do que foi uma sociedade farta
De desigualdades e vontades mortas
4
Nas grandes propriedades não haverão barreiras
Nem nos condomínios arames farpados
Talvez a água já não corra nas torneiras
Mas haverão rios ainda não inquinados
5
Talvez nesse dia regressemos
À dura pureza ancestral
Se a humanidade não for já torresmos
Viv’rá sem Estado, Poder e Capital
…
6
TUDO ISTO PORQUE NÃO FOMOS A TEMPO
DE TRAVAR A GANÃNCIA E O PODER
PORQUE CREMOS TER SEMPRE O NOSSO SUSTENTO
DE QUEM NÃO DEVÍAMOS DEFENDER
…PORÉM PODE AINDA NÃO SER TARDE
PARA ADIARMOS DA TERRA O SUSPIRO FINAL
SE ACORDARMOS SOLIDÁRIOS A GENTE HÁ-DE
RESISTIR E FAZER … A REVOLUÇÃO SOCIAL!...
…E FLORIRÁ A HARMONIA UNIVERSAL!...
(…e a “sustentabilidade ambiental”!...)
Zé Dez.2007
terraviva 02:52 AM | Comentários (0)
Nota prévia:
Depois do movimento grevista dos pescadores (de cujo resultado final se terá algumas dúvidas apesar da firmeza da luta daqueles trabalhadores), depois da greve dos camionistas -em cujos piquetes morreram 2 trabalhadores- luta igualmente de grande firmeza e coragem social, e de cujo desfecho haverá igualmente algumas dúvidas dado o seu carácter autónomo e as reticências de algumas direcções sindicais em apoiá-lo , avizinham-se nos próximos dias outras movimentações mas essencialmente simbólicas. Resultarão? Bastarão? Que outras formas será legítimo deitar mão?... É também isso que nós activistas sociais da Terra Viva!aes (e eventualmente companheir@s de outras associações, grupos ou pessoas individuais,desempregados, etc., preocupados com as perspectivas negras de um nível de vida pior do que o que já temos, pretendemos discutir nesta reunião.
DIGNIDADE SIM! - MAIS MISÉRIA NÃO!- MAIS AUMENTOS NÃO!
Terra Viva!AES
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REUNIÃO/ENCONTRO CÍVICO CONTRA OS AUMENTOS DOS COMBUSTÍVEIS
(iniciativas cívicas, associações, núcleos de moradores e utentes dos transportes públicos, organizações de trabalhadores )
Frente à ameaça de aumento do preço dos combustíveis (e os de tudo o resto que se lhes seguirá...) torna-se de facto urgente, a nosso ver o programar e desencadear de acções de intervenção social/cívica que de alguma forma façam virar a correlação de forças para o lado d@s cidadã/o/s (no sentido POPULAR, da maior parte da população) e não para o lado de qualquer “cartel”do petróleo ou, de uma forma geral, para o lado das petrolíferas e gasolineiras.
Há no entanto, entre aquilo que hoje compõe o movimento social/cívico português , quem defenda que o aumento do preço dos combustíveis possa ser a grande oportunidade para uma diminuição do recurso de vastos sectores da população ao uso do veículo automóvel pessoal a favor de uma maior utilização dos transportes públicos –tendência que se tem vindo a verificar nos últimos meses. Com efeito, essa tendência a alargar-se, poderia significar em termos ambientais, sobretudo nas grandes cidades, uma substancial diminuição da “invasão automóvel” –com todos os efeitos negativos sobejamente conhecidos que ela acarreta para a qualidade de vida e a saúde das populações: atrasos nos transportes públicos por via dos enormes engarrafamentos, poluição , etc. Esta seria também a grande oportunidade para alargar o movimento popular/cívico por transportes públicos de qualidade dado o aumento do número de pessoas que a eles recorreriam!
No entanto, também se afigura claro que o aumento substancial do preço dos combustíveis, atingirá sobretudo quem tem menos poder de compra ( trabalhadores que necessitam do automóvel para se deslocar na sua actividades profissionais, utentes dos transportes públicos motorizados- a maioria da população urbana e sub-urbana que não tem poder de compra para adquirir um veículo motorizado pessoal), sendo certo ainda que o abismal aumento do preço dos combustíveis implicará logo de seguida a subida em flecha de todos os produtos de primeira necessidade (alimentação, sobretudo).
Assim sendo, e na eminência das acções de protesto que se anunciam para os próximos dias (“Buzinão”,etc.) , vimos convidar-vos a participar activamente (fazendo-se representar por um ou dois elementos da vossa estrutura cívica ) na REUNIÃO/ENCONTRO que realizamos no próximo dia 13 de Junho (SEXTA-FEIRA) na sede da associação TERRA VIVA!Associação de Ecologia Social,
RUA DOS CALDEIREIROS, 213 –PORTO (à Cordoaria).
Nesta REUNIÃO/ENCONTRO propomo-vos centrar-nos sobretudo nestas questões:
1-QUE PODE A CHAMADA “SOCIEDADE CIVIL” FAZER PARA TRAVAR OS PROGRAMADOS AUMENTOS DOS COMBUSTÍVEIS?
2-A QUE FORMAS DE ACÇÃO CÍVICA PODEREMOS/DEVEREMOS DEITAR MÃO PARA TRAVARMOS MAIS ESTE ATENTADO AO NOSSO JÁ DE SI PRECÁRIO E DEFICIENTE NÍVEL DE VIDA (o pior da Europa!) ?
3-QUE EXEMPLOS TEMOS DE CAMPANHAS E LUTAS SOCIAIS ( no presente e num passado recente, por CÁ e NOUTROS LOCAIS E PAÍSES ) NOS QUAIS NOS POSSAMOS INSPIRAR?
TRANSPORTES PÚBLICOS DE QUALIDADE! - NÍVEL DE VIDA DIGNO–SIM!
MAIS AUMENTOS NOS COMBUSTÍVEIS -NÃO!
TERRA VIVA!
Assoc.EcologiaSocial
MUT/AMP
Movimento de Utentes dos Transportes da Área Metropolitana do Porto
terraviva 11:33 PM | Comentários (8)